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24 - Satyayaniya Upanishad (Śukla Yajur Veda)


24 - Satyayaniya Upanishad

  

Traduzido por:
 Prof. A. A. Ramanathan 
Publicado por:
 The Theosophical Publishing House, Chennai
Traduzido para o Português por
Uma Yoginī em seva a Śrī Śiva Mahadeva
Karen de Witt
***
Brasil – RJ
Maio/2010
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Fonte de Consulta
Vedanta Spiritual Library


Invocação

Om! Aquele (Brahma) é infinito, e este (universo) é infinito.
O infinito procede do infinito.
(Então) tomando a infinitude do infinito (universo),
Ele permanece como o infinito (Brahma) sozinho.
Om! Deixe haver Paz em mim!
Deixe haver Paz em meu ambiente!
Deixe haver Paz nas forças que atuam em mim!


1: A mente, por sis ó, é a causa da escravidão e da liberação das pessoas; (a mente) apegada aos objetos dos sentidos leva à escravidão; livre dos objetos, leva à liberação. (Assim) tem sido declarado.

2: Se aquele apego da mente de uma pessoa aos objetos dos sentidos é direcionada para Brahman, quem não deverá ser liberado da escravidão?

3: A mente (chitta), por si só, é existência mundana; daí, ela deve ser purificada com esforço. Assim como a mente é, assim ele se torna. Este é o segredo eterno.

4: Quem não conhece o Veda, não percebe aquela Unidade onipresente (Brahman); quem não conhece Brahma não atinge aquela suprema morada. Aquele que percebe que o Deus onipresente (Vishnu), o onisciente, o suporte de todos (Vasudeva) (é ele mesmo), aquele sábio, vidente da realidade, atinge o estado de sabedoria enquanto vivo (vipratvam).

5: Então, (observando nas quatros disciplinas) aqueles Brahmanas bem versados no Veda, e intocado pelos desejos, que ponderam sobre o eterno Supremo Brahman, (percebem Brahman). (Uma pessoa desejando a liberação) que é quieta, auto-subjugada, tendo renunciado todos os prazeres dos sentidos, é tolerante, bem versada nas escrituras, é conhecida como equânime, tendo descartados os desejos primários (por riqueza, esposa e filhos), e é livre de débitos (ao manes, etc.,) chegando a realizar o Atman, deve viver, observando o silêncio, em alguma fase da vida, ou como o Kutichaka (ou Paramahamsa).

6: Em seguida, entrando no final do estágio da vida (ou seja, Sannyasa), ele pode possuir cinco (pequenas) coisas (matras) como apropriado.

7: Ele deve possuir, enquanto viver, (as cinco coisas, chamadas) um triplo bastão (de bambo), um cordão sagrado, vestuário composto por uma tanga, uma funda e um anel sagrada da grama sagrada.

8: Estas cinco coisas pertencem a um asceta (da ordem de Kutichaka); (para todos os ascetas, os bens internos são cinco, chamados de “a”, “u”, “m”, bindu e o nada, constituindo o Om.) Este matra (chamado os cinco constituintes) é ouvido no Pranava (Brahman). Até o final da saída (do ar vital) o asceta não deve abandonar (os duplos cinco matras); mesmo na morte (os cinco matras externos) devem ser enterrados com ele.

9: O sinal de Vishnu (ou seja, significa levando à liberação) é dito ser duplo, o externo e o interno. Se um deles é descartado (o asceta) é, sem dúvida, caído.

10: O triplo bastão é um emblema (levando a) Vishnu; é um meio de atingir a liberação pelo aprendizado Brahmanas como ascetas. É a extinção de todas as características mundanas – assim corre o ensinamento Védico.

11-12: Em seguida, de fato, Oh, Brahmana, existe quatro tipos de ascetas, chamados Kutichaka, Bahudaka, Hamsa e Paramahamsa. Todos estes carregam os sinais de Vishnu (ou seja, eles lutam pela liberação), utilização do tufo e cordão sagrado, são puros na mente, consideram seu próprio Eu como Brahman, são atentos no culto (de Deus), na forma da pura consciência, prática de louvores murmurando e as disciplinas principais e secundárias (Yama e Niyama), são de boa conduta e (assim) se tornam elevados. Isto está declarado num verso Védico: Os ascetas Kutichaka, Bahudaka, Hamas e Paramahamsa são diferentes em seus modos de vida; todos eles possuem os sinais de Vishnu, eterna e interno, que estão sempre visíveis e invisíveis (respectivamente). Praticando os cinco atos devocionais (yajnas), tendo penetrado no Vedanta, observando os ritos (apropriados às fases da vida), recorrendo à erudição espiritual, abandonando a árvore (da vida mundana), mas com recurso à sua causa raiz (ou seja, Brahman), renunciando as suas flores (de rituais), mas desfrutando de sua (verdadeira) essência, vivendo em Vishnu (ou seja, levando a vida espiritual), deliciando-se em Vishnu, livre (de culto externo), identificando-se com Vishnu, eles percebem a onipresença de Vishnu.

