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29 - Yajnavalkya Upanishad (Śukla Yajur Veda)


29 - Yajnavalkya Upanishad

Traduzido por:
 Prof. A. A. Ramanathan
Publicado por:
 The Theosophical Publishing House, Chennai
Traduzido para o Português por
Uma Yoginī em seva a Śrī Śiva Mahadeva
Karen de Witt
***
Brasil – RJ
Maio/2010
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Fonte de Consulta
Vedanta Spiritual Library


Invocação

Om! Aquele (Brahma) é infinito, e este (universo) é infinito.
O infinito procede do infinito.
(Então) tomando a infinitude do infinito (universo),
Ele permanece como o infinito (Brahma) sozinho.
Om! Deixe haver Paz em mim!
Deixe haver Paz em meu ambiente!
Deixe haver Paz nas forças que atuam em mim!


1: Agora, o Rei Janaka de Videhas, respeitosamente, aproximou-se do sábio Yajnavalkya e disse: “Reverendo Senhor, exponha-me a renúncia”.

Yajnavalkya disse: “Tendo completado a fase de um estudante celibatário, uma pessoa torna-se um chefe de família. Da fase de um chefe de família ele se torna um habitante de floresta (Vanaprastha) e, em seguida, um renunciante. Ou então ele pode se tornar um monge mendicante da fase de um estudante celibatário, ou um chefe de família, ou um habitante de floresta. (Há também a provisão que) uma pessoa possa renunciar à vida mundana no mesmo dia em que o desgosto por ela desponta nele, quer ele não observe os votos (antes da fase da renúncia), ou quer ele os observe; quer ele tenha se submetido às abluções prescritas na conclusão das disciplinas de estudantes, ou quer não; quer ele seja aquele que interrompeu a manutenção do fogo ritual à morte de sua esposa (Utsannagni), ou aquele que não mantém o fogo do ritual (anagnika).

2: Alguns (doadores da lei) prescrevem o sacrifício chamado Prajapatya (do qual o Deus Brahma é a deidade dirigente, antes de abraçar a renúncia do duas vezes nascido). Mas (embora assim prescrito), ele pode não fazer. Ele deve somente realizar o sacrifício Agneyi (cuja deidade dirigente é Agni, o deus do fogo). PoisAgni é o ar vital (Prana). Desta maneira ele ajuda (reforça) o ar vital. (Então), ele deve executar o sacrifício Traidhataviya (cuja deidade dirigente é o deus Indra). Por este sacrifício, os três fluídos vitais (tornam-se forte como o fogo) chamados Sattva (sêmen), Rajas (sangue) e Tamas (o escuro).

(Tendo executado o sacrifício na forma prescrita, ele deve cheirar o fogo sagrado, recitando o seguinte mantra): “Oh, Fogo, este (ar vital) é sua fonte; como você nasceu no tempo apropriado (do ano) você coloca em esplendor. Conhecendo-o (o Atman, sua fonte derradeira) que você possa fundir (com o Prana, sua fonte). Que você possa aumentar nossa riqueza (do conhecimento transcendental)”. Assim recitando o mantra, ele deve cheirar o fogo. Assim é a fonte do fogo, este ar vital. “(Possa vocêir para o fogo (suafonte). Svaha”. Assim, por si só, o mantra diz.

3: Tendo procurado o fogo sagrado (da casa de um bem versado estudante Védico) na aldeia, ele deve ser levado para cheirar o fogo, como descrito previamente. Se ele não fizer o ritual do fogo, ele pode oferecer oblações nas águas. Pois a água é (presidida por) todos os deuses. Recitando, “Eu ofereço a oblação para todos os deuses. Svaha”, ele deve apresentar as oblações e, escolhendo (uma pequena porção) da oblação ofertada, o qual está misturada como ghee, ele deve comê-la, pois isto é benéfico. (Antes de comer a oblação ofertada, ele deve recitar) o mantra da liberação (chamado OM), o qual ele deve executar como (a essência ) dos três Vedas. Ele deve adorar Brahman (Existência, Conhecimento e Bem-aventurança) como aquele (conotado pelo OM). Cortando o tufo de cabelo e o sagrado cordão, ele deve recitar três vezes, “Eu tenho renunciado”. (O sábio real Janaka aceitou esta elucidação, dizendo), “De fato, assim é, reverenciado Yajnavalkya”.

4: (Em seguida, perguntado pelo Rei Janaka), o sábio Atri perguntou a Yajnavalkya: Como é alguém sem o cordão sagrado (pois somente através do uso que ele pode  executar rituais) um Brahmana?”

