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Yogakāraka - a Boa Fortuna, Status e Fama

Yogakāraka é um planeta capaz de trazer boa fortuna ao nativo (Capítulo 36. BPHS) porque ele governa sobre dois Bhāvas favoráveis, um deles sendo um Kendra (quadrante, 1, 4, 7 ou 10) e o outro Bhāva sendo um trikoṇa (trinos, 1, 5, 9). Aqui será estudado conforme as regras dadas por Parāśara.

Como um Graha se torna Yogakāraka:

A base para a Astrologia Preditiva é o relacionamento mútuo entre os Senhores dos Bhāvas. Portanto, no estudo dos Yogakārakas, todas as regras devem ser bem assimiladas. Eis que nestes versos são estabelecidas as condições para a formação dos Yogakārakas:



1. O parivartana (quando o Senhor de um Trikoṇa e de um Kendra estão trocando de Bhāva, ou seja, o Senhor do Trikoṇa está depositado em um Kendra e o Senhor deste em um Trikoṇa);
2. A Yuti do Senhor de um Kendra e do Senhor de um Trikoṇa em um Kendra ou em um Trikoṇa;
3. O Dṛṣṭi inteiro do Senhor de um Kendra sobre o Senhor de um Trikoṇa (aspecto mútuo);
4. Se um e o mesmo Graha governa sobre um Trikoṇa e um Kendra simultaneamente e está depositado em um Trikoṇa ou em um Kendra.

Regras para determinar o benefício ou malefício dos Grahas:
                            

1. Benéficos naturais (Bṛhaspati, Śukra, Budha e Candra em Śukla Pakṣa) não são auspiciosos meramente pela virtude de serem Senhores de Kendras. Aqui eles sofrem de Kendradhipatya Doṣa (o defeito de um benéfico natural ser o Senhor de um ângulo). Em Mithuna e Kanyā Lagnas, Budha sendo o Senhor do 4º e do 10º, torna-se o Senhor de um ângulo, mas ele não perde sua natureza benéfica. Mas em ambos estes Lagnas, Bṛhaspati será o Senhor de dois Kendras e, consequentemente, ele perderá sua natureza benéfica e estará contaminado pelo Kendradhipatya Doṣa. Budha estará na mesma situação no caso dos Lagnas Dhanu e Mīna.
2. Naturais maléficos (Maṅgala, Śani e Candra Kṣīṇa, ou seja, em Kṛṣṇa Pakṣa) não dão efeitos auspiciosos somente por obter o senhorio de um Kendra.
3. Lagna é tanto um Kendra quanto um Trikoṇa. Portanto, o Senhor do Lagna (Lagneśa) dará sempre efeitos auspiciosos, quer ele seja um benéfico ou um maléfico.
4. Os Senhores dos Bhāvas 3-6-11 são chamados de Trishadayadhisha. Se um Graha governa qualquer uma dessas casas, ele se torna o doador de efeitos inauspiciosos.
5. Os Senhores dos Bhāvas 12-2-8 não são livres em doação de efeitos, embora neutros por esta condição. Se neutros, então eles funcionam como Budha Graha que se torna maléfico ou benéfico por associação com maléficos e benéficos naturais. Se os Senhores dos Bhāvas 12-2-8 não estiverem associados com qualquer Graha, então eles darão o efeito do Governante daquele Bhāva em que o seu segundo signo cai. Aqui a “ordem ascendente” quer dizer que o Senhor do 2º é mais forte do que o Senhor do 12º e o Senhor do 8º é mais forte ainda do que os outros dois, deste modo o Senhor do 8º Bhāva tem a mais forte capacidade para doar os efeitos. Se o Senhor do 8º Bhāva se torna também o Senhor de uma casa de ferimento (3, 6, 11), então ele será dotado de extrema natureza maléfica. Se o Senhor do 8º ocupa um trino (1, 5, 9), então ele se torna um benéfico, quer esteja ou não associado com um benéfico, pois, pela regra supracitada, o Senhor de um Trikoṇa é sempre benéfico, quer seja um benéfico ou maléfico natural.
6. Kendra (ângulos) são os Bhāvas 1-4-7-10; Trikoṇas (trinos) são os Bhāvas 1-5-9; Trishadayadhisha (casas de ferimento) são os Bhāvas 3-6-11; e Parashraya são os Bhāvas 12-2-8. Os Bhāvas mais fortes das 4 classes citadas são 10º para os Kendras, 9º para os Trikoṇas, 11º para os Trishadayadhisha; e 8º para os Parashraya, aplicando sempre a ordem ascendente de maior força.
7. Candra é tanto benéfico (Śukla Pakṣa) quanto maléfico (Kṛṣṇa Pakṣa). Significa dizer que seu poder de causar benefícios vai diminuindo proporcionalmente depois da Lua Cheia, mas ele permanece auspicioso até a 7ª Tithi (Saptami) da metade do mês. Esse poder benéfico vai diminuindo a partir da 8ª Tithi, proporcionalmente, e Candra se torna completamente maléfico no Amāvasyā, a 30ª Tithi do mês. A partir daí, seu poder maléfico vai diminuindo gradualmente e pela 7ª Tithi da metade clara (Śukla Pakṣa) todo seu poder de causar mal desaparece e Candra se torna novamente benéfico. Portanto, Candra é um planeta semi benéfico.
8. Budha dá efeitos auspiciosos quando sozinho em um Bhāva ou quando em Yuti com Candra, Bṛhaspati e Śukra. Mas quando em Yuti com um maléfico, ele também se torna maléfico.
9. A ordem ascendente de força dos planetas em termos de benefício: Candra crescente, Budha, Bṛhaspati e Śukra. Da mesma forma, quando eles (Candra e Budha) se tornam maléficos na ordem respectiva dos planetas maléficos: Candra decrescente, Budha, Sūrya, Śani e Maṅgala.
10. Se o Senhor de um Kendra ocupa um Trikoṇa ele sempre será auspicioso. Sua posição em seu próprio signo não tem qualquer importância aqui.                             
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Estas são as regras dadas como por Parāśara. Na próxima postagem falarei detalhadamente sobre como funciona o Yogakāraka para cada Lagna e também responderei, perguntas tais como: “e se um Yogakāraka se torna também um Bādhakeśa, como predizer se os efeitos serão bons ou maléficos durante aquela Daśā?” entre outros assuntos pertinentes ao estudo.
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Agora vejamos como cada Graha age tomando como referencial o Lagna.

19-22. Grahas e Meṣa Lagna. Oh, Brahmane, ouça estes exemplos. Em Meṣa Lagna, mesmo Maṅgala sendo o Senhor de Randhra Bhāva, ele será cooperante para com os Grahas, dando auspiciosos efeitos. Śani, Budha e Śukra são maléficos. Guru e Sūrya são benéficos. Não somente a yuti de Śani e Guru que formará um yogakāraka; e Guru dando efeitos maléficos também é certo se ele estiver à disposição de um maléfico. Śukra é um assassino direto (independente), pois está dotado com as qualidades de um graha Māraka (assassino), pois governa sobre os bhāvas 2 e 7. Os planetas maléficos Śani etc., também se tornam assassinos (em situações específicas). Oh, excelente dos Brahmaṇes, os efeitos acima serão obtidos pelos nativos nascidos com Lagna em Meṣa.

