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JYOTIṢA – A CIÊNCIA DA LUZ
Jyotiṣa é uma palavra com múltiplos significados. Primariamente simboliza a luz que ilumina, e isso pode ser representado pelo Sol como a fonte primária de luz.

Jyotiṣa é a Visão do Kālapuruṣa. É significado por Agni Tattva, governado pelo planeta Marte. Agni é Luz, sem Luz não se pode ver nada, pois os objetos se tornam visíveis pela luz que refletem.

Jyotiṣa é a luz que ilumina a alma e a guia através das suas sucessivas reencarnações. Ela é a bússola que ajuda o navegante a atravessar o mar de saṁsāra em segurança.
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TRADIÇÃO
Aprender astrologia védica sozinho é como tentar navegar no mar em um bote sem remos, a pessoa não chega a lugar algum e perde um precioso tempo de sua vida tentando fazer com que os retalhos de conhecimentos que ela encontrou espalhados aqui e ali, possam fazer algum sentido.
Sou praticante de astrologia desde 1993, Em 2013 fiz um curso de Jyotish no Instituto Sri Jagannath Center, Delhi, Índia, com Guruji Sanjay Rath, e desde então pratico apenas a Astrologia Védica, mais conhecida como Ciência da Luz.
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MENTORIA
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Navagraha Dharma

Qual o Dharma (dever) de cada planeta e o que isso implica quando o planeta se encontra em MKS (māraṇa kāraka sthāna)? MKS é um estado que significa que o planeta está morto para o dharma, é uma casa de debilidade funcional, impedindo o planeta de agir benéficamente e, no caso de maléficos, tornando-o um maléfico poderoso para matar.

Quando um planeta se encontra em Mārana Kāraka Sthāna (MKS), ele perde força funcional, ainda que esteja colocado em signo forte, em exaltação ou mesmo em próprio signo. Nessa condição, o graha não consegue sustentar adequadamente o seu kārakatva natural, passando a expressar seus significados de maneira invertida, distorcida ou frustrada, como se operasse contra a própria lógica interna. Por essa razão, a presença de um planeta em MKS exige remediação consciente, seja por meio de mantra, dāna, disciplina ética ou práticas alinhadas ao seu princípio essencial, pois sem esse trabalho o sofrimento tende a se repetir de forma cíclica. O amadurecimento desse planeta não é imediato: ele ocorre apenas com esforço interno contínuo e com o tempo, geralmente após experiências que obrigam o indivíduo a desenvolver consciência e responsabilidade sobre aquele tema.

Minha posição técnica é que o MKS não destrói o planeta, tampouco anula definitivamente seus significados; ao contrário, ele o força a operar contra a própria natureza, produzindo tensão, perda e sofrimento até que haja integração consciente do princípio planetário. Quando essa integração ocorre, o graha pode se tornar uma fonte de profunda maturidade e compreensão, justamente por ter sido vivido em sua forma mais exigente.

Quando um planeta se encontra em Mārana Kāraka Sthāna (MKS), ele pode estar inclusive em exaltação e, ainda assim, falhar na expressão adequada de seus significados. Nessa posição, o kārakatva natural do graha tende a ser invertido, bloqueado ou negado, fazendo com que aquilo que ele simboliza se manifeste por vias indiretas, frustradas ou contraditórias. O MKS, portanto, exige tempo, consciência e integração, pois seus efeitos não se resolvem rapidamente nem por soluções superficiais. Não se trata de uma posição “ruim” no sentido simplista, mas de uma condição karmicamente exigente, que impõe aprendizado profundo, maturação gradual e responsabilidade consciente sobre o princípio planetário envolvido.


NAVAGRAHA DHARMA


1. Sūrya (Sol)

O dharma de Sūrya é estabelecer a ordem, a consciência e o eixo do ser. Ele representa o princípio da autoridade legítima, da verdade e da vitalidade que sustenta a vida. No Jyotiṣa, o Sol é o portador do ātman encarnado e da capacidade de liderança moral. Seu dever é iluminar o caminho do indivíduo, definir identidade, honra e propósito. Quando Sūrya está forte, o indivíduo age com retidão e clareza; quando está enfraquecido, há perda de direção, fragilidade da vontade e conflito com figuras de autoridade. O MKS do Sol é a casa 12.


2. Candra (Lua)

O dharma de Candra é nutrir, sustentar e criar vínculos emocionais. Ela governa a mente (manas), a memória, a empatia e a sensação de pertencimento. A Lua tem a função de refletir a luz de Sūrya na experiência cotidiana, tornando a consciência algo vivível e emocionalmente integrado. Quando seu dharma é bem cumprido, há estabilidade mental e sensibilidade; quando há aflição, surgem instabilidade psíquica, dependência emocional e oscilação de humor. O MKS da Lua é a casa 8.


3. Maṅgala (Marte)
O dharma de Maṅgala é proteger, agir e defender o território do indivíduo. Marte fornece energia vital, coragem e capacidade de execução. Ele é o graha responsável pela ação direta e pela luta necessária para preservar o dharma quando este é ameaçado. Em equilíbrio, manifesta disciplina, força e assertividade; em desequilíbrio, transforma-se em agressividade, impulsividade e destruição, desviando-se de sua função protetora original. O MKS de Marte é a casa 7.


4. Budha (Mercúrio)

O dharma de Budha é mediar, comunicar e discriminar racionalmente. Ele governa o intelecto lógico, a linguagem, o comércio e as trocas simbólicas. Mercúrio tem o dever de traduzir percepções em palavras e conceitos, criando pontes entre indivíduos, ideias e sistemas. Quando fortalecido, promove clareza mental, inteligência adaptativa e negociação justa; quando afligido, produz confusão, engano e uso distorcido da palavra. O MKS de Mercúrio é a casa 4 e também a 7 (há duas fontes de informação).


