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43 - Katha Upanishad (Kṛṣṇa Yajur Veda)



43
Katha Upanishad


Traduzido por:
Swami Nikhilananda
Publicado por:
The Upanishads - A New Translation
  
Traduzido para o Português por

Uma Yoginī em seva a Śrī Śiva Mahadeva
Karen de Witt
***

Brasil – RJ
Junho/2010
___________________________

Fonte de Consulta

Vedanta Spiritual Library

Invocação


Om. Que Brahman possa proteger-nos, a ambos! Que Brahman possa conferir sobre nós o fruto do Conhecimento! Que nós possamos obter a energia para adquiri o Conhecimento! Que nós possamos estudar a revelação da Verdade! Que nós não possamos acalentar nenhum ressentimento em relação a um ao outro!

Om. Paz! Paz! Paz!

PARTE UM

CAPÍTULO I

1: Vajasravasa, desejando recompensas, executou o sacrifício Visvajit, no qual ele deu todas as suas propriedades. Ele tinha um filho chamado Nachiketa.

2-3: Quando os presentes estavam sendo distribuídos, a fé entrou no coração de Nachiketa, que era ainda um menino. Ele disse a si mesmo: Sem alegria, sem dúvida, são os mundos para o qual ele vai, quem dá vacas não pode mais beber, comer, dar leite, ou dar cria.

4: Ele disse para seu pai: Pai! Para quem você vai me dar? Ele disse isto uma segunda e uma terceira vez. Quando seu pai respondeu: Até a morte eu te darei.

5: Entre muitos eu sou o primeiro; ou, entre muitos, eu sou o meio. Mas, certamente, eu nunca sou o último. Qual o objetivo do Rei da Morte servirá meu pai hoje me dando para ele?

6: Nachiketa disse: olhe para trás e veja como ele estava com aqueles que vieram antes de nós, e observe somo ele está com aqueles que estão agora conosco. Um mortal amadurece como o milho e como o milho ele surge novamente.

7: Verdadeiramente, como fogo, um hóspede brahmin entra em uma casa; o chefe de família pacifica-o dando a ele água e assento. Traga-lhe água. Oh Rei da Morte!

8: O brahmin que mora em uma casa, jejuando, destrói aquelas tolas esperanças do chefe de família e as expectativas, a recompensa de suas relações com pessoas piedosas, o mérito de seu discurso amável, os bons resultados de seus sacrifícios e os atos benéficos e seu gado e filhos também.

9: Yama disse: Oh, Brahmin, saudações a você! Você é um hóspede venerável e tem habitado em minha casa por três noites sem comer; portanto, escolha agora três bênçãos, uma para cada noite, Oh, Brahmin! Que tudo esteja bem comigo!

10: Nachiketa disse: Oh, Querido, que Gautama possa, meu pai, ser calmo, alegre e livre de raiva contra mim! Que ele possa me reconhecer e cumprimentar-me quando eu tiver sido enviado para casa com você! Isso eu escolho como a primeira das três bênçãos.

11: Yama disse: Através de meu favor, seu pai, Auddilaki Aruni, reconhecerá você e novamente será para você como ele era antes. Depois, tendo visto você livre das garras da morte, ele irá dormir tranquilamente à noite e não terá raiva de você.

12-13: Nachiketa disse: No Mundo Celestial não existe medo algum. Você, Oh, Morte, não existe e ninguém tem medo da velhice. Deixando para trás, ambos, fome e sede, e fora do alcance da dor, todos se alegrem no Paraíso. Você conhece, Oh, Morte, o sacrifício do Fogo, o qual conduz ao Paraíso. Explica-o para mim, pois eu estou cheio de fé. Os habitantes do Paraíso atingem a imortalidade. Isto eu peço como minha segunda bênção.

