Qual o Dharma (dever) de cada planeta e o que isso implica quando o planeta se encontra em MKS (māraṇa kāraka sthāna)? MKS é um estado que significa que o planeta está morto para o dharma, é uma casa de debilidade funcional, impedindo o planeta de agir benéficamente e, no caso de maléficos, tornando-o um maléfico poderoso para matar.Quando um planeta se encontra em Mārana Kāraka Sthāna (MKS), ele perde força funcional, ainda que esteja colocado em signo forte, em exaltação ou mesmo em próprio signo. Nessa condição, o graha não consegue sustentar adequadamente o seu kārakatva natural, passando a expressar seus significados de maneira invertida, distorcida ou frustrada, como se operasse contra a própria lógica interna. Por essa razão, a presença de um planeta em MKS exige remediação consciente, seja por meio de mantra, dāna, disciplina ética ou práticas alinhadas ao seu princípio essencial, pois sem esse trabalho o sofrimento tende a se repetir de forma cíclica. O amadurecimento desse planeta não é imediato: ele ocorre apenas com esforço interno contínuo e com o tempo, geralmente após experiências que obrigam o indivíduo a desenvolver consciência e responsabilidade sobre aquele tema.
Minha posição técnica é que o MKS não destrói o planeta, tampouco anula definitivamente seus significados; ao contrário, ele o força a operar contra a própria natureza, produzindo tensão, perda e sofrimento até que haja integração consciente do princípio planetário. Quando essa integração ocorre, o graha pode se tornar uma fonte de profunda maturidade e compreensão, justamente por ter sido vivido em sua forma mais exigente.
Quando um planeta se encontra em
Mārana Kāraka Sthāna (MKS), ele
pode estar inclusive em exaltação e, ainda assim, falhar na expressão adequada de seus significados. Nessa posição, o
kārakatva natural do graha tende a ser
invertido, bloqueado ou negado, fazendo com que aquilo que ele simboliza se manifeste por vias indiretas, frustradas ou contraditórias. O MKS, portanto,
exige tempo, consciência e integração, pois seus efeitos não se resolvem rapidamente nem por soluções superficiais. Não se trata de uma posição “ruim” no sentido simplista, mas de uma condição
karmicamente exigente, que impõe aprendizado profundo, maturação gradual e responsabilidade consciente sobre o princípio planetário envolvido.
NAVAGRAHA DHARMA
1. Sūrya (Sol)
O dharma de Sūrya é estabelecer a ordem, a consciência e o eixo do ser. Ele representa o princípio da autoridade legítima, da verdade e da vitalidade que sustenta a vida. No Jyotiṣa, o Sol é o portador do ātman encarnado e da capacidade de liderança moral. Seu dever é iluminar o caminho do indivíduo, definir identidade, honra e propósito. Quando Sūrya está forte, o indivíduo age com retidão e clareza; quando está enfraquecido, há perda de direção, fragilidade da vontade e conflito com figuras de autoridade. O MKS do Sol é a casa 12.
2. Candra (Lua)
O dharma de Candra é nutrir, sustentar e criar vínculos emocionais. Ela governa a mente (manas), a memória, a empatia e a sensação de pertencimento. A Lua tem a função de refletir a luz de Sūrya na experiência cotidiana, tornando a consciência algo vivível e emocionalmente integrado. Quando seu dharma é bem cumprido, há estabilidade mental e sensibilidade; quando há aflição, surgem instabilidade psíquica, dependência emocional e oscilação de humor. O MKS da Lua é a casa 8.
3. Maṅgala (Marte)
O dharma de Maṅgala é proteger, agir e defender o território do indivíduo. Marte fornece energia vital, coragem e capacidade de execução. Ele é o graha responsável pela ação direta e pela luta necessária para preservar o dharma quando este é ameaçado. Em equilíbrio, manifesta disciplina, força e assertividade; em desequilíbrio, transforma-se em agressividade, impulsividade e destruição, desviando-se de sua função protetora original. O MKS de Marte é a casa 7.
4. Budha (Mercúrio)
O dharma de Budha é mediar, comunicar e discriminar racionalmente. Ele governa o intelecto lógico, a linguagem, o comércio e as trocas simbólicas. Mercúrio tem o dever de traduzir percepções em palavras e conceitos, criando pontes entre indivíduos, ideias e sistemas. Quando fortalecido, promove clareza mental, inteligência adaptativa e negociação justa; quando afligido, produz confusão, engano e uso distorcido da palavra. O MKS de Mercúrio é a casa 4 e também a 7 (há duas fontes de informação).
5. Guru ou Bṛhaspati (Júpiter)
O dharma de Guru é ensinar, orientar e expandir a consciência. Ele representa a sabedoria, a ética, a lei divina e a transmissão do conhecimento tradicional (śāstra). Júpiter sustenta o sentido da vida, a fé e a capacidade de orientar os outros com base em princípios superiores. Quando seu dharma está ativo de forma harmônica, há crescimento moral e espiritual; quando corrompido, surgem dogmatismo, hipocrisia ou perda de significado. O MKS de Júpiter é a casa 3.
6. Śukra (Vênus)
O dharma de Śukra é harmonizar, unir e preservar a vida através do prazer consciente. Ele rege o amor, a sexualidade, a estética, a fertilidade e os valores relacionais. Vênus ensina que o desejo também é um caminho de aprendizado e refinamento. Em sua expressão elevada, promove harmonia, beleza e afeto equilibrado; em sua expressão inferior, leva ao apego excessivo, indulgência e ilusão sensorial. O MKS de Vênus é a casa 6.
7. Śani (Saturno)
O dharma de Śani é executar o karma, impor limites e promover maturidade espiritual. Saturno governa o tempo, a disciplina, a responsabilidade e a renúncia. Ele não cria sofrimento arbitrário, mas ensina através da restrição e da demora aquilo que o indivíduo precisa aprender para evoluir. Quando seu dharma é aceito, há resiliência e sabedoria prática; quando resistido, manifesta-se como medo, rigidez e sensação de bloqueio. O MKS de Saturno é a casa 1.
8. Rāhu
O dharma de Rāhu é romper padrões, intensificar o desejo e acelerar experiências kármicas. Ele atua fora da ordem convencional, provocando ambição, obsessão e transgressão. Rāhu empurra o indivíduo para o excesso a fim de revelar ilusões ocultas e forçar transformação. Seu dharma não é moral, mas evolutivo: onde atua, há crise, inovação e ruptura de estruturas antigas. O MKS de Rāhu é a casa 9.
9. Ketu
O dharma de Ketu é cortar vínculos, dissolver identificações e conduzir à libertação espiritual. Ele representa desapego, introspecção e encerramento de karmas passados. Ketu age retirando sentido do mundo material para direcionar a consciência ao silêncio interior e à busca de mokṣa. Quando bem integrado, gera intuição profunda e espiritualidade; quando mal compreendido, produz isolamento, vazio e negação da vida material. O MKS de Ketu é a casa 4.
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Publicação em 08/01/2026