5. Guru ou Bṛhaspati (Júpiter)

O dharma de Guru é ensinar, orientar e expandir a consciência. Ele representa a sabedoria, a ética, a lei divina e a transmissão do conhecimento tradicional (śāstra). Júpiter sustenta o sentido da vida, a fé e a capacidade de orientar os outros com base em princípios superiores. Quando seu dharma está ativo de forma harmônica, há crescimento moral e espiritual; quando corrompido, surgem dogmatismo, hipocrisia ou perda de significado. O MKS de Júpiter é a casa 3.


6. Śukra (Vênus)

O dharma de Śukra é harmonizar, unir e preservar a vida através do prazer consciente. Ele rege o amor, a sexualidade, a estética, a fertilidade e os valores relacionais. Vênus ensina que o desejo também é um caminho de aprendizado e refinamento. Em sua expressão elevada, promove harmonia, beleza e afeto equilibrado; em sua expressão inferior, leva ao apego excessivo, indulgência e ilusão sensorial. O MKS de Vênus é a casa 6.


7. Śani (Saturno)

O dharma de Śani é executar o karma, impor limites e promover maturidade espiritual. Saturno governa o tempo, a disciplina, a responsabilidade e a renúncia. Ele não cria sofrimento arbitrário, mas ensina através da restrição e da demora aquilo que o indivíduo precisa aprender para evoluir. Quando seu dharma é aceito, há resiliência e sabedoria prática; quando resistido, manifesta-se como medo, rigidez e sensação de bloqueio. O MKS de Saturno é a casa 1.


8. Rāhu

O dharma de Rāhu é romper padrões, intensificar o desejo e acelerar experiências kármicas. Ele atua fora da ordem convencional, provocando ambição, obsessão e transgressão. Rāhu empurra o indivíduo para o excesso a fim de revelar ilusões ocultas e forçar transformação. Seu dharma não é moral, mas evolutivo: onde atua, há crise, inovação e ruptura de estruturas antigas. O MKS de Rāhu é a casa 9.


9. Ketu

O dharma de Ketu é cortar vínculos, dissolver identificações e conduzir à libertação espiritual. Ele representa desapego, introspecção e encerramento de karmas passados. Ketu age retirando sentido do mundo material para direcionar a consciência ao silêncio interior e à busca de mokṣa. Quando bem integrado, gera intuição profunda e espiritualidade; quando mal compreendido, produz isolamento, vazio e negação da vida material. O MKS de Ketu é a casa 4. 


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Publicação em 08/01/2026

O Trânsito de Marte para Leão: Uma Análise Clássica à Luz dos Śāstras

Trânsito de Marte para Leão: Uma Análise Clássica à Luz dos Śāstras


Introdução

No Jyotiṣa śāstra, cada movimento planetário é cuidadosamente observado, pois altera não apenas os resultados gerais (sāmānya phala) mas também os efeitos específicos (viśeṣa phala) relacionados aos significadores (kārakas) e casas regidas. Marte (Maṅgala), como planeta ardente, tem papel crucial nos indicadores de coragem, força, irmãos, disputas, armas e conflitos. Sua passagem de Câncer para Leão em 6 de junho de 2025 às 16h45 marca uma mudança significativa de status cósmico, saindo de seu signo de debilidade (nīca) e ingressando em um signo amigo.


Marte e Sua Natureza Segundo os Clássicos

De acordo com o Bṛhat Parāśara Horā Śāstra (BPHS), Marte é quente, seco, agressivo, cheio de energia, significador de irmãos (bhrātṛ kāraka), coragem (śaurya), terras, armas, incêndios, disputas e doenças como febres e úlceras. Ele também simboliza o princípio de destruição no ciclo de criação, sustentação e dissolução.

Jaimini acrescenta que Marte, como regente natural de bhrātṛ kārakatva, também rege śatru kārakatva, ou seja, os inimigos, pois irmãos e rivais compartilham da mesma energia competitiva. Já Varāhamihira no Bṛhat Saṁhitā destaca que Marte influencia diretamente os soldados, exércitos, armas e vitórias militares.


O Estado de Debilidade e Seus Efeitos

Marte em Câncer (até 6 de junho de 2025) está em seu signo de debilidade (nīca), como ensinam Parāśara e Mantreśvara (Phaladīpikā). Quando um planeta está debilitado, seus significadores naturais sofrem: irmãos ficam enfraquecidos, a coragem vacila, os inimigos se fortalecem paradoxalmente, mas paradoxalmente quando Marte está na 6ª casa ou debilitado, os inimigos tendem a se retirar — uma nuance abordada no Praśna Mārga e no Praśna Tantra, onde Marte debilitado age como um fogo que se apaga, anulando as disputas abertas.

Além disso, o estado de nīcabhaṅga (cancelamento da debilidade) pode atenuar esses efeitos se houver certas condições, como aspectos de Júpiter ou a presença do regente do signo de exaltação em posição forte. Sem essas condições, Marte segue fraco, prejudicando os aspectos marciais na vida do nativo.


A Entrada em Leão: Uma Ascensão de Força

O ingresso em Leão, regido pelo Sol, transforma Marte de um estado debilitado para um estado de amizade natural (naisargika sambandha) e combinado (tatkālika sambandha). Conforme explicado no Bṛhat Parāśara Horā Śāstra, os planetas têm amizades naturais, mas também amizades temporárias que dependem das posições relativas no zodíaco. Marte encontra em Leão não apenas um signo amigo, mas um campo propício, pois enquanto o Sol transita por Touro e Gêmeos (casas relativas amigáveis a Leão), Marte permanece energizado. Apenas quando o Sol ingressa em Câncer, Marte experimenta uma neutralidade (sāmānya sthiti), não sendo prejudicado, mas perdendo parte do reforço recebido pela posição solar.


