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Devī Durgā




"Assim aconteceu no passado, durante o império de Manu Svāyambhuva, a deusa com o objetivo de fazer o bem aos deuses e aos seres humanos, manifestou-Se em Sua forma de dez braços para o bem estar do mundo no início do Tetrā Yuga. Assim aconteceu no Kalpa passado, exatamente da mesma forma a Deusa, para aniquilação de demônios, manifesta-Se. Em cada Kalpa existirá Rāma, Rāvaṇa e também demônios. A mesma briga acontecerá (entre os dois) e existirá o encontro dos deuses. Da mesma forma acontecerá, assim como já aconteceu entre Rāma e Rāvaṇa milhares de anos atrás; assim também a Deusa age, portanto".




"O devoto deve celebrar o Grande Festival de Durgā (Durgā Mahotsavam) no 9º dia da quinzena clara (Śukla Navamī), no outono1, com os mantras de Durgā-tantra; e o rei e outros devem oferecer sacrifícios (Bali) à Deusa. O 8º dia da quinzena clara (Kṛṣṇa Aṣṭamī) da Lua no mês de Āśvina é chamado de Mahāṣṭamī, o qual dá enorme prazer à Deusa; o 9º dia, seguinte a Aṣṭamī, é chamado de Mahānavamī, este dia é amado por Śivā (Śivā com ā longo é a Deusa) e deve ser honrado por todos.
Oh Minha Querida! Quando o sol estiver no signo de Virgem, a partir do 1º dia da quinzena brilhante (Śukla Pratipat) do mês seguinte (Aśvayuja)2, o adepto deve se alimentar somente com o que foi obtido sem pedir por ele (sem pedir pelo alimento), ou ele deve comer de noite somente, ou somente uma vez, ou ele deve tomar água apenas3; ele deve tomar seu banho de manhã; ele deve conquistar seus sentidos opostos (tal como dor e prazer), adorar Śivā três vezes ao dia, realizar Japa e Homa e alimentar donzelas.
No 6º dia (Śukla Ṣaṣṭhi) o devoto deve invocar a Deusa nos ramos de uma árvore bilva (Aegle Marmelos) e nos frutos da maior variedade de bilva (Śriphala). No 7º dia (Śukla Saptamī) ele deve colher os ramos (da árvore bilva) e adorar a Deusa neles.
O devoto deve novamente adorar a Deusa especialmente no 8º dia (Śukla Aṣṭamī); ele mesmo deve realizar o ato de despertar e de oferecer sacrifício (Bali) à meia noite.
No 9º dia (Śukla Navamī) o devoto deve oferecer inumeráveis sacrifícios (Bali) seguindo as regras prescritas; ele deve meditar na forma de dez braços da Deusa (Ugracaṇḍā) e adorá-La com os mantras de Durgā-tantra.
O mais excelente dos adeptos deve se despedir da Deusa no 10º dia5  (Śukla Daśamī) pela celebração do Śāvarotsava. Ao se despedir da Deusa, o adepto deve atuar na noite como antes."

Trechos extraídos do Kālikāpurāṇa, Capítulos 60, 61.

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E o texto prossegue, tanto narrando a História da Deusa matando o demônio6, quanto prescrevendo ritos especiais (e especificamente diferentes) para a adoração da Deusa Mahāmāyā em Sua Forma de dez braços (Ugracaṇḍā), em Sua Forma de Oito braços (Maṅgalacaṇḍī), em Sua forma de Vaiṣṇavī, em Sua Forma Bhadrakālī etc., dando detalhes de ingressos em Tithis e outros procedimentos para cada Forma de Mahāmāyā a ser adorada, juntamente com o que deve ser feito, o que deve ser oferecido e recitado durante Seu Festival.

Tabela 1 - Somente para o Ano de 2013 (click na imagem para ampliar)


Todas essas diferentes especificações são com base no aparecimento de Mahāmāyā em Suas diferentes formas no mundo. Os demais capítulos anteriores e subsequentes a estes são extremamente detalhistas e não deixam margem a qualquer dúvida sobre todos esses rituais, práticas etc., em seus meses lunares e obedecendo rigorosamente o ingresso em determinadas Tithis.