14: Yama disse: Eu conheço bem o sacrifício do Fogo, o qual conduz ao Paraíso e o explicarei para você. Ouça-me. Conheça este Fogo como sendo os meios para se alcançar o Paraíso. Ele é o suporte do universo; ele está oculto nos corações dos sábios.

15: Yama, em seguida, disse-lhe sobre o Fogo, o qual é a fonte dos mundos, e como muitos os tijolos deviam ser recolhidos para o altar, e como o fogo do sacrifício devia ser aceso. Nachiketa, também, repetiu tudo o que havia sido dito. Então, Yama, satisfeito com ele, falou novamente.

16: A mais elevada essência da Morte, estando bem satisfeito, disse a Nachiketa: agora vou dar-lhe outra bênção: este fogo deve ser nomeado depois de você. Tome também de mim estes muitos colares coloridos.

17: Aquele que realizar três vezes este sacrifício Nachiketa, tendo sido instruído por três e tendo realizado seus três deveres, supera o nascimento e a morte. Tendo conhecido este Fogo nascido de Brahman, onisciente, luminoso e adorável, e realizado-o, ele alcança a paz suprema.

18: Quem, tendo conhecido os três, tendo executados três vezes o sacrifício Nachiketa, joga fora, mesmo aqui, as cadeias da morte, superando a dor e regozijando-se no Paraíso.

19: Isto, Oh, Nachiketa, é o seu Fogo do sacrifício, o qual leva ao Paraíso, e qual você tem escolhido como sua segunda bênção. As pessoas chamarão este Fogo pelo seu nome. Agora, Oh, Nachiketa, escolha a terceira bênção.

20: Nachiketa disse: Não há dúvida acerca de um homem quando ele está morto; alguns dizem que ele existe; outros que ele não existe. Isto eu gostaria de saber, ensinado por você. Esta é a minha terceira bênção.

21: Yama disse: Sobre este assunto, até mesmo os deuses antigamente tinha suas dúvidas. Isso não é fácil de compreender: a natureza de Atman é sutil. Escolha outra bênção, Oh, Nachiketa! Não me pressione. Liberte-me desta bênção.

22: Nachiketa disse: Oh, Morte, mesmo os deuses têm suas dúvidas acerta deste assunto; e você declara que não é fácil de compreender. Mas outro professor como você não pode ser encontrado e, certamente, nem outra bênção é comparável a esta.

23: Yama disse: Escolha filhos e netos que devem viver uns cem anos; escolha elefantes, cavalos, rebanhos de gado e ouro. Escolha um vasto domínio sobre a terra; viva aqui tantos anos conforme o seu desejo.

24: Se você considerar qualquer outra bênção igual àquela, escolha-a; escolha riqueza e uma longa vida. Ser o rei, Oh, Nachiketa, da terra ampla. Eu farei de você o desfrutador de todos os desejos.

25: Qualquer que seja o desejo, difícil de satisfazer neste mundo dos mortais, escolha-o como quiser: estas belas donzelas, com suas carruagens e instrumentos musicais – homens não podem obtê-las. Eu dou-as a você e eles devem estar à sua espera. Mas não me pergunte sobre a morte.

26: Nachiketa disse: Mas, Oh, Morte, estas coisas resistem somente até amanhã. Além disso, elas exaurem o vigor de todos os órgãos dos sentidos. Mesmo a vida mais longa é curta, de fato. Guarde seus cavalos, danças e músicas para si mesmo.

27: A riqueza nunca poderá fazer um homem feliz. Além disso, desde que eu vi você, certamente eu obtive riqueza; eu devo também viver tanto tempo quanto as regras. Portanto, nenhuma bênção será aceita por mim, senão aquela que eu pedi.

28: Quem, entre os mortais decadentes aqui de baixo, tendo se aproximado dos imortais sempiternos e, vindo a saber que as suas mais elevadas necessidades podem ser satisfeitas por eles, que exaltam em uma vida mais longa, depois de ter ponderado nos prazeres decorrentes da beleza e da música?