O Simbolismo Espiritual e Filosófico de Marte

Marte também é kāraka dos ṣaḍripus (os seis inimigos internos): kāma (desejo), krodha (ira), lobha (cobiça), moha (ilusão), mada (orgulho) e mātsarya (inveja). Conforme a tradição tântrica e iogue, Marte rege o sangue e a energia vital (ojas) e, quando em mau estado, esses inimigos internos predominam, levando o indivíduo à autodestruição. Sua passagem para Leão representa, simbolicamente, uma vitória do poder solar sobre as paixões desordenadas, pois Leão é o signo da soberania, do comando, do dharma individual.


Implicações Práticas Segundo o Praśna e os Textos Horários

No contexto da astrologia horária (praśna śāstra), Marte em signo amigo fortalece ações militares, litígios e empreendimentos ousados. O Praśna Tantra afirma que Marte bem posicionado no céu indica vitória rápida em disputas e sucesso em ações arriscadas. Já Marte debilitado, mesmo na casa 6, sugere que os inimigos não oferecem resistência, funcionando mais como vitórias sem combate do que como conquistas honrosas.



Conclusão: O trânsito de Marte de Câncer para Leão em junho de 2025, permanecendo até 28 de julho de 2025, deve ser observado com atenção, pois reativa seus significadores de maneira vigorosa, especialmente nos mapas onde Marte rege casas angulares (1, 4, 7, 10) ou trikas (6, 8, 12). A partir das descrições dos śāstras, percebemos que este movimento planetário não apenas altera as dinâmicas de conflito e coragem, mas também oferece uma oportunidade para superar os ṣaḍripus internos, simbolizando um fortalecimento tanto externo quanto espiritual.


Efeitos Gerais do Trânsito de Marte em Leão para os 12 Rāśis


Ascendente ou Lua em Áries (Meṣa):

Marte transita pela 5ª casa, ativando inteligência, filhos, criatividade e investimentos. Segundo Parāśara, o 5º trânsito de Marte favorece especulações e decisões ousadas, fortalece o romance e aumenta a disposição para empreender. É também um bom momento para assumir liderança em grupos criativos, embora haja tendência a impaciência com os filhos ou parceiros românticos.


Ascendente ou Lua em Touro (Vṛṣabha):

Marte passa pela 4ª casa, trazendo inquietação no lar, disputas familiares e tensões emocionais. Embora fortaleça assuntos imobiliários (compras, reformas, mudanças), também pode gerar irritação com mãe, professores ou autoridades femininas. O Phaladīpikā adverte que a 4ª posição de Marte tende a criar desgaste emocional e dificuldades com veículos e imóveis.


Ascendente ou Lua em Gêmeos (Mithuna):

Marte transita pela 3ª casa, um de seus trânsitos mais favoráveis segundo o Bṛhat Parāśara Horā Śāstra. Aumenta a coragem, a disposição para assumir riscos, a habilidade para lidar com irmãos, vizinhos e pequenos deslocamentos. Momento excelente para negociações, escrita, comunicação assertiva e projetos comerciais.


Ascendente ou Lua em Câncer (Karkaṭa):

Marte ocupa a 2ª casa, ativando finanças, família e discurso. Pode trazer ganhos rápidos, mas também tensões nas palavras, tornando o nativo mais agressivo ou ríspido. Os textos clássicos indicam que Marte na 2ª casa exige cautela no falar, pois a língua pode se tornar cortante, prejudicando relações familiares e financeiras.


Ascendente ou Lua em Leão (Siṁha):

Marte está no ascendente, trazendo força física, magnetismo pessoal e liderança, mas também irritabilidade e propensão a decisões impulsivas. Os śāstras alertam que Marte sobre o lagna fortalece a ousadia e a capacidade de comando, mas pode gerar confrontos se não houver controle emocional. É um período de alta energia, ideal para iniciativas pessoais.


Ascendente ou Lua em Virgem (Kanyā):

Marte passa pela 12ª casa, criando perdas, gastos, afastamentos e inquietação interna. É preciso atenção com gastos excessivos, especialmente relacionados a viagens ou prazeres sensoriais. Também pode ativar paixões ocultas e tendências a disputas secretas, conforme ensinam os tratados sobre vyaya-sthāna.


Ascendente ou Lua em Libra (Tulā):

Marte transita pela 11ª casa, fortalecendo ganhos, alianças, amizades e redes sociais. Os clássicos destacam que Marte na 11ª casa é um dos melhores trânsitos, garantindo conquistas materiais, aumento de prestígio e sucesso em esforços coordenados. Um momento para perseguir metas com assertividade.


Ascendente ou Lua em Escorpião (Vṛścika):

Marte ocupa a 10ª casa, sua karma sthāna, conferindo intensa atividade profissional, ambição e desejo de conquista. O nativo assume posições de liderança ou protagonismo no trabalho. O Phaladīpikā recomenda usar essa energia para avançar na carreira, mas alerta contra conflitos com superiores ou disputas no ambiente de trabalho.


Ascendente ou Lua em Sagitário (Dhanus):

Marte passa pela 9ª casa, ativando questões de fé, filosofia, longas viagens e relação com mestres. É um trânsito que desafia crenças estabelecidas e provoca busca por novas aventuras intelectuais ou espirituais. Segundo os textos, pode gerar tensões com figuras de autoridade moral ou acadêmica.