I. Meṣa Lagna:

1. Sūrya – é benéfico, pois governa sobre Putra Bhāva (5);
2. Candra – governa sobre Bandhu Bhāva (4). Aqui acontece um Kendradhipataya doṣa. Contudo, deve-se estudar o fato de Candra estar em Kṛṣṇa ou Śukla Pakṣa (chamado de Pakṣa Bala) para se verificar a existência desse Doṣa. Sua associação com o Senhor de um Trikoṇa lhe tornará especialmente benéfico.
3. Maṅgala – é Lagneśa e Randreśa ao mesmo tempo, ou seja, governa sobre o Lagna (1) e Randhra Bhāva (8). Pela regra acima, ele se torna neutro por governar Randhra Bhāva, dando efeito por associação. Entretanto, por ser o Lagneśa (tanto um Kendra quanto um Trikoṇa) ele se torna benéfico.
4. Budha – ele governa sobre Sahaja (3) e Ari (6) Bhāvas e por governar simultaneamente dois Bhāvas de ferimento (Trishadayadhisha, 3, 6, 11) ele se torna um maléfico em potencial.
5. Bṛhaspati – governa sobre um Trikoṇa (9) e sobre Vyaya Bhāva (12). Por governar sobre um Trikoṇa ele se torna auspicioso, e por governar sobre Vyaya, pela regra ele se torna neutro, daí seu efeito é auspicioso ainda assim. Como o seu Mūlatrikoṇa cai na casa 9, então seu efeito maior será o daquele Bhāva.
6. Śukra – governa sobre Dhana Bhāva (2) e Yuvati Bhāva (7), sendo governante de casas Mārakas, ele se torna potencialmente um assassino e é o primeiro a matar. Pela regra dele ser um benéfico governando um ângulo, ele adquire Kendradhipataya Doṣa (o defeito de um benéfico natural ser o Senhor de um ângulo) e assim ele não se torna auspicioso por qualquer meio. Se, além disso, Śukra obtém qualquer tipo de relação com Budha ou Śani, seu poder de causar mal irá aumentar extremamente.
7. Śani – governa sobre Karma Bhāva (10) e Labha Bhāva (11). Pelas regras dadas em Parāśara, sendo Śani um maléfico governante de um Kendra ele dará resultados auspiciosos somente se governar um Trikoṇa simultaneamente. Contudo, vimos também que os governantes das Casas de Ferimento (3, 6, 11) dão resultados maléficos. Logo, Śani pode ser considerado um maléfico em potencial para os nascidos em Meṣa Lagna. Parāśara é claro ao dizer “Não somente a yuti de Śani e Guru formará um yogakāraka”, isto porque Śani também governa sobre uma casa de ferimento (11) e Bṛhaspati sobre Parashraya (que são os Bhāvas 12-2-8) e a associação de um neutro (os governantes dos Parashraya) com um maléfico (os governantes dos Trishadayadhisha (3, 6, 11), dão efeitos de maléficos para o neutro. Essa é a explicação dada por Parāśara. Logo, embora Śani também governe sobre um Kendra (10) e Bṛhaspati sobre um Trikoṇa (9) e, se por um lado uma regra estabelece que a Yuti desses dois Senhores é suficiente para formar um  Karmadhipati yoga, um yoga próprio para sucesso e fama, ele também deve considerar a 2ª regra que diz que um maléfico natural governante de “um Kendra só será auspicioso se ele governar sobre um Koṇa também”, para demonstrar os efeitos que se darão durante esse período. Além dessa regra, faço lembrar aquela que estabelece a formação de um Raja Yoga, dado na nota de rodapé número 13 do Capítulo 36 de BPHS “Para um Rajayoga se formar, o Governante de um Kendra e de um Koṇa não deve governar um Trishadayadhisha (casas de ferimento) que são os Bhāvas 3-6-11.”
8. Bādhakeśa – para os nativos em Rāśis Móveis, Meṣa, a 11ª casa se torna uma casa Bādhaka e seu senhor o Bādhakeśa. No caso dos nativos em Meṣa, existem 2 Bādhakeśas, uma vez que Kumbha Rāśi recebe o governo tanto de Śani quanto de Rāhu, o nodo norte. Os dois aqui são potencialmente fortes para diminuição da longevidade e aflições para diversas partes do corpo, tanto pelo fato de serem um planeta Bādhaka quanto por governarem uma casa de ferimento. Śani e Rāhu como Bādhakeśas têm o poder de causar acidentes e afetação sobre os membros no qual eles estão colocados. 
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23-24. Grahas e Vṛṣabha Lagna. Guru, Śukra e Candra são maléficos. Śani e Sūrya são auspiciosos. Śani causa Raja Yoga. Budha é doador de efeitos menos auspiciosos. Guru e Maṅgala também são dotados com as qualidades de um assassino. Estes são os efeitos que serão obtidos pelos homens nascidos no Lagna Vṛṣabha.

II. Vṛṣabha Lagna:

1. Sūrya – Parāśara diz que Sūrya se torna auspicioso. Como entender o fato de que, sendo Sūrya um maléfico natural, ele só se tornará auspicioso se governar um Kendra e um Koṇa ao mesmo tempo? Parece que não há qualquer coerência em obedecer às regras pré estabelecidas para a definição de benignidade e malignidade planetária. Parāśara faz esta afirmativa e todos os astrólogos são unânimes em desconsiderar a regra de que um maléfico só se torna auspicioso ao governar um Kendra se ele puder governar, simultaneamente, um Trikoṇa. Sabemos que isso só é possível no caso de Maṅgala e de Śani que governam sobre duas Rāśis, não no caso de Sūrya que só tem domínio sobre Siṁha Rāśi. Entretanto, a colocação de Sūrya em determinados Bhāvas e a sua associação com o Senhor de um Koṇa que não tenha qualquer domínio sobre Bhāvas Trishadayadhisha (3-6-11), lhe dará um Karmadhipati yoga. Para Sūrya, o astrólogo deve considerar a regra que diz que um maléfico natural governante de “um Kendra só será auspicioso se ele governar sobre um Koṇa também”, e só então verificar sua associação com outros Grahas auspiciosos para formação de Yogas favoráveis.
2. Candra – Governará sobre um Trishadayadhisha (3) e obtém o status de maléfico.
3. Maṅgala – Governará sobre um Bhāva Māraka (7) e um Parashraya (12) e, portanto, torna-se maléfico também. Sua associação com outros planetas maléficos, com Candra, Bṛhaspati, Śukra, que são Grahas que governam sobre Trishadayadhisha (3-6-11), aumentará o seu poder de causar mal. Maṅgala formará um Raja Yoga se, e somente se, estiver em yuti com Śani que governa sobre um Trikoṇa (9) e não governa sobre qualquer casa de ferimento. Aqui lembro novamente a regra para a formação de um Raja Yoga dada na nota de rodapé do Capítulo 36 de BPHS: “Para um Rajayoga se formar, o Governante de um Kendra e de um Koṇa não deve governar um Trishadayadhisha (casas de ferimento) que são os Bhāvas 3-6-11.” Logo, Maṅgala e Śani juntos formam um Raja Yoga e somente neste caso Maṅgala perde seu malefício. Mas se ele estiver em yuti com Bṛhaspati (governante da 8 e 11) e/ou Śukra (governante da 1 e da 6), ele se torna ainda mais maléfico.
4. Budha – Ele é doador de efeitos menos auspiciosos porque aqui novamente ocorre um governo tanto sobre um Bhāva auspicioso (Putra, casa 5), quanto sobre um Māraka (Dhana, casa 2). Mas o fato de o 2º Bhāva ser um do eixo neutro Parashraya (12-2-8), então, sua associação com um maléfico dará efeitos inauspiciosos, e caso ele se associe com um benéfico para os nascidos em Vṛṣa Lagna, os efeitos serão auspiciosos. Por isso Parāśara diz que ele é doador de efeitos menos auspiciosos, devido ao fato dele agir como Budha natural que dá efeitos conforme sua associação com benéficos e maléficos. Quando Budha estiver associado com um Yogakāraka, ele será auspicioso, assim declara Girish Chan Sharma em sua tradução do BPHS. Aqui novamente atento para a investigação de todas as regras para a formação de Yogakārakas que foram dadas no Capítulo 36 de BPHS antes de estabelecer qualquer Graha como tal.
5. Bṛhaspati – É o mais maléfico para os nascidos em Vṛṣa Lagna, pois ele governará tanto uma casa de ferimento (11) quanto uma casa neutra (8). Pela regra de ascendência de malefícios explicada na nota de rodapé do Capítulo 36 de BPHS, vimos que ambas as casas, das 4 classes de casas estudadas, estas são as mais fortes para efeitos. Portanto, Bṛhaspati terá o poder de ferir e diminuir a longevidade do nativo. Sua colocação em Bhāvas específicos podem aumentar ou diminuir seu poder de causar danos ao nativo, conforme demais regras pré estabelecidas.
6. Śukra – Apesar de ser o Senhor do Lagna, um Kendra e um Koṇa ao mesmo tempo, ele também governa sobre um Trishadayadhisha (6) e obtém o poder de causar dores no corpo. Pela regra, Śukra sendo um benéfico natural, obtém o Kendradhipatya Doṣa (o defeito de um benéfico natural ser o Senhor de um ângulo). Śukra foi considerado um maléfico por Parāśara devido ao fato de seu Mūlatrikoṇa cair em um Trishadayadhisha, e daí ele vai dar os efeitos mais fortes daquele Bhāva, além do fato dele ser preenchido com o Doṣa de um benéfico governando sobre um Kendra.
7. ŚaniNão se torna um Yogakāraka por simplesmente governar um Koṇa (9) e um Kendra (10) simultaneamente. A regra é clara1 ao afirmar que a formação de Yogakārakas por esse meio só será possível se o planeta também estiver depositado em um Kendra ou em um Koṇa. Sua auspiciosidade dependerá de sua colocação no mapa. Se ele se torna um Yogakāraka pela regra pré estabelecida, então seus efeitos como Bādhakeśa diminuem consideravelmente.
8. Bādhakeśa – Para os nascidos em Rāśis Fixas, Vṛṣa Lagna sendo uma delas, obtém o Bādhaka na 9ª contada do Lagna, logo, Śani se torna o Bādhakeśa para estes nativos. A melhor posição para o Bādhakeśa é aquela em Vyaya Bhāva, pois diminui a força assassina do Graha.