29: Diga-me, Oh, Morte, daquela Grande Futuro sobre o qual um homem tem suas dúvidas.




CAPÍTULO II



1: Yama disse: A bondade é uma coisa; o prazer, outra. Ambos eles, servindo a diferentes necessidades, amarram um homem. Eles vão bem com ele que, dos dois, toma a bondade; mas aquele que escolhe o prazer erra no final.

2: Ambos,  a bondade e o prazer,  apresentam-se para um homem. A alma calma examina-os bem, e os discrimina. Sim, ele prefere a bondade ao prazer; mas o tolo escolhe o prazer da ganância e da avareza.

3: Oh, Nachiketa, depois de ponderar bem sobre os prazeres que são, ou parecem, deliciosos, você tem renunciado a todos eles. Você não tem tomado o caminho cheio de riqueza, onde muitos homens se afundam.

4: Amplamente à parte, e levando a diferentes finalidades, são esses dois: ignorância, e o que é conhecido como Conhecimento. Eu respeito você, Oh, Nachiketa, que deseja o Conhecimento; pois nem mesmo os muitos prazeres podem seduzir você.

5: Os tolos habitam na escuridão, senão tomando-se como sábio e erudito, rondam e rondam, por vários caminhos tortuosos, como o cego conduzido por outro cego.

6: O Futuro nunca revela-se a uma pessoa desprovida de discriminação, desatenta e perplexa pela ilusão da riqueza. “Este mundo, por si só, existe”, ele pensa, “e não existe outro”. Repetidas vezes ele vem sob a minha influência.

7: Muitos existem que nem mesmo ouviram falar do Atman; embora ouvindo Dele, muitos não compreendem. Maravilhoso é o expositor e raro o ouvinte; raro, de fato, é o experimentador do Atman, ensinado por um hábil preceptor.

8: Atman, quando pensado por uma pessoa inferior, não é facilmente compreendida, porque Ele é considerado diversamente pelos disputantes. Mas quando Ele é ensinado por quem tem se tornado um com Atman, não mais pode permanecer dúvida sobre Ele. Atman é o mais sutil que o sutil, e não pode ser conhecido através de argumentos.

9: Este Conhecimento não pode ser obtido pela razão. Atman se torna fácil de compreender, Oh, querido, quando ensinado por outro. Você tem alcançado este Conhecimento agora. Você é, de fato, um homem de verdadeira resolução. Que nós possamos sempre ter um questionador como você!

10: Yama disse: Eu sei que o tesouro resultante da ação não é eterno; pois o que é eterno não pode ser obtido pelo não-eterno. No entanto, eu tenho executado o sacrifício Nachiketa com a ajuda das coisas não-eternas e alcançado esta posição, o qual é somente relativamente eterna.

11: A realização dos desejos, a fundação do universo, as recompensas dos sacrifícios, a terra onde não há medo, aquele que é adorável e grande, a morada imensa e o objetivo – tudo isto tem sido visto; e sendo sábio, você tem com firme resolução, descartado todas estas coisas.

12: O homem sábio que, por meio da concentração no Eu, realiza aquele antigo, o Único refulgente, que é difícil de ser visto, imanifesto, oculto e que habita no buddhi e repousa no corpo – ele, de fato, deixa a alegria e a tristeza muito para trás.

13: O mortal que ouviu isto e o compreendeu bem, que separou aquele Atman, a verdadeira alma do dharma, de todos os objetos físicos, e realizou a essência sutil, alegra-se, porque ele obteve o que é a causa de regozijo. A Morada de Brahman, acredito, está aberta para Nachiketa.

14: Nachiketa disse: Aquele que você vê como outro que não a justiça e a injustiça, outro que não toda esta causa e efeito, outro que não o que tem sido visto e que é para ser – diga-me sobre Aquele.