Ascendente ou Lua em Capricórnio (Makara):

Marte transita pela 8ª casa, tradicionalmente visto como um trânsito delicado. Ativa transformações profundas, perdas súbitas, questões ocultas e disputas sobre heranças. O nativo deve evitar confrontos diretos e redobrar a atenção com saúde e segurança, pois Marte no 8º traz riscos invisíveis.


Ascendente ou Lua em Aquário (Kumbha):

Marte ocupa a 7ª casa, intensificando paixões, relações e parcerias. Segundo os clássicos, esse trânsito gera tensões em casamentos e sociedades, podendo aumentar brigas, mas também a atração física. É um período de ajustes e necessidade de equilibrar assertividade e concessões.


Ascendente ou Lua em Peixes (Mīna):

Marte passa pela 6ª casa, um dos seus melhores trânsitos para lutas, competições e litígios. Fortalece a capacidade de enfrentar inimigos, resolver dívidas e superar doenças. É um momento para trabalhar intensamente, vencendo obstáculos através de esforço próprio.



Conclusão Geral: Este trânsito de Marte em Leão traz um fogo renovador que beneficia especialmente os signos onde Marte rege casas benéficas e onde ativa casas de crescimento (como 3, 6, 10, 11). Porém, em casas como 8, 12 ou 2, ele exige atenção para não gerar perdas ou conflitos desnecessários.




Amāvāsya

Amāvāsyā – Significado geral

No nível básico, amāvāsya (अमावास्य) é o dia em que o Sol e a Lua se encontram no mesmo grau zodiacal (saṁkramaṇa) — ou seja, conjunção — e a Lua não reflete luz.
No calendário lunar hindu (cāndra māna), isso marca o fim do ciclo lunar (kṛṣṇa pakṣa, quinzena escura) e prepara o início da fase crescente (śukla pakṣa).

O termo vem de:

  • ama (junto, próximo) + vāsya (morar, residir): “aquilo onde moram juntos”, referindo-se à união aparente de Surya e Candra.


Na visão śāstrica (textos clássicos)

Dharmashāstras (Manusmṛti, Yājñavalkya Smṛti, etc.), Amāvāsya é um dia:

  • propício para rituais ancestrais (pitṛ tarpaṇa, śrāddha);

  • considerado parvan (período liminar), limpo e adequado para oferendas (piṇḍa dāna) a espíritos e antepassados;

  • ao mesmo tempo, não recomendado para começar atividades materiais, já que o tithi carrega uma energia de vacuidade e finalização.

Purāṇas (Skanda, Matsya, Bhaviṣya Purāṇa, etc.) - Amāvāsya é exaltada como um momento em que:

  • Pitṛs (ancestrais) descem à Terra para receber oblações;

  • Śiva, Kālī, Bhairava e outros deuses de aspectos destrutivos ou transformadores são especialmente adorados;

  • Qualquer ritual (vrata, upavāsa) feito nesse dia multiplica seus méritos.

Tantras
Nos tantras, amāvāsya é:

  • noite propícia para sādhana com divindades de aspecto ugra (severo), como Kālī, Tārā, Bhairava, Durgā;

  • momento poderoso para nyāsa, mantras secretos, abhicāra (rituais de combate oculto) e práticas de vaśīkaraṇa (cativação);

  • no Kaula tantra, particularmente ligada à energia feminina (Śakti), representando a noite escura onde Śiva repousa em Śakti antes de surgir novamente no ciclo da luz.

Jyotiṣa (astrologia védica)


Amāvāsya carrega:

  • energia de rikta tithi (vazio), não auspicioso para começos mundanos;

  • excelente para meditação, práticas espirituais, encerramentos, destruição de negatividades;

  • no muhūrta, um dos dias mais sensíveis, exigindo precaução, já que a Lua representa a mente, e nesta fase ela está “morta”, com menos brilho, sugerindo confusão, apatia ou recomeço interno.


Diferenças nas linhagens hindus

Vaiṣṇava

  • Amāvāsya é menos relevante do que Ekādaśī, mas ainda assim associada a rituais para os pitṛs, jejum parcial e purificação.

  • Nos calendários vaiṣṇava de Gauḍīya (Bhaktivedānta), amāvāsyā é vista como um momento de reclusão e lembrança da transitoriedade.

Śaiva

  • Especialmente importante.

  • Muitos śaivas realizam pradosha vrata se ele coincide, ou sādhana para Śiva-Bhairava, mantras como Mahāmṛtyuñjaya, rituais de liberação karmica e remoção de obstáculos.

  • Amāvāsya também é vista como o ventre da noite cósmica, kāla garbha.

Śākta (Kālī, Durgā, Tripurā)

  • Uma das noites mais poderosas!

  • É noite de Kālī (em muitas tradições), onde rituais secretos (rahasya pūjā) são conduzidos; praticantes fazem sādhana para superar o ego, vencer medos e obter siddhis espirituais.

  • Também dia forte para abhicāra, práticas tântricas de manipulação de energias.

Smārta

  • Dia para śrāddha e tarpaṇa, propício a jejum (upavāsa), restrição de prazeres, meditação, estudos filosóficos.

  • Alguns seguem darśana pūjā (visita ao templo) para pedir bênçãos de limpeza espiritual.


Aspecto filosófico (Vedānta, Yoga)

Na perspectiva vedāntica, amāvāsyā simboliza:

  • o vazio absoluto (śūnya), onde a forma se dissolve na essência sem forma;

  • ponto do ciclo em que a manifestação recua no Absoluto.

No Yoga, é um momento de:

  • introspecção, pratyāhāra (recolhimento dos sentidos), dhyāna (meditação);

  • simboliza o vazio da mente (citta śūnya) que precede a iluminação.