Sobre os Planetas Bādhakas

Um planeta Bādhaka sempre mostra a ira de uma Divindade, e este estudo não será tratado na parte que trata dos Yogakārakas, mas o objetivo aqui é somente dar ao leitor a diferença entre tais planetas, ou seja, entre os Yogakārakas, os Mārakas e os Bādhakas e estabelecer a função de cada um dentro da Astrologia Preditiva. Assim, Śani funciona igualmente como Maṅgala ao se tornar um planeta Bādhaka, ou seja, ele ameaça a longevidade e partes do corpo do nativo por meio de acidentes. É possível descobrir qual parte do corpo do nativo será afetada pela regra do Nara Cakra, um estudo que já foi abordado por mim anteriormente e que é muito mais exato em apontar a causa de doenças do que pela colocação do Graha em uma Rāśi ou em um Bhāva.
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25-26. Grahas e Mithuna Lagna. Maṅgala, Guru e Sūrya são maléficos, e somente Śukra é benéfico. A yuti de Śani e Guru é semelhante ao que acontece em Meṣa Lagna. Candra é o primeiro assassino, mas sua qualidade depende da combinação e da Daśā de outro planeta. Estes efeitos sobre os nativos em Mithuna Lagna, têm de ser preditos por astrólogos instruídos.


III – Mithuna Lagna:

1. Sūrya – Maléfico porque governa sobre um Trishadayadhisha (3) Bhāva, e dá efeitos maléficos.
2. Candra – Māraka porque governa sobre o 2º Bhāva. Contudo, pelo fato de Dhana Bhāva pertencer à classe dos Parashraya (12-2-8), logo, seu maior efeito para malefício se dará quando em associação com outros maléficos. Destes, os piores para imputar morte são aqueles da classe dos Trishadayadhisha (3-6-11). Por isso Parāśara diz que depende da combinação e da Daśā deste outro planeta com quem Candra se encontra associado.
3. Maṅgala – Maléfico porque governa sobre os 6º e 11º, dois Trishadayadhisha Bhāvas, poderoso para causar ferimento.
4. Budha – Sendo ele um benéfico natural e governando sobre dois Kendras, sofrerá de Kendradhipatya Doṣa (o defeito de um benéfico natural ser o Senhor de um ângulo).
5. Bṛhaspati – Maléfico igualmente pelo mesmo motivo apontado para Budha Graha, Bṛhaspati sofrerá de Kendradhipatya Doṣa e, portanto, obtém o poder de causar mal. Quando ele se associa com um maléfico pelas regras citadas no Capítulo 36 de BPHS, ele dará efeitos muito inauspiciosos.
6. Śukra – Parāśara estabeleceu Śukra como um benéfico aqui porque ele governa tanto sobre um Trikoṇa (5) quanto sobre um neutro Parashraya (12). Aqui Parāśara não citou a regra de tornar um governante das casas Parashrayas (12-2-8) como passíveis de virem a causar mal ou bem conforme sua associação com outros Grahas, mas apenas levou em consideração o fato de o Mūlatrikoṇa de Śukra cair em Putra Bhāva, fazendo com que ele dê predominantemente o efeito daquele Bhāva benéfico. Aqui Śukra recebendo uma Dṛṣṭi plena de Śani, forma um Raja Yoga. O nome desta Dṛṣṭi é Sama-saptaka, o olhar do Graha diretamente sobre um planeta depositado na Rāśi oposta a que ele mesmo está depositado, ou seja, os dois lançam mútuo Dṛṣṭi. Aqui outro Raja Yoga pode ser formado pela Yuti de Śukra e Budha, uma vez que ambos atendem a condição de serem governantes de um Kendra e de um Koṇa e não governarem sobre as casas de ferimento (3-6-11).
7. Śani – Parāśara ensina que a posição de Śani é semelhante a aquela que acontece a Bṛhaspati em Meṣa. Lagna. Vimos em Meṣa Lagna que o Mūlatrikoṇa de Bṛhaspati cai no 9º Bhāva e, portanto, o maior efeito será o deste Bhāva benéfico. Igualmente, Śani tem aqui em Mithuna Lagna o seu Mūlatrikoṇa no 9º Bhāva, o que o torna auspicioso, apesar de seu governo sobre um Parashraya (neste caso Randhra Bhāva).
8. Bādhakeśa – O governante do 7º Bhāva é o obstrutor para os nascidos em Mithuna Lagna. Bṛhaspati se torna, então, o principal obstrutor e, somando o seu estado de maléfico por Senhorio sobre os Bhāvas neste Lagna, ele é o primeiro a matar e é muito mais forte para causar danos do que os planetas Mārakas.
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27-28. Grahas e Karkaṭa Lagna. Śukra e Budha são maléficos. Maṅgala, Guru e Candra são auspiciosos. Destes, Maṅgala é um yogakāraka inteiro, e ele é o doador de efeitos auspiciosos. Śani e Sūrya são Mārakas, mas são doadores de bons efeitos estando em associação com benéficos. É desta forma que os efeitos sobre os nativos em Karkaṭa (Câncer) Lagna têm de ser preditos por astrólogos instruídos.

IV – Karkaṭa Lagna:

1. Sūrya – Governa sobre Dhana Bhāva e se torna um Māraka (assassino). Entretanto, por fazer parte do grupo de casas Parashrayas (12-2-8), Sūrya é neutro. Portanto, ele será capaz de doar bons efeitos caso esteja associado com benéficos.
2. Candra – É Senhor do Lagna e benéfico por governar um Kendra e um Koṇa ao mesmo tempo. Parāśara não entra em detalhes sobre o fato de Candra ser um semi benéfico e dar resultados conforme seu Pakṣa Bala. Simplesmente o sábio considera Candra como auspicioso. Neste ponto cabe ao Astrólogo verificar todos os detalhes dados pelas regras anteriores para determinar seu poder de ação para o nativo em Karkaṭa.
3. Maṅgala – É o único planeta deste Lagna que obtém o governo sobre um Kendra (10) e um Koṇa (5) ao mesmo tempo. Se ele estiver depositado quer em um Kendra ou em um Koṇa, então ele se torna um Yogakāraka. Mas mesmo se ele não estiver assim depositado, ele será capaz de doar bons efeitos por ser um maléfico natural governando tanto sobre um Kendra quanto sobre um Koṇa1. Seu Mūlatrikoṇa sendo o 10º Bhāva dá seus efeitos plenos nos assuntos referentes a este Bhāva para a natividade.
4. Budha – Ele se torna o Governante de um Trishadayadhisha  (3) e de um Parashraya (12). Seu Mūlatrikoṇa sendo aquele do 3º Bhāva, ele se torna poderoso para causar danos mesmo sem qualquer associação e, quando em Yuti com outro maléfico, seu poder destrutivo aumenta.
5. Bṛhaspati – Parāśara classifica Bṛhaspati como auspicioso pelo fato dele governar um Trikoṇa (9). Entretanto, ele tem seu Mūlatrikoṇa em Ari Bhāva (6), uma casa de ferimento, tornando-o potencialmente maléfico. Outros autores também são da mesma opinião. Girish Chan Sharma, tradutor do BPHS, deixou uma observação quanto a isto. Sahajit Poodar classifica-o como neutro, afirmando, entretanto, que ele não causa qualquer Raja Yoga por associação com um Governante de um Kendra. Neste ponto, o Astrólogo manteve a regra para a formação de Raja Yoga, negando-lhe tal atributo.
6. Śukra – Ele sofre de Kendradhipatya Doṣa por obter o Governo sobre Bandhu Bhāva (4) e, portanto, perde o poder de doar bons efeitos. Sendo, além disso, um Governante sobre um Trishadayadhisha  (11), ele obtém malefício pleno, pois, pela ordem de ascendência, Labha Bhāva é o mais forte Bhāva de ferimento do que os outros dois.
7. Śani – Sendo o Senhor do 7º Bhāva (Māraka) e do 8º Bhāva (Parashraya) recebe o status de um assassino, mas como Parāśara mesmo afirma, quando em associação com um Graha auspicioso para os nascidos neste Lagna, ele será capaz de doar bons efeitos. Isso se dá porque ele se torna mais forte para ser neutro do que um Māraka, já que seu Mūlatrikoṇa é Kumbha, dando a ele maior força em Randhra Bhāva, um neutro por natureza. Contudo, a simples associação dele com um maléfico para os nativos de Karkaṭa será capaz de dar a ele uma natureza muito maléfica.
8. Bādhakeśa – O 11º Bhāva é o Bādhaka para os nascidos em Karkaṭa. Logo, Śukra se torna o Bādhakeśa e um parte das aflições na vida do nativo vem do sexo oposto, outra parte pelo poder que ele tem de ser um maléfico ocasional e sua associação com outros Grahas e colocação em determinados Bhāvas. Reiterando aqui que a colocação do Bādhakeśa em Vyaya Bhāva diminui seu poder, mas não o anula de todo. Para os nativos em Karkaṭa, sendo Śukra um maléfico funcional, o simples fato dele se tornar um Bādhaka para o Lagna, isso o torna poderoso para matar. Sempre é o Bādhaka o que tem mais poder para isso. Antes mesmo de se considerar os Mārakas, o Astrólogo deve observar o Planeta Bādhaka para estabelecer sua análise preditiva.
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29-30.Grahas e Siṁha Lagna. Budha, Śukra e Śani são maléficos e Maṅgala, Guru e Sūrya são benéficos. Mas Guru e Śukra não se tornam auspiciosos meramente pela virtude de estarem em yuti. Śani é o Māraka e Candra é o doador de bons efeitos se estiver em associação com algum benéfico. Estes são os efeitos que devem ser conhecidos pelos astrólogos para o nativo nascido em Siṁha Lagna.

V – Siṁha Lagna:

1. Sūrya – Benéfico porque governa unicamente sobre o Lagna que é um Kendra e um Koṇa simultaneamente. Mas se ele se encontra debilitado, ele trará problemas para o nativo em sua Daśā e subs. Esta é a opinião de alguns Astrólogos.
2. Candra – Será benéfico somente por associação com outro benéfico, pois ele se torna o governante de um Parashraya (12).
3. Maṅgala – É benéfico porque governa sobre um Kendra (4) e um Koṇa (9) ao mesmo tempo, e, conforme Parāśara, torna-se um Yogakāraka1 capaz de doar prosperidade, status, fama e realização ao nativo.
4. Budha – Ele se torna governante sobre Dhana (2) e Labha (11) Bhāvas, o primeiro um Parashraya e Māraka, e o segundo um Trishadayadhisha. Sendo o seu Mūlatrikoṇa Kanyā, ele se torna mais potencialmente neutro do que maléfico. Sua associação com outros maléficos o tornará, contudo, extremamente poderoso para causar danos. Girish Chan Sharma em sua tradução do BPHS, dá sua opinião prática e afirma que um Budha forte é extremamente auspicioso para riqueza porque ele obtém Senhorio sobre dois Bhāvas que representam as conquistas materiais.
5. Bṛhaspati – Benéfico porque, embora governando um Parashraya (8), ele obtém o seu Mūlatrikoṇa em Putra Bhāva, Casa 5, e daí seus efeitos são mais fortes para o Koṇa. A Yuti de Bṛhaspati e Śukra não formam um Yogakāraka e nem um Raja Yoga, mesmo eles sendo Senhores de Koṇas e Kendras. Isso se dá pelo fato deles governarem, simultaneamente, as Casas de Ferimento, um Trishadayadhisha e um Parashraya (3 para Śukra e 8 para Bṛhaspati), e por essa razão eles não podem formar tais Yogas.
6. Śukra – Ele se torna maléfico por governar um Trishadayadhisha (3) e lá obter o seu Mūlatrikoṇa, dando maiores efeitos como Senhor deste Bhāva do que sobre Karma Bhāva, um Kendra, seu outro domínio, e pelo qual o afeta com Kendradhipatya Doṣa. A Yuti de Bṛhaspati e Śukra não formam um Yogakāraka e nem um Raja Yoga, mesmo eles sendo Senhores de Koṇas e Kendras. Isso se dá pelo fato deles governarem, simultaneamente, as Casas de Ferimento, um Trishadayadhisha e um Parashraya (3 para Śukra e 8 para Bṛhaspati), e por essa razão eles não podem formar tais Yogas.
7. Śani – Ele se torna maléfico também pelo fato de obter domínio tanto sobre um Parashraya (6) quanto um Māraka (7), o que o torna um assassino, e quando associado com outros maléficos o faz extremamente destrutivo.
8. Bādhakeśa – O 9º Bhāva se torna o Bādhaka para as Rāśis Fixas, e daí Maṅgala deve ser considerado como um Bādhakeśa, conforme explicado no Jātaka Parijāta. Maṅgala foi assim declarado, mas porque a prática em Astrologia Preditiva contradiz essa regra repousa na colocação de Maṅgala em um Gráfico Natal. Se Maṅgala estiver debilitado e/ou em Bhāvas não auspiciosos, ele perde o seu poder benigno como doador de auspiciosidade e pode ferir o nativo. Deve-se levar em conta todas as possíveis associações para tais predições.
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31-32. Grahas e Kanyā Lagna. Maṅgala, Guru e Candra são maléficos, Budha e Śukra são benéficos e também yogakārakas. Śukra é um Māraka também e Sūrya dá efeitos por causa de sua associação. Os astrólogos devem prever estes efeitos do nativo nascido em Kanyā Lagna.

VI – Kanyā Lagna:

1. Sūrya – Depende de sua associação, devido ao fato dele obter domínio sobre Vyaya Bhāva, um Bhāva Parashraya, neutro nesta classificação e, portanto, sua colocação em determinados Bhāvas, Rāśis, bem como sua Yuti com outros Grahas será determinante para apontar o grau de seu poder de causar mal ou bem.
2. Candra – Maléfico porque obtém o Senhorio de um Trishadayadhisha (11).
3. Maṅgala – Maléfico por governar sobre um Trishadayadhisha (3) e um Parashrayas Bhāvas (2 e 8), e porque seu Mūlatrikoṇa está em Sahaja Bhāva (3), ele obtém maior poder de maléfico do que de neutro.
4. Budha – Benéfico porque obtém o Senhorio sobre o Lagna, um Kendra e um Koṇa simultaneamente, o que o torna um Yogakāraka para os Kanyā Lagna. Ele também governa sobre outro Kendra, Karma Bhāva (10). Pela regra, os benéficos naturais, quando obtêm Senhorio sobre Kendras, são afetados por Kendradhipatya Doṣa e perdem o seu poder benéfico. Mas aqui Parāśara o classifica como um benéfico, independente de seu senhorio sobre dois Kendras, devido ao fato de seu Mūlatrikoṇa cair no Lagna, que é, simultaneamente, um Kendra e um Koṇa.
5. Bṛhaspati – Maléfico porque governando sobre Bandhu Bhāva (4) e Yuvati Bhāva (7), dois Kendra, ele se torna afetado pelo Kendradhipatya Doṣa perdendo seu poder de benéfico; e por ser Yuvati Bhāva um Māraka, ele se torna um assassino para os nascidos em Kanyā Lagna. Seu poder de causar mal será tanto maior quanto for a sua associação com outros maléficos.
6. Śukra – Benéfico. Embora o Clássico de BPHS o tenha classificado como um Yogakāraka, isso não é possível pelo fato de Śukra governar sobre Dhana Bhāva (2), um Parashraya  Bhāva, tendo lá o seu Mūlatrikoṇa e o tornando, ao contrário de um benéfico, um Māraka em potencial. Entretanto, sua associação com Budha, diminui sua ação maléfica e o torna auspicioso pelo fato de Śukra obter domínio sobre um Trikoṇa. Logo em seguida Parāśara diz, “Śukra também é um assassino”. Śukra tem efeitos misturados para os nativos deste Lagna, pois Dhana Bhāva é um neutro por excelência e, devido ao fato de seu Mūlatrikoṇa estar em um Bhāva neutro, ele só será benéfico se estiver em Yuti com outro benéfico, caso contrário adquirirá poder de Māraka (assassino).
7. Śani – Parāśara não fala sobre Śani nestes versos. Sendo o Mūlatrikoṇa de Śani um Trishadayadhisha  Bhāva (6), ele se torna um maléfico em potencial e embora governe sobre um Koṇa (5), ele será mais poderoso para realizar os efeitos de Ari Bhāva. Como Senhor de Ari Bhāva (6) ele será incapaz de produzir qualquer Raja Yoga quando em qualquer associação com os Senhores dos Kendras.
8. Bādhakeśa – Sendo uma Rāśi Dual, Kanyā obtém seu signo Bādhaka sobre a 7ª, ou seja, Bṛhaspati se torna o seu Bādhakeśa. Como ele sofre de Kendradhipatya Doṣa e perde o seu poder de benéfico, além de governar sobre uma casa ao mesmo tempo Māraka e Bādhaka para os nativos deste Lagna, ele é o primeiro a causar mal.

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33-34. Grahas e Tulā Lagna. Guru, Sūrya e Maṅgala são maléficos; Śani e Budha são benéficos. Candra e Budha se tornam Kārakas de Raja Yoga. Maṅgala é Māraka e Guru adquire a qualidade ou disposição de um maléfico natural, e eles estão dotados com as características de um Māraka. Śukra é neutro, quer esteja com um benéfico ou um maléfico. Estes efeitos devem ser preditos para os nativos nascidos em Tulā Lagna.

VII – Tulā Lagna:

1. Sūrya – Maléfico porque obtém o domínio de um Trishadayadhisha  Bhāva (11) e, portanto é um doador de efeitos destrutivos.
2. Candra – Parāśara não diz se Candra se torna um benéfico ou maléfico natural. Ocorre que a condição de semi benéfico de Candra irá determinar se sua colocação em um Kendra o manchará ou não com Kendradhipatya Doṣa e o fará perder seu poder benéfico. Parāśara somente afirma que eles e torna um significador para formação de Raja Yoga pelo fato de obter seu domínio sobre um Kendra. Então cabe ao Astrólogo determinar se ele agirá como um benéfico ou maléfico conforme demais regras.
3. Maṅgala – Maléfico, pois governa sobre Dhana Bhāva (2), um Bhāva Parashraya e sobre Yuvati Bhāva (7), um Māraka. Sendo seu Mūlatrikoṇa em Meṣa, ele dará maiores efeitos como um assassino do que como um neutro.
4. Budha – Benéfico, pois governa sobre Dharma Bhāva (9), um Koṇa, e, sendo o seu segundo domínio sobre Vyaya Bhāva (12), um Parashraya  Bhāva, neutro. Embora seu Mūlatrikoṇa, Budha aqui não dará os efeitos de Vyaya Bhāva, mas de Dharma Bhāva (9), onde o seu segundo signo cai. Lembrando aqui da regra Nº 5: “Os Senhores dos Bhāvas 12-2-8 não são livres em doação de efeitos, embora neutros por esta condição... então eles darão o efeito do Governante daquele Bhāva em que o seu segundo signo cai.” Ele é, potencialmente, um formador de Raja Yoga, já que não governa sobre qualquer casa de ferimento, Trishadayadhishas (3-6-11).
5. Bṛhaspati – Maléfico, pois obtendo governo sobre o 3º e o 6º, dois Bhāvas Trishadayadhishas, ele dará efeitos destrutivos.
6. Śukra – Neutro, quer esteja com um benéfico ou um maléfico. Esta é a regra como dada por Parāśara. Vamos lembrar aqui as regras. Śukra é um benéfico natural e governa sobre um Kendra e um Koṇa ao mesmo tempo. Pelo fato de ser um benéfico natural e governar sobre um Kendra que, simultaneamente, é o seu Mūlatrikoṇa, ele fica manchado com Kendradhipatya Doṣa e perde o seu poder de benéfico. Porém, governando sobre um Koṇa, o próprio Lagna e seu Mūlatrikoṇa, ele se torna benéfico. Seu segundo domínio está em Randhra Bhāva (8), um Parashraya  Bhāva, neutro. Portanto, ele adquire neutralidade. O que quer dizer adquirir neutralidade? Significa dizer que ele não será doador nem de bons e nem de maus efeitos.
7. Śani – Benéfico, pois sendo um maléfico natural e governando sobre um Kendra e um Koṇa ao mesmo tempo, ele se torna poderoso para dar bons efeitos. Além disso, seu Mūlatrikoṇa fica em Putra Bhāva (5) e daí ele concederá maiores efeitos sobre as questões desta Casa. Ele também se torna um Yogakāraka, caso esteja depositado em um Koṇa ou em um Kendra1, conforme as regras estabelecidas por Parāśara.
8. Bādhakeśa – O 11º Bhāva funciona como um Bādhaka para os nascidos em Tulā Lagna, então, Siṁha depositado neste Bhāva tornará Sūrya o Bādhakeśa do nativo. Sua condição de maléfico é mais ainda aumentada devido a esse ponto. Sūrya, diferentemente dos demais maléficos, agirá como um obstrutor para a carreira, a profissão etc., e daí virão os obstáculos para a natividade.
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35-36. Grahas e Vṛścika Lagna. Śukra, Budha e Śani são maléficos; Guru e Candra são benéficos; Sūrya e Candra se tornam Yogakārakas. Maṅgala é neutro. Śukra e outros maléficos adquirem as características de assassinos. Estes efeitos devem ser preditos para os nativos nascidos em Vṛścika Lagna.

VIII – Vṛścika Lagna:

1. Sūrya – Apesar do texto, Sūrya é formador de Yogakāraka por obter Senhorio sobre um Kendra, não um Yogakāraka em si. Além disso, Sūrya não se torna doador direto de efeitos auspiciosos, por meramente obter governo sobre um Kendra.
2. Candra – Candra também é formador de Yogakāraka por obter Senhorio sobre um Koṇa, e não um Yogakāraka como declarado no texto, pois para isso acontecer, ele precisaria governar sobre um Kendra simultaneamente, o que não ocorre nem no caso de Sūrya e nem de Candra. O Astrólogo deve determinar seu Pakṣa Bala para verificar seu grau de malefício. Alguns afirmam que ele é auspicioso por ser Senhor sobre o Dharma Bhāva, mas o obstrutor dos nascidos em Rāśis Fixas é justamente o a 9ª casa.
3. Maṅgala – Neutro, pois governa sobre o Lagna, simultaneamente um Kendra e um Koṇa, o que lhe dá poder de auspicioso; e por governar Ari Bhāva (6), um Trishadayadhisha  Bhāva e lá ser a sua Rāśi Mūlatrikoṇa, Meṣa, o faz perder a auspiciosidade de seu domínio sobre o Lagna que o tornaria um Yogakāraka e ele se torna, então, neutro para dar efeitos segundo a sua associação.
4. Budha – Maléfico ao extremo, pois obtém seu Mūlatrikoṇa em um Trishadayadhisha  Bhāva (11). Além disso, governando um Parashraya  Bhāva, em Randhra Bhāva, para Mithuna ali colocado, pela regra, o segundo signo é que se torna o mais forte para dar seus efeitos de dotar o Graha com o poder de causar o bem ou o mal. Logo, um maléfico.
5. Bṛhaspati – Benéfico mesmo governando sobre um Parashraya  Bhāva, e não somente por ser dotado de neutralidade aqui. Veja que lá ele tem o seu Mūlatrikoṇa, e novamente aplicando a regra dos Bhāvas Parashrayas, seu segundo signo se torna o mais forte para dotar o Graha com o poder de ser benéfico ou maléfico, caso ele não esteja associado com outro Graha. Seu segundo signo é Mīna em Putra Bhāva. Caso ele esteja associado com um maléfico, não posso deixar de notar que ele perderá grande parte de doar auspiciosidade.
6. Śukra – Maléfico e Māraka, pois governa sobre um Kendra, Yuvati Bhāva (7) e, sendo ele um benéfico natural em um Kendra, será manchado pelo Kendradhipatya Doṣa e perderá seu poder auspicioso. Ele governa sobre Vyaya Bhāva (12), um Parashraya  Bhāva, e dará efeitos daquele Bhāva pelo fato de aquela Rāśi ser o seu Mūlatrikoṇa. Neste caso, além do Doṣa, o Astrólogo deve considerar o fato de que ele se torna maléfico não somente por governar Vyaya Bhāva, um neutro, que faz com que o planeta dê efeitos de acordo com sua associação, mas principalmente por ter perdido seu poder de doar auspiciosidade ao ser manchado pelo Doṣa.
7. Śani – Maléfico porque governa sobre um Parashraya  Bhāva (3) e um Kendra (4)
8. Bādhakeśa – Para as Rāśis Fixas, o 9º Bhāva se torna o Bādhaka. Portanto, Candra é o Bādhakeśa. Assim como no caso de Sūrya, Candra como Bādhakeśa age como um obstrutor para a carreira, a profissão etc., neste sentido.
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37-38. Grahas e Dhanu Lagna. Somente Śukra é maléfico. Maṅgala e Sūrya são benéficos. Sūrya e Budha são Yogakārakas, Śani é um assassino. Guru é neutro e Śukra é dotado com poderes de assassino. Estes são os efeitos conhecidos para os nativos nascidos em Dhanu Lagna.

IX – Dhanu Lagna:

1. Sūrya – Benéfico, pois governa sobre um Koṇa, Dharma Bhāva (9) e, embora Parāśara afirme que ele é um Yogakāraka, sabemos que, pelas regras, ele só pode ser formador desse Yoga, não o próprio em si.
2. Candra – Governando sobre um Parashraya Bhāva, ele se torna neutro para dar efeitos conforme sua associação.
3. Maṅgala – Benéfico, pois governa sobre Putra Bhāva (5), onde obtém o seu Mūlatrikoṇa em Meṣa ali depositado. Ao governar sobre Vyaya Bhāva, um Parashraya e, neutro por natureza. Então, sua mais forte Rāśi fará com que ele se torne um doador de auspiciosidade.
4. Budha – Por ser um benéfico natural, ao governar sobre dois Kendras (7) e (10), ele será manchado pelo Kendradhipatya Doṣa e perderá seu poder auspicioso. Entretanto, por não governar qualquer casa de ferimento, ainda assim ele se torna um formador de Yogakāraka e outros Yogas auspiciosos. Por outro lado, governando sobre Yuvati Bhāva, ele se torna um Māraka e obtém status de assassino.
5. Bṛhaspati – Neutro porque é um benéfico natural e, quando governando sobre dois Kendras (1 e 4), ele será manchado pelo Kendradhipatya Doṣa e perderá seu poder auspicioso. Entretanto, o Lagna também é um Koṇa e o tornará neutro por este fato.
6. Śukra – Maléfico, porque governa sobre Ari Bhāva (6) e Labha Bhāva (11), dois Trishadayadhisha  Bhāvas, obtendo o seu Mūlatrikoṇa em Tulā Bhāva, o mais forte dos três Bhāvas para causar mal.
7. Śani – Māraka porque governa sobre Dhana Bhāva (2), um Parashraya, e por ter seu Mūlatrikoṇa em Sahaja Bhāva (3), um Trishadayadhisha, ele obtém seu maior poder de agir como maléfico.
8. Bādhakeśa – O 7º Bhāva é o Bādhaka para os nascidos em Rāśis Duais, Dhanu Lagna neste caso e, portanto, Budha se torna o Bādhakeśa, a obstrução se dá no campo do raciocínio e do discurso.

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39-40. Grahas e Makara Lagna. Maṅgala, Guru e Candra são maléficos, enquanto Śukra e Budha são benéficos. Śani por si mesmo não é um Māraka. Maṅgala e outros maléficos causam morte ou se tornam Mārakas. Sūrya é neutro. Somente Śukra é um yogakāraka. É desta forma que os efeitos para os nascidos em Makara Lagna devem ser preditos.

X – Makara Lagna:

1. Sūrya – Neutro porque governa sobre um Parashraya, Randhra Bhāva (8 ), e então se torna maléfico ou benéfico por mera associação.
2. Candra – Maléfico porque governa sobre Yuvati Bhāva (7) e se torna aqui um Māraka para os nativos em Makara Lagna. Sendo Candra um Graha semi benéfico, se ele estiver em Śukla Pakṣa, torna-se um benéfico e, então, quando depositado em um Kendra fica manchado com Kendradhipatya Doṣa e perde seu poder de causar bem aumentando seu poder maléfico.
3. Maṅgala – Maléfico, pois governa sobre um Kendra (4), Bandhu Bhāva, e sobre um Trishadayadhisha  (11) que, pela classificação, tem maior poder de causar ferimento. Por este motivo ele não pode ser classificado como um formador de Yogakāraka ou outros Yogas auspiciosos por simplesmente governar uma casa de ferimento. Ao contrário, Parāśara inclusive o classifica como um Māraka, infligidor de morte, pelo fato dele ser um maléfico governando semelhante Bhāva e também se tornar o Bādhakeśa para tais nativos em Makara Lagna.
4. Budha – Benéfico, porque tem o seu Mūlatrikoṇa em Dharma Bhāva (9), um Koṇa, embora o seu primeiro signo caia em um Parashraya  Bhāva. Neste último caso, os Parashraya são neutros e lhe permitiria, por associação, obter o poder de causar bem ou mal por si só. Contudo, obtendo seu poder maior em Dharma Bhāva, ele agirá como um benéfico por si só.
5. Bṛhaspati – Maléfico porque governa tanto sobre Sahaja Bhāva (3), um Trishadayadhisha, quanto sobre Vyaya Bhāva (12), um Parashraya. E apesar de obter seu Mūlatrikoṇa neste último, Vyaya, por já obter poder de maléfico ao governar Sahaja, ele se torna poderoso para causar ferimento rapidamente.
6. Śukra – Benéfico porque governa sobre Putra Bhāva (5), um Koṇa, e sobre Karma Bhāva (10), um Kendra. Aqui ele se torna um Yogakāraka1 natural, caso esteja depositado em um Kendra ou em um Koṇa e também contribui para a formação de diversos Yogas auspiciosos. É o mais benéfico para os nascidos em Makara Lagna.
7. Śani – Não se torna um Māraka, conforme Parāśara, por simplesmente obter seu Mūlatrikoṇa em Kumbha em Dhana Bhāva (2). Mas pelo fato dele ser um maléfico natural e governar sobre o Lagna, que é um Kendra e um Koṇa ao mesmo tempo, ele não pode ter o poder de ferir o nativo. Então, ele continua sendo um benéfico funcional para os Makara Lagna.
8. Bādhakeśa – Sendo uma Rāśi Móvel, Makara obterá sua casa Bādhaka na 11ª contada do Lagna Natal. Então, Maṅgala se torna o seu Bādhakeśa e, portanto, o primeiro a causar a morte.
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41-42. Grahas e Kumbha Lagna. Guru, Candra e Maṅgala são maléficos, enquanto Śukra e Śani são benéficos. Śukra é o único planeta que é Raja Yoga Kāraka, enquanto Guru, Sūrya e Maṅgala são assassinos. Budha dá efeitos medianos. É desta forma que os efeitos para os nascidos em Kumbha Lagna devem ser preditos.