13: Cultuando durante os três momentos do dia (Sandhyas), banhando-se de acordo com sua capacidade, apresentando libações de água nos manes, limpando-se (ou seja, purificando-se com água), aguardando (as deidades com orações) –estes cinco atos devocionais (o Kutichaka) deve realizar até a morte.

14: Com os dez Pranavas e as sete palavras místicas (Vyahritis), os quatro versos (quatro pés) de Gayatri, juntamente com sua “cabeça” é a oração para ser recitada durante os três Sandhyas (as 3 horas do dia).

15: A prática de yoga consiste de constante serviço devotado, de mente inclinada, a Vishnu, ao Guru; não ferindo por palavras, pensamentos e atos é o ato devocional de penitência (tapoyajna).

16: Declara-se que o ato devocional do estudo da escritura (Svadhyaya-yajna), consiste em recitar os vários Upanishads. A recitação atenta do Om oferece o (conceito do individual) Eu no fogo do (não-dual) Brahman.

17: o ato devocional de possuir sabedoria espiritual (Jnana-yajna) é para ser conhecido como o melhor de todos os yajnas. (Os Paramahamsas) têm Jnana (conhecimento verdadeiro) no (emblemático) bastão, Jnana no tufo de cabelo, e Jnana no cordão sagrado.

18: Aquele, cujo tufo de cabelo consistem de Jnana, e o cordão sagrado também daquele (Jnana), tem as características de um Brahmana – assim é a prescrição do Veda.

19: Então, na verdade, Oh, Brahmana, os monges mendicantes são os que aparecem (ou seja, sem roupa, como quando eles nasceram). Eles desejam permanecer como uma árvore, tendo ido além da paixão, ira, avareza, ilusão, falso orgulho, orgulho, inveja, desprovido de “meu”, e egoísmo; e tendo descartado honra e desonra, culpa e elogio; e quando cortado (como uma árvore) ele não deve reclamar. Assim esses homens sábios se tornam imortais aqui (neste mundo), em si, isto foi dito no verso Védico: “Tendo tomado de seus parentes e filho, com boa vontade, de não vê-los novamente, suportando os pares (de opostos, calor e frio, etc.,) e aquietados, eles devem voltar para o leste, ou norte, e prosseguir a pé.

20-22: (Equipado com) um (de água) vaso e bastão, vendo quatro côvados de terra somente diante dele, vestindo o sagrado cordão e o topete, ou permanecendo com a cabeça raspada, tendo uma família (de seu corpo somente), e recebendo esmolas do povo, sem implorar, ou implorando por sustento abertamente, tendo um vaso feito de barro, madeira, cabaça ou folhas amarradas como inicialmente previsto, e vestido com um manto de linho, seda, capim, algo remendado, pele de (veado) ou um arbusto frondoso amarrado ou desamarrado; raspando sua cabeça somente na junção das estações, sem necessidade de remover o cabelo de baixo e das axilas, e nunca o topete, ele deve residir em um local fixo por quatro meses (da estação chuvosa), durante o qual a alma interior, o Purusha onipresente (Vishnu) está dormindo (no oceano leitoso).

23: Quando (Deus, Vishnu) tem despertado (do sono), o asceta pode residir em um lugar para realizar seu trabalho (como estudo, meditação, ou Samadhi) por outros oito meses, ou ele pode ir (como um monge mendicante). (Durante a jornada) ele pode permanecer (por curtos períodos) em um templo, um barraco onde o fogo ritual é mantido, a sombra de uma árvore, ou uma caverna, sem apego e despercebido das pessoas. Ele deve ser quieto como o fogo quando o combustível se esgota, e ele não deve dar ou causar problemas a ninguém, m qualquer lugar. (Ao ver um igual, ou inferior a ele, ele não deve diminuir nem considerar qualquer um existente como diferente de si mesmo).

24: Se uma pessoa tem realizado que ele é o Atman não diferente do Eu universal, o que ele pode desejar, pois, e para cumprir qual desejo ele necessita torturar seu corpo (por vários tipos de austeridades)?

25: Um homem sábio, conhecedor desta (verdade) e, assim um conhecedor de Brahman, deve ter esta consciência. Ele não deve preocupar-se com muitas palavras; pois isto é somente tortura da linguagem.

26: Tendo discernido o conhecimento de Brahman, ele deve querer permanecer com desapego (literalmente, com a inocência de uma criança); um sábio é realizado no Atman quando ele tem sabedoria de Brahman e desapego.

27: Quando todos os desejos que se agarram ao coração têm sido derramados, então o hímen se torna imortal e desfruta da (bem aventurança de) Brahman aqui (em si).