Yajnavalkya respondeu: “Isso, por si só, é seu cordão sagrado (a convicção), “Aquele (Eu refulgente) Atman (Eu sou)”. Ele deve, então, cerimonialmente, sorver água (três vezes com o mantra, “Alcance o mar, Svaha”, tendo previamente descartado seu tufo e seu cordão sagrado). Este é o método (para ser adotado por aqueles que renunciam o mundo).

5: Então, (no caso daqueles autorizados à renúncia) o monge mendicante vestindo (ocre) vestimenta desta cor, com cabeça raspada, aceitando nada (exceto comida para o sustento de seu corpo), puro, ferindo ninguém (em pensamento, palavra e ação), (austeridade) vivendo de esmola, torna-se apto para realizar Brahman. Este é o caminho dos monges mendicante. (No caso dos Kshatriyas e outros, não autorizados à renúncia, eles podem pedir a liberação) no caminho dos bravos (de quem busca a morte no campo de batalha), ou rápido (até a morte como uma disciplina), ou entrando na água (e não subir mais), ou entrar no fogo ou empreender a grande jornada (no qual eles entram em colapso por exaustão). (Para aqueles autorizados à renúncia) assim foi prescrito pelo deus Brahman; o asceta que tem renunciado o mundo (Sannyasin) seguindo este caminho, realiza Brahman. Assim (é afirmado no Vedanta). “Assim, de fato, é, reverendo Senhor, Yajnavalkya”, (apreciou o real sábio Janaka).

6: Há os sábios bem conhecidos, chamados Paramahamsas (com nos dias de outrora, os sábios) Samvartaka, Aruni, Svetaketu, Durvasas, Ribhu, Nidagha, Dattatreya, Suka, Vamadeva, Harita e outros, não usando nenhuma marca distintiva, com uma conduta além (das pessoas mundanas) e que se comportavam como se privados de seus sentidos, embora perfeitamente sanos.

7: Avesso às esposas dos outros e (desejando permanecer em) cidades e descartando tudo isto, isto é, o triplo bastão (bambo), o vaso de água, (o prato de barro) usado para uma refeição, a purificação cerimonial com água, o tufo e o cordão sagrado, interna, bem como externamente, nas águas recitando “Bhu, Svaha”, (o Paramahamsa) deve buscar o Atman).

8: Possuindo uma aparência de um recém-nascido (ou seja, nu), não afetado pelos pares (de opostos, tal como calor e frio, prazer e dor); aceitando nada (exceto esmolas, para o sustento nu), bem estabelecido no caminho da verdade de Brahman, de mente pura, recebendo esmolas na boca (literalmente no vaso da barriga), na hora prevista, a fim de sustentar a vida, tornando-se equânime em ganho ou perda (das esmolas), bebendo água do vaso da mão, ou do vaso d’água, pedindo esmolas, mas para guardar na barriga; desprovido de qualquer outro vaso; o local de bebedouro servindo como vaso d’água; abrigando-se, equânime ao ganho e à perda do mesmo, em uma residência que é livre de perturbações e é solitário (tal como) uma casa desocupada, um templo, um monte de (alto) grama (ou palheiro), um formigueiro, a sombra de uma árvore, uma cabana de oleiro, uma cabana onde o fogo ritual é mantido, o banco de areia de um rio, um bosque montanhoso, uma caverna, uma cavidade numa árvores, a proximidade de uma queda d’água, ou um pedaço de chão limpo, sem residir em um domicílio fixo; fazendo nenhum esforço (para atividade remunerada) e profundamente voltado para a erradicação das boas e das más ações – deste modo um sábio que finalmente dá seu próprio corpo no estado de renuncia é, de fato, um Paramahamsa. Assim (que foi declarado).

9: O monge mendicante que está nu (literalmente, vestido pelos pontos cardeais), cumprimenta ninguém, não tem nenhum desejo por esposa ou filho, e está acima do objetivo e do não objetivo, tornando-se o supremo Deus. Aqui estão os versos:

10: Para quem se tornou um asceta mais cedo, e que é igual a ele em características, obediência deve ser paga (por um asceta) e nunca para qualquer outro.

11: Igualmente são vistos ascetas que são descuidados, cujas mentes estão no exterior das coisas fenomenais, são portadores de histórias, ansiosos por discussões e cujas opiniões são condenadas pelos Vedas.

12: Se um asceta permanece em identidade com o mais elevado eu refulgente, Brahman, o qual está além do nome etc., então, para quem deve ele, o conhecedor do Atman, pagar obediência? Então, a atividade (de curvar-se) não deve ser feita.