Utilidade prática para astrologia (Praśna, Jyotiṣa, Divinação)

No contexto de Praśna (astrologia horária):

  • se a pergunta é feita durante amāvāsya, tradicionalmente não se consideram bons augúrios — a Lua está “cega” e não pode “ver” as casas;

  • perguntas sobre coisas ocultas, morte, perdas, renascimento espiritual, têm mais aderência neste momento.

Para divinação ritualística, amāvāsya:

  • abre portais energéticos que conectam com os mundos invisíveis (ancestrais, devas ocultos, pretas, bhūtas);

  • é usada para rituais de previsões anuais (anupūrva śānti), limpezas kármicas e pedidos de proteção.


Resumindo

Amāvāsya é um tempo de encerramento, escuridão fértil e transição, onde o impulso espiritual (não material) é favorecido. Enquanto no mundo externo parece um tempo de vazio, no mundo interno é repleto de potencial.
Os grandes sādhakas sempre reservam amāvāsyā para trabalhos internos, oferendas aos ancestrais e cultos secretos, enquanto os leigos o veem como um dia de jejum, reclusão e limpeza.


Significado Geral do Trânsito de Vênus em Áries

O Significado Geral do Trânsito de Vênus em Áries


Segundo o Bṛhat Parāśara Horā Śāstra, Vênus é um graha sāttvika, regente dos prazeres refinados, da beleza, das artes, dos relacionamentos, da diplomacia, da fertilidade e da riqueza que surge do usufruto correto. Ele tem amizade natural com Mercúrio (Budha) e Saturno (Śani), inimizade com o Sol (Sūrya) e a Lua (Candra), e neutralidade com Marte (Maṅgala) e Júpiter (Guru).

Quando Vênus ingressa em Áries, ele entra no signo regido por Marte, que, embora neutro naturalmente, carrega uma energia marcial, impulsiva, que entra em atrito com a natureza delicada e conciliadora de Vênus. Por isso, o Phaladīpikā indica que, neste signo, Vênus perde um pouco de sua suavidade e passa a operar com excesso de impulso, paixão e desejos ardentes. Para a astrologia mundial, isso significa um aumento nas tensões diplomáticas, nos conflitos amorosos, nas decisões precipitadas relacionadas a artes, estética e moda, bem como uma aceleração nos mercados de bens de luxo e entretenimento.


Efeitos por Nakṣatra em Áries


1️⃣ Aśvinī Nakṣatra (0° – 13°20’ Áries)

  • Regentes: Aśvinī Kumāras (os gêmeos divinos), de natureza rápida, curativa e pioneira.

  • Guna predominante: Rajas (movimento, desejo).

  • Simbolismo: cavalo veloz, cabeça de cavalo, início de jornada.

Efeitos mundiaisVênus em Aśvinī amplia o desejo de explorar novas tendências artísticas, de buscar prazer nas novidades e de revolucionar padrões de beleza e moda. Isso favorece lançamentos arrojados em cinema, música, artes plásticas e moda. Porém, também aumenta a instabilidade diplomática: acordos internacionais podem ser assinados com pressa, sem consideração adequada, levando a revisões futuras. No campo financeiro, gera volatilidade nos mercados de luxo, joias e bens artísticos.

Segundo os śāstras, qualquer planeta em Aśvinī tende a ser “rápido demais”, agindo antes de refletir. Vênus, aqui, pode simbolizar paixões súbitas, alianças diplomáticas repentinas, mas também rupturas repentinas, sobretudo em contextos políticos femininos e nos direitos das mulheres.


2️⃣ Bharaṇī Nakṣatra (13°20’ – 26°40’ Áries)

  • Regente: Yama (o deus da morte, regulador da moral e da disciplina).

  • Guna predominante: Tamas (inércia, transformação oculta).

  • Simbolismo: útero, feto, gestação, retenção.

Efeitos mundiaisVênus em Bharaṇī aciona o lado sombrio do desejo: apegos, possessividade, ciúmes e escândalos sexuais podem ganhar as manchetes mundiais. Também pode haver aumento das discussões sobre ética em fertilização, direitos reprodutivos, temas relacionados a aborto e maternidade. No campo financeiro, há potencial para concentração de riquezas nas mãos de poucos, gerando protestos sobre desigualdade.

Segundo o Sārāvalī, Bharaṇī é um nakṣatra de grande poder oculto e regenerativo, mas que exige cuidado moral: Vênus aqui favorece práticas artísticas e espirituais que lidam com transformação (como teatro, dança ritualística), mas, no plano político, pode trazer disputas intensas, especialmente envolvendo figuras femininas poderosas.


3️⃣ Kṛttikā Nakṣatra (26°40’ Áries – 10°00’ Touro)

  • Regente: Agni (o fogo sagrado, purificador).

  • Guna predominante: Sattva (clareza, iluminação).

  • Simbolismo: lâmina afiada, chama de fogo, corte, purificação.

Efeitos mundiaisVênus em Kṛttikā eleva as paixões a um nível quase inflamável: amores ardentes, traições públicas, disputas passionais nos altos escalões do poder. Contudo, também abre portas para purificação artística e social — por exemplo, movimentos que expõem abusos em indústrias ligadas à beleza, artes e entretenimento.

No aspecto financeiro, é uma fase boa para reestruturar indústrias ligadas ao luxo e à estética, cortando excessos e refinando produtos. Segundo os śāstras, Kṛttikā permite “cortar o que não serve mais”, e, para Vênus, isso significa abandonar padrões estéticos ultrapassados, quebrar relações diplomáticas ineficazes e renovar pactos amorosos ou comerciais.


Considerações Gerais para Astrologia Mundial


Durante o trânsito completo de Vênus em Áries, vemos:

✅ Aumento de tensões passionais nos contextos diplomáticos;
✅ Volatilidade nos setores de moda, beleza, luxo e artes;
✅ Disputas sobre direitos reprodutivos e questões femininas globais;
✅ Impulso renovador em movimentos artísticos e estéticos.