28: Então, na verdade, Oh, Brahman, quem abandona este ascetismo o qual, é a mais elevada vida espiritual, torna-se um filho assassino, um assassino de um Brahmana, um assassino de um embrião, um grande pecador. Ele, que abandona sua vida estável pertencendo a Vishnu (ou seja, a vida espiritual em disciplina externa e interna), torna-se um ladrão, um sedutor da esposa de seu preceptor, o traiçoeiro de um amigo, um ingrato; ele é negado em todos os mundos (auspiciosos). Isto tem sido declarado no verso Védico – “Um ladrão, um bebedor de bebida alcoólica, um sedutor da esposa de seu preceptor, um traidor de seu amigo, começa a se purificar pela expiação; (mas) quem abandona o sinal de Vishnu, externo ou interno, que tinha possuído, nunca será purificado, apesar de todos os seus esforços.

29: Abandonando o sinal do culto de Vishnu, externo ou interno, quem recorre à sua fase de vida, ou nenhuma (prevista) fase em tudo, ou retorna (ao seu antigo modo de vida antes da renúncia) – para aquele grande estúpido (e para pessoas desse tipo) não existe liberação prevista até mesmo em dezenas de milhões de eternidades.

30: Abandonando todos os outros estágios de vida, um homem sábio deve viver por muito tempo na fase de vida que leva à liberação. Não existe liberação possível para aquele que caiu da fase que leva à bem-aventurança final.

31: Tendo abraçado o ascetismo, se ele não observa as leis, ele é conhecido como “caído em desgraça” (arudhachyuta) – tal é a prescrição védica.

32: Então, na verdade, Oh, Brahmana, quando (um homem sábio) abraçou nesta idade avançada a vida espiritual, pertencente a Vishnu, e permanece sem transgredir, ele se torna auto-controlado, digno de ser lembrado como auspiciosos, um (verdade) conhecedor do mundo, um conhecedor do Vedante, um conhecedor de Brahman, onisciente, auto-luminoso; ele se torna o supremo Deus Brahman, ele resgata, a partir da (miséria de) vida mundana, seus ancestrais, relações pelo casamento, (outros) parentes, colegas e amigos.

33: Quando um homem sábio renuncia ao mundo, aqueles que pertencem a sua família, tornam-se abençoados neste mundo, cem gerações antes dele e trezentas gerações depois dele.

34: As escrituras dizem que um monge mendicante muito piedoso, resgata trinta gerações de sua família depois dele, trinta gerações antes dele e trinta gerações depois daqueles que seguem (os primeiros trinta).

35: Os ensinamentos Védicos é que os ancestrais de (um homem sábio) são resgatados se forem para dizer que ele renunciou mesmo enquanto seu último suspiro permanece em sua garganta (ou seja, pouco antes da morte).

36: Daí, Oh, Brahmana, os homens sábios têm dito que o conhecimento antigo do Eu, a disciplina pertencente a Vishnu, não deve ser exposto até que se tenha realizado (o objetivo) e (aquele) para quem não estudou o Veda, que não tenha convicção no Eu, que não seja livre dos apegos, que não tenha se tornado puro, que não tenha se aproximado (para receber isto por sua própria vontade), e que não tenha feito esforços sérios (para conhecê-los). Isto foi dito no verso Védico (bem como): “Uma vez (Brahma) Vidya aproximou-se de (o Deus) Brahman e disse: “Guarda-me, eu sou seu tesouro. Não me revele a ninguém que seja invejoso, torto ou astuto. “Assim, eu serei energia potente”.

37: Esta disciplina de Atman, pertencente a Vishnu (ou seja, este conhecimento para a realização de Brahman) deve ser revelada para uma pessoa depois de um teste cuidadoso, caso ele seja de uma conduta pura, atenta, inteligente, que observa o celibato e tenha se aproximado (do Guru por sua própria vontade para receber instrução).

38: Com aqueles ascetas que foram ensinados (a escritura) por um Guru e que não o honram com palavras, pensamento e ação, o Guru não janta; semelhantemente (os ascetas bons) não comem a comida (da casa onde os de má conduta recebem esmolas). Tal é a (prescrição da) escritura.

39: O Guru é o supremo espírito de justiça (Dharma); o Guru, por si só, é o único meio (de liberação). Aquele que não honra o seu Guru, que dá (iniciação em) a única sílaba (Om, que é Brahman) tem todo o seu aprendizado das escrituras, a penitência, e a sabedoria espiritual, esvaída como água em um vaso de barro cru.

40: Quem tem suprema fé em Deus e a mesma fé em seu Guru, é um conhecedor de Brahman, que atinge a suprema bem aventurança. tal é o ensinamento do Veda. Assim (termina) o Upanishad.


Invocação

Om! Aquele (Brahma) é infinito, e este (universo) é infinito.
O infinito procede do infinito.
(Então) tomando a infinitude do infinito (universo),
Ele permanece como o infinito (Brahma) sozinho.
Om! Deixe haver Paz em mim!
Deixe haver Paz em meu ambiente!
Deixe haver Paz nas forças que atuam em mim!



Aqui termina o Satyayaniyopanishad pertencente ao Sukla-Yajur-Veda.