13: (Se um asceta está convencido de que) o Deus Supremo tem entrado nos seres como o Eu individual, então ele pode prostrar totalmente no chão, diante de um cão, proscrito, vaca ou burro.

14: O que é possivelmente charmoso em uma mulher que é uma boneca feita de carne, em uma gaiola de membros que é movida por maquinaria e que é um conglomerado de ossos e tendões e articulações?

15: São os olhos (de uma mulher) charmosos quando nos olhamos para elas após a dissecação da pele, da carne, sangue e lágrimas? Por que, então, você se apaixona em vão?

16: Semelhantemente, Oh, sábio, é visto o colar de pérolas que brilham (adorando as mulheres) no avanço das águas do Ganga, descendo as encostas do Monte Meru.

17: Em cemitérios (situado) em locais remotos, o mesmo seio de uma mulher é comido, em virtude do rumo, por cães, como se fosse um pedaço pequeno de alimento.

18: Tendo (atraente) tranças e colocando colírio, mulheres, difíceis de tocar, mas agradáveis aos olhos estão (na verdade) as chamas do fogo do pecado e elas queimam os homens como se fossem palhas.

19: Mulheres agradáveis e cruéis são o combustível para o fogo do inferno, aquilo que inflama mesmo à distância e, embora suculento, (adorável) são desprovidas de umidade (sabor).

20: Mulheres bobas são as redes espalhadas pelo caçador chamado Cupido para enredar os corpos dos homens na forma de pássaros.

21: A mulher é a isca presa no anzol do peixe ao fio da propensão ao mal para capturar os homens na forma de peixe, que estão na lagoa mundana e que estão ativos no lodo da mente.

22: Chega de mulheres para mim, para sempre, que são os caixões fortes (para conservar) todas as jóias da maldade e são cadeias de miséria.

23: Quem tem uma mulher com ele tem desejo de prazer; onde está a possibilidade para a diversão para quem está sem mulher? Descartando a mulher, está descartando a vida mundana; deve-se ser feliz depois de abandonar a vida mundana.

24: Um filho por nascer preocupa os (seria)  pais por muito tempo; quando obtido (no útero) ele dá problema devido ao aborto ou às dores do parto.

25: Quando o garoto nasce, há a preocupação dos planos do mal, doenças etc., e, em seguida, a sua propensão ao caminho do mal. Quando investido com o cordão sagrado ele não se torna instruído e se ele se torna sábio, ele recusa casamento.

26: Na juventude, ele leva ao adultério etc., e tem (a maldição da) pobreza quando ele tem uma família. Não há fim das preocupações devido a um filho, e se ele é rico (de repente) pode morrer.

27: O (bom) asceta não tem inconstância de mãos e pés; ele não é instável em seus olhos e ele não está solto com seu discurso; conquistando seus sentidos ele se torna um com Brahman.

28: Quando uma pessoa de discriminação vê igualdade e unidade entre um inimigo, um prisioneiro e seu próprio corpo, onde está (a possibilidade de) raiva, como para os membros de seu próprio corpo?

29: Se você tiver qualquer raiva contra um executor do mal, como é que você não tem raiva contra a raiva, como ela forçosamente bloqueia (o caminho para) o dever, a riqueza, o amor e a liberação?

30: Minhas saudações à raiva contra a raiva, que bem define, entusiasmado, o seu substrato, e o qual dá uma dissipação e desperta alguém para suas falhas.

31: Onde as pessoas estão sempre dormindo, o homem de auto controle está amplamente desperto; onde eles estão vigilantes, Oh, sábio, o príncipe entre os yogues está em sono profundo. Estar convencido de que existe uma consciência aqui, que (tudo) isto é consciência, por si só, e é permeado pela consciência, que você é consciência e eu sou consciência, e todos estes mundos são da consciência.

32: Os ascetas deveriam aceitar isto, a mais elevada posição de ser um Paramahamsa, oh, melhores sábios, nada existe de mais elevado do que isto. Assim (termina) o Upanishad.


Invocação

Om! Aquele (Brahma) é infinito, e este (universo) é infinito.
O infinito procede do infinito.
(Então) tomando a infinitude do infinito (universo),
Ele permanece como o infinito (Brahma) sozinho.
Om! Deixe haver Paz em mim!
Deixe haver Paz em meu ambiente!
Deixe haver Paz nas forças que atuam em mim!

Aqui termina o Yajnavalkyopanishad pertencente ao Sukla-Yajur-Veda.