Além disso, como apontado no seu enunciado, a relação temporária (tatkālika sambandha) entre Vênus e Mercúrio ao longo de junho 2025 indica que, após Mercúrio sair de Touro (6/06/2025) e entrar em Gêmeos e depois Câncer, Vênus se sentirá “em casa inimiga” temporária, perdendo força até seu retorno triunfal a Touro, seu domicílio (29/06/2025).

Por isso, mesmo com momentos de brilho, devemos lembrar que Vênus estará transitando em um signo onde sua suavidade é desafiada pela energia marcial e onde os nakṣatras acionam forças rápidas (Aśvinī), ocultas (Bharaṇī) e cortantes (Kṛttikā). A sabedoria śāstrica recomenda, portanto, usar esses momentos para limpeza, renovação e purificação, não para excessos e indulgências.

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Efeitos para Cada Ascendente (Lagna)


Áries (Meṣa Lagna) → Vênus na 1ª casa
Charme pessoal elevado, aumento do magnetismo, desejo por beleza, roupas, luxos. Porém, risco de egocentrismo nos relacionamentos. Excelente para trabalhos criativos e artísticos.

Touro (Vṛṣabha Lagna) → Vênus na 12ª casa
Prazeres ocultos, gastos com viagens, romances secretos, tendência à fuga emocional. Bom período para retiros espirituais e artes místicas, mas cuidado com desperdício financeiro.

Gêmeos (Mithuna Lagna) → Vênus na 11ª casa
Ganhos materiais, amizades úteis, convites para eventos sociais. Excelente fase para networking, projetos artísticos coletivos, alianças diplomáticas.

Câncer (Karka Lagna) → Vênus na 10ª casa
Aumento da popularidade no trabalho, boas oportunidades profissionais. Favorece artes, design, moda e posições ligadas à estética e diplomacia. Evitar paixões no ambiente de trabalho.

Leão (Siṁha Lagna) → Vênus na 9ª casa
Viagens longas, atração por culturas estrangeiras, aventuras amorosas ligadas a espiritualidade. Ótimo para estudar filosofia, artes e espiritualidade refinada.

Virgem (Kanyā Lagna) → Vênus na 8ª casa
Paixões ocultas, transformações profundas nas relações, desejo por mistério. Período bom para regeneração emocional e estudos esotéricos, mas evite disputas financeiras conjugais.

Libra (Tulā Lagna) → Vênus na 7ª casa
Momento dourado para parcerias: amorosas e comerciais. Atração magnética, chance de novos relacionamentos ou fortalecer o casamento. Cuidado com excesso de charme gerando ciúmes.

Escorpião (Vṛścika Lagna) → Vênus na 6ª casa
Possibilidade de conflitos em relações amorosas, ciúmes, disputas. Por outro lado, pode ajudar a resolver questões jurídicas ou de saúde ligadas a estética.

Sagitário (Dhanuṣa Lagna) → Vênus na 5ª casa
Período romântico, criativo, fértil. Bom para hobbies, arte, filhos, expressões amorosas. Ótimo para artistas, performers e professores.

Capricórnio (Makara Lagna) → Vênus na 4ª casa
Aconchego no lar, desejo de decorar a casa, reconectar-se emocionalmente. Bom para investimentos imobiliários e harmonia familiar, mas cuidado com gastos excessivos.

Aquário (Kumbha Lagna) → Vênus na 3ª casa
Criatividade intelectual, desejo por aventuras curtas, romances no ambiente social. Ótimo período para comunicação artística e negociações suaves.

Peixes (Mīna Lagna) → Vênus na 2ª casa
Ganhos financeiros, beleza na fala, desejo por alimentos refinados. Bom para consolidar riquezas, mas risco de exageros em luxo e gula.


Efeitos para Cada Signo Lunar (Candra Rāśi)


Lua em Áries → Paixão, magnetismo pessoal, instabilidade emocional amorosa.
Lua em Touro → Gastos ocultos, prazer em retiros, sonhos amorosos secretos.
Lua em Gêmeos → Boas amizades, oportunidades materiais e sociais.
Lua em Câncer → Popularidade no trabalho, avanço em posições artísticas.
Lua em Leão → Viagens prazerosas, experiências espirituais ligadas ao amor.
Lua em Virgem → Transformações emocionais, paixões ocultas, renascimento afetivo.
Lua em Libra → Aumento da atração nos relacionamentos, harmonia amorosa.
Lua em Escorpião → Desafios emocionais, disputas em parcerias, atenção à saúde.
Lua em Sagitário → Fase romântica e criativa, alegria com filhos e artes.
Lua em Capricórnio → Bem-estar no lar, desejo por conforto e beleza doméstica.
Lua em Aquário → Comunicação criativa, relações com irmãos e vizinhos.
Lua em Peixes → Ganhos materiais, prazeres sensoriais, apreciação pela arte.


Considerações Clássicas:


Segundo os śāstras, mesmo que Vênus seja naturalmente benéfico, seu trânsito em Áries é marcado por certo desequilíbrio emocional, porque a energia marcial do signo inflama seus desejos, gerando impulsividade, paixões súbitas e tensões nos relacionamentos. Os efeitos devem ser sempre cruzados com a posição natal de Vênus no mapa e os daśās ativos.

Além disso, a perda de força progressiva de Vênus devido ao tatkālika sambandha quando Mercúrio mudar de signo (em junho) significa que, no plano mundial, veremos instabilidade estética e diplomática crescente, até que Vênus recupere pleno poder ao ingressar em Touro, seu signo de domicílio, em 29/06/2025.