XI – Kumbha Lagna:

1. Sūrya – Māraka e Maléfico por obter seu senhorio em Yuvati Bhāva (7).
2. Candra – Maléfico por obter governo sobre um Trishadayadhisha, uma casa de ferimento, em Ari Bhāva (6).
3. Maṅgala – Maléfico, Māraka, porque obtém domínio sobre Trishadayadhisha, uma casa de ferimento e também o seu Mūlatrikoṇa do que por governar sobre um Karma Bhāva (10). Aqui seu poder de causar mal aumenta e ele se torna também um Māraka. Ele não pode ser formador de Yogakāraka por simplesmente governar sobre um Kendra, pois rege sobre um Trishadayadhisha que, pela regra, lhe destitui desse atributo.
4. Budha – Mediano porque obtém seu senhorio sobre dois Bhāvas, o primeiro sendo Putra Bhāva (5), um Koṇa, lhe dá poderes de efeitos auspiciosos; o segundo, sendo Randhra Bhāva (8 ), um Parashraya Bhāva e neutro por natureza, lhe dará poder de bem ou mal por associação. Como neste Bhāva se encontra seu Mūlatrikoṇa Kanyā, então ele tende a ser mais neutro do que benéfico ou maléfico. Entretanto, ele permanece como um formador de Yogakāraka e outros Yogas auspiciosos.
5. Bṛhaspati – Maléfico por obter seu governo sobre Dhana Bhāva (2) e Labha Bhāva (11). O primeiro é um Parashraya; enquanto que o segundo, um Trishadayadhisha, tornando-o o mais maléfico de todos para os nascidos em Kumbha Lagna, um Māraka igualmente.
6. Śukra – Benéfico porque governa sobre Dharma Bhāva (9), onde está seu Mūlatrikoṇa, Tulā Rāśi, dotando-o com poderes de benéfico. Sua primeira Rāśi, Vṛṣa, se encontra em Bandhu Bhāva (4), um Kendra. Sendo Śukra um benéfico natural, aqui ele fica manchado pelo Kendradhipatya Doṣa e perderia o seu poder de causar não fosse o Mūlatrikoṇa depositado em um Koṇa. Pelo fato dele governar um Kendra e um Koṇa simultaneamente e ter seu Mūlatrikoṇa em uma casa auspiciosa, Parāśara o estabeleceu como um benéfico. Śukra se torna um Yogakāraka1 se estiver depositado em um Kendra ou em um Koṇa, conforme as regras dadas por Parāśara.
7. Śani – Benéfico. Também foi classificado como um benéfico temporário pelo fato dele obter seu domínio sobre o Lagna, um Kendra e um Koṇa. Lembrando da regra de que um Maléfico Natural, ao obter senhorio sobre um Kendra e um Koṇa simultaneamente, ele passa a agir como um benéfico funcional. Além disso o Lagna é o seu Mūlatrikoṇa, Kumbha Rāśi. Śani obtém domínio sobre um Parashraya, neutro por natureza, o que não lhe impede de se tornar um formador de Yogakāraka e outros Yogas auspiciosos, assim como Budha.
8. Bādhakeśa – Kumbha é uma Rāśi Fixa e, por tanto, obtém a sua casa Bādhaka em Dharma Bhāva (9). Sabemos, contudo, que Śukra é um benéfico natural e temporário para os nascidos em Kumbha Lagna. Isso, contudo, não o impede de agir igualmente como um Bādhakeśa para os nativos. Contudo, seu poder de causar mal será diminuído consideravelmente, conforme já estudado nos Lagnas anteriores.
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43-44.  Grahas e Mīna Lagna. Śani, Śukra, Sūrya e Budha são maléficos, enquanto Maṅgala e Candra são benéficos. Maṅgala e Guru causam um yoga. Maṅgala, mesmo sendo um Māraka, não permanecerá assim. Śani e Budha serão assassinos. É desta forma que os efeitos para os nascidos em Mīna Lagna devem ser preditos.

XII – Mīna Lagna:

1. Sūrya – Maléfico porque obtém seu senhorio em Ari Bhāva (6), um Trishadayadhisha Bhāva e, portanto, capaz de causar ferimento.
2. Candra – Benéfico porque obtém seu governo temporário sobre Putra Bhāva (5), e daí Parāśara o classificou como um benéfico. Novamente faço lembrar da condição de semi benéfico deste Graha para maiores considerações sobre o seu poder de doar efeitos auspiciosos.
3. Maṅgala – Benéfico. Parāśara determinou que ele se torna um benéfico por governar sobre Dharma Bhāva (9). Levando apenas em consideração o fato dele governar um Bhāva neutro por natureza, Dhana Bhāva (2), um  Parashraya, o destituiu de poderes de assassino. Aqui devo lembrar que, embora neutro, Dhana Bhāva se torna o seu Mūlatrikoṇa, e embora governando sobre Dharma (9), ainda assim sua associação com outros maléficos aumentará o seu malefício para os nativos em Mīna Lagna.
4. Budha – Maléfico porque governa sobre dois Kendras e fica manchado com o Kendradhipatya Doṣa e perde o seu poder de Benéfico Natural para se tornar um Maléfico Temporário. Mas ainda assim ele é formador de Yogas auspiciosos por governar sobre dois Kendras.
5. Bṛhaspati – Parāśara só afirmou que ele é um formador de Yoga, não entrando em maiores detalhes. Por ser um benéfico natural governando sobre dois Kendras, obtendo assim a macha do Kendradhipatya Doṣa, ainda assim ele é benéfico para os Mīna Lagna pelo fato de o Ascendente ser tanto um Kendra quanto um Koṇa. Daí Bṛhaspati se torna um Yogakāraka, um formador de outros Yogas auspiciosos, e um grande doador de bençãos para tais nativos.
6. Śukra – Maléfico aos extremos por que governa sobre Sahaja Bhāva (3) e Randhra Bhāva (8 ); o primeiro uma casa de ferimento, e o segundo um neutro por natureza, porém o mais maléfico em sua classificação. Obtendo o seu Mūlatrikoṇa em Randhra Bhāva, ele dará maiores efeitos desta casas, e assim será grande seu poder para determinar a longevidade do nativo, doenças etc.
7. Śani – Maléfico porque obtém seu senhorio sobre Labha Bhāva (11) e Vyaya Bhāva (12), o primeiro um Trishadayadhisha e o segundo um Parashraya. Extremamente maléfico para tais nativos, Parāśara faz lembrar que ele também se torna um Māraka.
8. Bādhakeśa – A 7ª casa é Bādhaka para Rāśis Duais, portanto Budha se torna o Bādhakeśa para Mīna Lagna. Aqui ele irá obstruir o nativo no nível do discurso e raciocínio, como pelas regras de obstrução dos Bādhakeśas. Sendo um Maléfico temporário, também adquire forças de Māraka e é o primeiro a matar em nível de doador de maus efeitos ao se comparar com os Mārakas Naturais.
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BĀDHAKEŚA


A imagem do boneco aqui, um pseudo vudu, é só para lembrar que o Bādhakeśa está associado com a ação de Ābicharas, os tão temíveis Black Magics, e demais curses provenientes de ações cometidas tanto em uma vida anterior quanto nesta. A imagem faz lembrar que, dependendo da colocação deste planeta em um Gráfico, o nativo costuma atrair semelhantes circunstâncias para a sua vida. Tudo pode ser retificado, amenizado, dentro das leis kármicas já abordadas por mim mesma em outro estudo que fiz. Pseudo vudu porque ao invés dele ser perfurado por alfinetes, ele dá a entender que ele está cravejado de pedras dos Governantes Planetários, dando a ideia de cura e retificação desses males.

A ação do Bādhakeśa e de um formador de Yogas auspiciosos

Primeiramente gostaria de enfatizar aqui que nenhum Graha é maléfico ou benéfico em si mesmo, posto que são Divindades, doadores de bençãos. Mas, tal como a palavra curse é utilizada frequentemente como sinônimo de maldição quando, em si mesmo, existem fundamentos bem mais complexos para sua definição, igualmente, dizer que um planeta é maléfico ou benéfico, significa dizer que ele está apenas liberando os frutos de suas ações praticadas, quer nesta vida ou em vida passada, como guardiões das direções que favorecem ou impedem qualquer benção devido ao próprio mérito e demérito Kármico do nativo. Não há, pois, que entender a ação dos Grahas de um modo determinista e fatídico como usualmente é atribuído por alguns Astrólogos modernos e contemporâneos que não aplicam a lei do Karma senão no imediatismo do aqui e do agora, excluindo de seus estudos considerações em torno de prévios nascimentos como estudado exaustivamente em Jyotiṣa.