O quadro ao lado segue à risca a hora sideral. Quem faz suas injunções no Brahmā Muhūrta, não deve considerar o dia 03 como o Amāvāsya,  mas sim o dia seguinte, uma vez que o Amāvāsya e demais Tithis ingressarão já após o sandhi do entardecer. Além disso Navarātri é comemorado à noite, não no Brahmā Muhūrta. Então esses são os horários a serem respeitados, como pela tabela ao lado. O "início" a que se refere a Tabela, é a hora do ingresso naquela Tithi. Assim o Amāvāsya ingressa por volta das 22:00h do dia 03 de Outubro, devendo ser considerado, entretanto, para todos efeitos, no dia 04 de Outubro, como marcando o último dia do mês lunar anterior e o Mahālaya.


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1 – O Calendário Hindu se refere ao Outono na Índia. O mês aproximado é Setembro-Outubro em todo o mundo, o que corresponde à Primavera aqui no Brasil.
2 – O nome do mês se baseia na passagem da Lua Nova (Pūrṇimā) no Nakṣatra que dá nome ao mês. Pūrṇimā é a oposição entre Sol e Lua, ao passo que Amāvāsya é a conjunção. Isso significa dizer que durante a Lua de Pūrṇimā, Sol e Lua estão distantes 180º, estando a Terra entre eles; enquanto que no Amāvāsya, eles estão em yuti. E esta Lua Nova estará passando no Nakṣatra de Āśvinī, o que dá nome ao mês Āśvina, ou Aśvayuja. Cada mês lunar se inicia em Śukla Pratipat, a Tithi seguinte ao Amāvāsya, e dura 30 Tithis exatos. Cada Tithi não tem exatos 24 horas, mas sua duração sofre variação devido ao curso da Lua em torno da Terra, eixo de inclinação etc., e esse curso (mensal) tem a duração exata de 29.5 dias. Lembrando que o círculo tem 360º e cada mês tem 30 Tithis exatos. Dividindo a circunferência por 30 Tithis, temos então 12º para cada Tithi. Este é o Mês Lunar, em comprimento e duração. O fato de o mês Lunar não coincidir com o Solar se deve ao fato de que o Sol cobre 30º da circunferência para cada signo, o que dá 12 signos exatos por ano, de 30º cada, o que dá uma aproximação de 30 dias para cada mês solar, um conhecimento este que devo abordar em outra ocasião.
3 – No capítulo 61 a prescrição de jejum para a adoração da Deusa é retirada caso o devoto tenha filhos ou seja uma pessoa purificada em sua mente e observador de seus votos. Outras prescrições importantes podem ser verificadas diretamente neste livro e em outros que tratam da adoração Śakta.
4 – O Mahālaya que se segue à quinzena de Ptṛ Pakṣa, a quinzena dedicada à adoração dos Ancestrais, e que marca o início do Navarātri (Nava, nove; Rātri - noite).
Este é chamado de o dia da Vitória, ou Vijaya Daśamī. "Então, no 10º dia, durante o curso de Śrāvana, Hari despediu a Deusa auspiciosa, Caṇḍikā e, em seguida, para a conciliação do exército, realizou a cerimonia da purificação". Kālikāpurāṇa 60:36.
6. Uma importante retificação para a colocação dos nodos (Rāhu e Ketu) em posições críticas ao nascimento, bem como para Candra e também Śukra em posições críticas ao nascimento ou em posições críticas ao do Governante da Mahā Daśā em andamento, é a adoração de Durgā Mā juntamente com a recitação do Durgā Saptaśatī Pāṭha, Śrī Caṇḍī Pāṭha, Mṛtyuṅjaya Japa e Seus mantras. Veja aqui quando devem ser aplicadas semelhantes retificações.

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......... continua ..........


























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