Piśāca Doṣa

Piśāca Doṣa


Esta é uma análise elaborada e técnica, conforme os śāstras clássicos do jyotiṣa śāstra, sobre a conjunção de Marte (Maṅgala) e Ketu em Leão (Siṁha), especialmente durante o período de 6/6/2025 a 28/7/2025, cobrindo:

✅ O impacto de Marte em Leão nos três nakṣatras (Maghā, Pūrvaphālgunī, Uttaraphālgunī);
✅ O impacto de Ketu em Leão nesses mesmos nakṣatras;
✅ O significado do Piśāca Doṣa formado pela conjunção Marte-Ketu;
✅ O impacto desse trânsito para cada ascendente (Lagna) e signo lunar (Candra Rāśi).

Marte em Leão – Análise por Nakṣatra


Maghā Nakṣatra (0°–13°20’ Leão)

Marte aqui expressa domínio ancestral, orgulho, senso de poder herdado.

✅O Sārāvalī e o Phaladīpikā destacam que Marte em Maghā dá força para liderar, mas gera arrogância, impaciência e disputas familiares.
✅O nativo ou momento exibe tendência a querer provar seu valor ao clã ou à linhagem, agindo por honra.

Pūrvaphālgunī Nakṣatra (13°20’–26°40’ Leão)

✅Marte aqui combina fogo com desejo sensual: aumenta carisma, paixão, criatividade, mas gera inclinação a dramas amorosos e rivalidades no prazer.
✅Os clássicos alertam: quando Marte atravessa este nakṣatra, aumenta a busca por prazer imediato, jogos, competições românticas, muitas vezes desestabilizando alianças políticas ou familiares.

Uttaraphālgunī Nakṣatra (26°40’ Leão – 10° Virgem)

✅Marte aqui é mais disciplinado e estratégico, misturando coragem com responsabilidade.
✅Segundo os śāstras, essa posição ativa dever cívico, proteção de alianças, trabalho público. Porém, sob conjunção com Ketu, perde clareza e pode agir impulsivamente em nome de ideais.

Ketu em Leão – Análise por Nakṣatra


Maghā Nakṣatra

✅Ketu amplifica a desconexão com os valores tradicionais, rejeita a linhagem ancestral, age como espírito rebelde.
✅Os nāḍī granthas alertam para karma não resolvido com ancestrais, problemas herdados de figuras masculinas (pai, avô).

Pūrvaphālgunī Nakṣatra

✅Ketu aqui corta prazeres mundanos, gerando frustração amorosa, perdas no campo do prazer e da criatividade. Há tendência à renúncia artística ou à desilusão no romance.

Uttaraphālgunī Nakṣatra

✅Ketu quebra contratos e alianças, desfazendo uniões que pareciam sólidas. Há busca por espiritualidade, mas com risco de confusão e corte súbito em parcerias.

Piśāca Doṣa – O Que É?

Segundo o Bṛhat Parāśara Horā Śāstra e o Kalāmṛta, quando Marte e Ketu estão em conjunção, forma-se o Piśāca Doṣa — um tipo de distorção kármica ligada a obsessões, impulsos violentos, instabilidade emocional e ações motivadas por energias ocultas (piśāca = espírito faminto, entidade maléfica).

Características clássicas desse doṣa:
✅ Ações impulsivas, motivadas por raiva, ciúme ou orgulho.
✅ Dificuldades em controlar instintos agressivos ou destrutivos.
✅ Risco de acidentes, queimaduras, feridas, cortes, disputas súbitas.
✅ Interferência espiritual negativa (atração por energias densas, fantasmas, obsessões).
✅ Em mapas natais, indica karma pesado vindo de vidas passadas, especialmente relacionado a violência.

Quando esse doṣa está em trânsito, ele afeta coletivamente os temas marcados pela casa que Leão ocupa no mapa mundano e nos mapas individuais.


Trânsito do Piśāca Doṣa (6/6/2025–28/7/2025)

Agora, vamos detalhar como ele afeta cada Lagna e cada Candra Rāśi.

Impacto por Ascendente (Lagna)

Áries Lagna → Ativa a 5ª casa: tensões com filhos, riscos em romances, impulsividade criativa.
Touro Lagna → Ativa a 4ª casa: instabilidade no lar, conflitos familiares, agitação emocional.
Gêmeos Lagna → Ativa a 3ª casa: brigas com irmãos, acidentes em viagens curtas, excesso de ousadia.
Câncer Lagna → Ativa a 2ª casa: discussões familiares, risco financeiro, palavras afiadas.
Leão Lagna → Ativa o próprio lagna: crises pessoais, impulsividade, necessidade de autocontrole.
Virgem Lagna → Ativa a 12ª casa: pesadelos, perdas ocultas, interferência espiritual, gastos excessivos.
Libra Lagna → Ativa a 11ª casa: tensões com amigos, alianças rompidas, decepções em grupos.
Escorpião Lagna → Ativa a 10ª casa: desafios na carreira, disputas no trabalho, tensões com superiores.
Sagitário Lagna → Ativa a 9ª casa: crise espiritual, conflitos com gurus, problemas em viagens longas.
Capricórnio Lagna → Ativa a 8ª casa: perdas súbitas, medos ocultos, crises transformadoras.
Aquário Lagna → Ativa a 7ª casa: disputas conjugais, ciúmes, desafios em parcerias.
Peixes Lagna → Ativa a 6ª casa: aumento de inimigos, problemas de saúde, excesso de competitividade.