Os Grahas agem em 3 níveis na vida do nativo: 1. Físico; 2. Emocional, Psíquico/Mental; 3. Espiritual;

Um Bādhakeśa é um obstrutor. Ele apontará a obstrução na vida do nativo e deve ser analisado do seguinte modo. Quem (Graha) está associado ao Bādhakeśa? Quem (Graha) lança Dṛṣṭi sobre ele? Quem causa Argalā e Virodhārgalā sobre ele? Quem aquele planeta representa no mapa (em termos de Cara Kārakas)? Onde ele está colocado (tipo de obstrução causada). Para onde ele mesmo olha (Dṛṣṭi). Qual o grau de malefício dele? E assim por diante.

Chandrakant R. Bhatt, em seu livro Nakshatra Chintamani, fala: “as casas Bādhakas são mais prejudiciais do que as casas Mārakas. Assim, para a morte considere primeiramente a casa Bādhaka e, em seguida, as casas Mārakas”.

Um Planeta governante de uma casa Bādhaka, frequentemente indica que a obstrução na vida da natividade deriva de problemas Kármicos que ele traz de vida passada, o que se reflete nesta de um modo muito sofrido. Curses são frequentemente associadas à ação do Bādhakeśa, e o estudo dos Cara Kārakas são essenciais para saber qual a fonte dessa Curse, bem como a Divindade associada ao Bādhakeśa que, quando propiciada adequadamente, poderá remover todos os males. Ābicharas, ações de magia negra que o nativo atrai naturalmente nesta vida, bem como mau olhado, energias mentais nocivas etc., também são devidas às ações do Bādhakeśa. O nativo atrai para si naturalmente esse tipo de situação. Ele não precisa fazer muito, ele entrará em contato com pessoas que têm semelhante predisposição para causar mal e a pessoa irá lançar um olhado, uma maldição e até mesmo usar meios mágicos sobre ele. Simples assim. É o que se diz da lei de atração que lhe permitirá a frutificação de semelhante Karma. Isto, contudo, por tamanha complexidade, é um estudo que farei em um futuro próximo, conforme o conhecimento dado por Harihara em Praśna Mārga, um excelente Tratado que abarca todo esse conhecimento de cunho espiritual, reunindo as medidas corretivas necessárias para alívio de muitos males.

A diferença básica entre um Yogakāraka e um Bādhakeśa é exatamente o nível de atuação de ambos os planetas. Um Yogakāraka é doador de boa fortuna, status, fama e poder. E durante os períodos e sub períodos governado por ele, o nativo experimentará tais acontecimentos em sua vida.

Estudar a colocação de um Graha em um Gráfico, juntamente com suas associações (Yutis) e Dṛṣṭis (aspectos por olhar), bem como as Argalās (Śubha e Pāpa) para predizer se tais acontecimentos virão por meio de felicidade e bem aventurança (Śubhārgalā) ou juntamente com alguma perda e sofrimento (Pāpārgalā) é importante aqui.

Mesmo sendo um Yogakāraka, ou formador de Yogas auspiciosos, o Graha que funciona igualmente como um Bādhakeśa, irá causar obstruções à vida da natividade. Por que não causaria, se é esta a sua função? Novamente aqui o Astrólogo precisa estudar diversos Gráficos para entender as diferenças sutis de ação de um e mesmo Graha nos diversos aspectos da vida de um nativo. Entre causar obstrução em determinadas questões e conceder prosperidade material, existe um grande precipício que pode ser preenchido com um estudo sério e dedicado para tal entendimento correto.

Aqui finalizo o estudo sobre a diferença das ações dos Grahas em seus diversos níveis como Governantes temporário dos Bhāvas tomando como ponto de referência o Lagna.

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Observações:

1. As colocações que fiz no texto obedeceram estritamente às regras dadas por Parāśara. Agora vamos analisar quanto à prática nas notas seguintes.
2. Minhas experiências no campo da Astrologia Preditiva têm comprovado que quando um Graha obtém domínio sobre um Kendra e um Koṇa simultaneamente, mesmo que ele não ocupe um Kendra ou um Koṇa, ele dá seus maiores efeitos nas Daśās e sub Daśās sob seu governo naquele Sistema Mãe de Daśās, ou seja, a Vimśottarī Daśā, independente de qualquer outra regra que aponte a verificação do evento por meio de outros sistemas de DaśāsAssim Śani se torna um Yogakāraka para os nascidos em Vṛṣabha Lagna, bem como Maṅgala se torna para os nascidos em Karkaṭa Lagna e assim sucessivamente.
2. O Yogakāraka traz um período de prosperidade na vida do nativo. Este período tanto pode vir após alguma perda significativa, quando o Yogakāraka se encontra em Yuti com algum Governante dos Dusthānas Bhāvas (6-8-12), e/ou recebe um olhar de maléficos capazes de causar danos, quanto não. Em caso de bençãos sem qualquer perda significativa, o Yogakāraka traz a prosperidade material de modo harmonioso e tranquilo. Deve-se sempre verificar sua associação, natureza dos Bhāvas, das Rāśi e dos Grahas envolvidos com o Yogakāraka para predizer a fonte da prosperidade material.
3. Quando se forma um Raja Yoga, pela associação do Senhor de um Kendra e de um Koṇa, ou quando eles mudam de lugar, também aqui se estabelece um Yogakāraka, doador de auspiciosidade. Mas há uma sutil diferença entre este, que traz sobre o nativo a fama de um Rei, e aquele outro, governando sobre um Kendra e um Koṇa simultaneamente, e que é capaz de produzir prosperidade material em abundância.
4. Podemos perceber muitos Raja Yogas e formação de Yogakārakas nos mapas de famosos Yogīs e outros renunciantes Hindus. Essas formações de Grahas auspiciosos são indicativas de elevação do status do nativo, conferem fama, realização no mundo da matéria, e também apontam a direção da fama, do nome e do status. Mostram ainda se isto está limitado ao seu País de origem ou se atravessará as fronteiras e ganhará o mundo, se seu nome e trabalho serão esquecidos após a morte, ou se ele ecoará por gerações futuras.
5. Alguns estudos:
a. Ramakrishna Paramahansa tinha um único Raja Yoga em seu Gráfico Natal, Sūrya (Senhor de Yuvati Bhāva, um Kendra) e Budha (Senhor de Putra Bhāva, um Koṇa) e seu nome se tornou conhecido por gerações futuras. Isso porque Budha Graha também governa, em sua Carta Natal, sobre Randhra Bhāva, que manteve a longevidade de sua obra até os dias atuaisO Yogakāraka de Ramakrishna é essa Yuti de Sūrya e Budha no Lagna depositado no Lagna (um Kendra), frequentemente só considerado como um Raja Yoga. O fato dele ter abraçado o caminho da renúncia e se dedicado se deve a diversos fatores como semelhantes aos encontrados no mapa de outros Santos e Iluminados.
b. Sw. Śivānanda Sarasvatī tinha dois Raja Yogas. O primeiro formado por Candra (Governante do Lagna) com Maṅgala (Governante de Putra Bhāva e de Karma Bhāva); e o segundo formado por Śani (Governante de Yuvati e Randhra Bhāvas) com Maṅgala. Igualmente seu nome e obra ficaram conhecidos por gerações futuras. Um requisito básico para que haja fama após a morte é o envolvimento de Bhāvas relacionados à longevidade e à liberação. É o que a Análise Prática aponta.
6. Existem diversas regras para se verificar a formação de um Raja Yoga, e outras também para saber se ele sofre ou não impedimento em sua frutificação e quando e por quais meios isso se dará. A habilidade do astrólogo em lidar com esse leque de informações é que permitirá uma correta análise. Reuni nesta página diversas regras para a formação de um Raja Yoga.