15: Yama disse: O objetivo pelo qual os Vedas declaram, pelo qual todas as austeridades visam, e pelo qual os homens desejam quando eles levam uma vida de continência, vou dizer em poucas palavras: é o OM.

16: Esta sílaba Om é, na verdade, Brahman. Esta sílaba é o Mais Elevado. Quem quer que conheça esta sílaba, obtém tudo o que deseja.

17: Este é o melhor suporte; este é o mais elevado suporte. Quem quer que conheça este suporte é adorado no mundo de Brahman.

18: o Eu conhecimento não é nascido; Ele não morre. Ele não surgiu de nada; nada surgiu Dele. Sem nascimento, eterno, perpétuo e antigo. Ele não é morto quando o corpo morre.

19: Se o assassino pensa que ele mata e se o homem morto pensa que ele está morto, nenhum destes percebe corretamente. O Eu não mata e nem é morto.

20: Atman, menor do que o menor, maior do que o maior, está escondido nos corações de todas as criaturas viventes. Um homem que está livre de desejos, contempla a majestade do Eu através da tranqüilidade dos sentidos e da mente, e torna-se livre da dor.

21: Embora ainda sentado, Ele viaja ao longe; embora deitado, Ele vai em toda parte. Quem, senão eu mesmo, pode conhecer este Atman luminoso que regozija e não regozija?

22: O homem sábio, tendo realizado o Atman como residência dentro dos órgãos impermanentes, senão o Eu incorpóreo, vasto e onipresente, não se aflige.

23: Este Atman não pode ser alcançado pelo estudo dos Vedas, ou pela inteligência, ou por muito ouvir dos livros sagrados. Ele é alcançado somente por quem Ele escolhe. Para tal, o Atman revela Sua própria forma.

24: Quem não tem primeiramente se afastado da maldade, que não é tranqüilo e moderado, e cuja mente não está em paz, não pode atingir Atman. Ele é realizado somente através do Conhecimento da Realidade.

25: Quem, então sabe onde Ele está – Ele, a quem os Brahmins e os Kshatriyas são meros alimentos e a própria morte um condimento?




CAPÍTULO III


1: Existem dois que habitam dentro do corpo, no intelecto, o supremo akasa do coração, desfrutando seguramente das recompensas de suas próprias ações. Os conhecedores de Brahman o descrevem com luz e sombra, como fazem os chefes de família que oferecem oblações nos Cinco Fogos, e também os que têm executado por três vezes o sacrifício Nachiketa.

2: Nós sabemos como executar o sacrifício Nachiketa, o qual é a ponte para os sacrificadores; e nós sabemos também que o supremo e imperecível Brahman, o qual é buscado por quem deseja atravessar para a outra margem onde não existe medo.

3: Conhecemos o atman como dono da carruagem; o corpo, a carruagem; o intelecto, o condutor da carruagem; e, a mente, as rédeas.

4: Os sentidos, eles dizem que são os cavalos; os objetos (dos sentidos), as estradas; o sábio chama o Atman unido como o corpo, os sentidos e a mente, o desfrutador.

5: Se o buddhi, estando atrelado a uma mente que está sempre distraída, perde a sua discriminação, então, os sentidos tornam-se descontrolados, como os cavalos viciosos de um cocheiro.

6: Mas, se o buddhi, estando atrelado a uma mente que está sempre restringida, ela possui discriminação e os sentidos ficam sob controle, como os bons cavalos de um cocheiro.

7: Caso o buddhi esteja atrelado a uma mente distraída, perde a sua discriminação e, portanto, sempre permanece impuro; então a alma encarnada nunca atinge o objetivo, mas entra no ciclo de nascimentos.

8: Mas, se o buddhi, estando atrelado a uma mente que é restringida, possui discriminação e, portanto, sempre permanece puro, então a alma encarnado sempre atinge aquele objetivo do qual ele não nasce novamente.