Impacto por Signo Lunar (Candra Rāśi)

Lua em Áries → Rompantes emocionais, cuidado com paixões súbitas.
Lua em Touro → Instabilidade emocional no lar, preocupações financeiras.
Lua em Gêmeos → Hiperatividade mental, dificuldade em manter foco.
Lua em Câncer → Medo de perdas, insegurança emocional.
Lua em Leão → Forte pressão pessoal, necessidade de reavaliar orgulho e ego.
Lua em Virgem → Sonhos perturbados, isolamento, fragilidade psíquica.
Lua em Libra → Desgastes em amizades e redes sociais.
Lua em Escorpião → Competição intensa no trabalho, alertas em reputação.
Lua em Sagitário → Crises espirituais, dúvidas existenciais.
Lua em Capricórnio → Medo de perdas, traumas antigos reaparecendo.
Lua em Aquário → Tensão nas parcerias, alianças fragilizadas.
Lua em Peixes → Problemas de saúde, vulnerabilidade a energias externas.

Considerações Finais

Esse trânsito pede atenção redobrada à impulsividade, especialmente em áreas ligadas a Leão no mapa individual. Recomenda-se:
✅ Fazer práticas espirituais protetoras (como japa de Hanumān.
✅ Evitar brigas e confrontos desnecessários;
✅ Realizar śānti karma (rituais pacificadores) se a pessoa já tiver karma natal pesado envolvendo Marte e Ketu.



Upāyas — Rituais de Cura

Upāyas —  Rituais de Cura



Na Visão Científica

Rituais  — sejam eles de tradições ocultistas, religiosas ou esotéricas — são geralmente considerados superstições do ponto de vista científico. A ciência trabalha com hipóteses testáveis, replicáveis e baseadas em evidência empírica, e os efeitos alegados da magia não atendem a esses critérios. Não há demonstração objetiva, sob condições controladas, de que rituais mágicos tenham efeitos mensuráveis no mundo físico além do psicológico ou simbólico.

No entanto, isso não significa que rituais sejam inúteis. Em muitos contextos, rituais têm valor psicológico, social ou simbólico. Eles podem:

  1. Focar a mente, ajudando a tomar decisões ou reduzir a ansiedade.
  2. Criar estrutura emocional, especialmente em momentos de transição ou crise.
  3. Reforçar crenças pessoais ou coletivas, fortalecendo identidades ou grupos.
  4. Ativar o inconsciente, funcionando como forma de autoexpressão ou introspecção.

Portanto, embora rituais mágicos não tenham eficácia comprovada em alterar eventos externos de forma sobrenatural, eles podem sim ter efeitos subjetivos reais sobre quem os pratica. Isso os coloca mais no campo da psicologia, antropologia e espiritualidade, do que da ciência natural.


Na Visão de Carl Gustav Jung

Carl Gustav Jung via os rituais como expressões fundamentais do inconsciente coletivo e instrumentos simbólicos de transformação psicológica. Para ele, rituais — especialmente os religiosos, mágicos ou iniciáticos — têm valor psíquico profundo, independentemente de sua eficácia literal.

Alguns pontos-chave da visão de Jung sobre rituais:

  1. Função simbólica: Rituais representam arquétipos — padrões universais da psique humana — e oferecem um meio de torná-los conscientes. Eles ajudam a integrar conteúdos inconscientes e facilitam processos de individuação (o desenvolvimento do self).
  2. Transição e transformação: Rituais marcam passagens importantes na vida (como nascimento, morte, puberdade, casamento), ajudando a psique a atravessar essas mudanças com sentido e coesão. Eles facilitam a adaptação a novas fases da vida.
  3. Relacionamento com o sagrado: Para Jung, o ritual pode ser uma forma de religare — de religação com o numinoso (a experiência do sagrado ou do mistério profundo da existência). Isso não depende de dogma, mas de uma experiência interior autêntica.
  4. Psicodrama do inconsciente: Rituais funcionam como um tipo de "teatro sagrado", no qual aspectos do inconsciente são representados simbolicamente. Esse dramatismo facilita a compreensão e a transformação de conteúdos psíquicos difíceis.
  5. Terapêutico: Em sua prática clínica, Jung via o valor terapêutico dos rituais — ou de formas ritualizadas de comportamento simbólico — como auxiliares na cura emocional e na integração de conflitos internos.

Para Jung, os rituais atuam principalmente no inconsciente, especialmente no inconsciente coletivo, mas também fazem uma ponte entre o inconsciente e o consciente.

Veja como essa atuação se distribui:

  1. Inconsciente coletivo: Os rituais expressam arquétipos — formas simbólicas universais que estão presentes em todas as culturas. Ao encenar essas imagens e temas (como morte, renascimento, sacrifício, união, iniciação), os rituais ativam essas estruturas profundas da psique.
  2. Inconsciente pessoal: Durante um ritual, conteúdos reprimidos ou esquecidos podem emergir simbolicamente. O ritual cria um "espaço seguro" para que esses conteúdos se expressem de forma simbólica, sem invadir a consciência de maneira destrutiva.
  3. Consciente: Embora o foco de um ritual seja simbólico e inconsciente, a sua repetição, estrutura e simbolismo podem levar à tomada de consciência. Isso ajuda na integração do inconsciente ao ego, processo central na individuação, que é o objetivo da psicologia analítica. 

Em resumo:

Para Jung, os rituais são instrumentos simbólicos que emergem do inconsciente coletivo, mobilizam conteúdos do inconsciente pessoal e, idealmente, facilitam sua integração no consciente. Eles são pontes entre as camadas profundas da psique e a vida consciente cotidiana.

Para Jung, rituais não são meras superstições: eles são linguagens simbólicas do inconsciente, essenciais para dar sentido à existência humana. Mesmo que não tenham poder mágico literal, têm um papel profundo na saúde psíquica e no crescimento espiritual.