9: Um homem que tem a discriminação de seu cocheiro e detém as rédeas da mente, firmemente, chega ao fim da estrada; e aquela é a suprema posição de Vishnu.

10-11: Além dos sentidos estão os objetos; além dos objetos está a mente; além da mente, o intelecto; além do intelecto, o Grande Atman; além do Grande Atman, o Imanifesto; além do Imanifesto, o Purusha. Além do Purusha não existe nada: este o fim, o Supremo Objetivo.

12: Aquele Eu oculto em todos os seres não brilha externamente; mas Ele é visto pela visão sutil dos videntes através de seu intelectos aguçados e sutis.

13: O homem sábio deve fundir seu discurso em sua mente, e sua mente em seu intelecto. Ele deve fundir seu intelecto na Mente Cósmica e a Mente Cósmica no Eu Tranqüilo.

14: Levanta-te! Desperte! Aproxime-se o grande e instruído. Como a ponta afiada de uma navalha assim é o caminho, diz o sábio – duro de andar e difícil de atravessar.

15: Tendo realizado Atman, que é silencioso, intangível, informe, sempiterno e igualmente sem paladar, eterno e sem odor; tendo realizado Aquele que é sem início e sem fim, além do Grande e imutável, a pessoa torna-se livre das garras da morte.

16: O homem sábio que ouviu e relatou a história eterna de Nachiketa, contada pela Morte, é adorado no mundo de Brahman.

17: E aquele que, praticando o auto controle, recitar o supremo segredo em uma assembléia de Brahmins, ou em uma cerimônia pós morte, obtém recompensas infinitas. Sim, ele obtém recompensas infinitas.





*   *   *


PARTE DOIS


CAPÍTULO I


1: Yama disse: O auto existente, Senhor Supremo, infligiu um sofrimento sobre os órgãos dos sentidos aos criá-los com as tendências externas; portanto, um homem percebe somente os objetos externos com ele, e não o Eu interior. Mas uma pessoa calma, desejando a imortalidade, vê o Eu interior com os olhos fechados.

2: As crianças buscam prazeres externos e caem na rede da morte generalizada; mas as almas calmas, conhecendo o que é a inabalável Imortalidade, não cobiçam coisa alguma neste mundo incerto.

3: É através do Atman que se conhece a forma, o sabor, o cheiro, os sons, os toques e os prazeres carnais. Existe algo que permaneça desconhecido para o Atman? Isto, verdadeiramente, é Aquele.

4: É através do Atman que se percebe todos os objetos em sono, ou no estado de vigília. Realizando o vasto, onipresente Atman, a alma calma não se aflige.

5: Aquele que conhece a alma individual, o experimentador dos frutos da ação, como Atman, sempre próximo e o Senhor do passado e do futuro, não se ocultará dos outros. Isto, verdadeiramente, é Aquele.

6: Ele, na verdade, conhece Brahman, que conhece o Primeiro nascido, os descendentes da austeridade, criados antes das águas e habitando, com os elementos, na cavidade do coração. Isto, verdadeiramente, é Aquele.

7: Ele, na verdade, conhece Brahman, que conhece Aditi, a alma de todas as divindades, que nasceu na forma de Prana, que foi criado com os elementos, e que, entrando no coração, habita nele. Isto, verdadeiramente, é Aquele.

8: Agni, oculto nas duas varas de fogo, e bem guardado, como uma criança no ventre por sua mãe, é adorado dia após dia pelos homens que estão despertos e por aqueles que oferecem oblações nos sacrifícios. Isto, verdadeiramente, é Aquele.

9: Onde o sol nasce e onde ele se põem, no qual todos os devas estão contidos, e no qual ninguém pode jamais ultrapassá-lo – Isto, verdadeiramente, é Aquele.

10: O que está aqui, o mesmo está lá, e o que está lá, o mesmo está aqui. Ele vai da morte para a morte, aquele que vê qualquer diferença aqui.

11: Através da mente, por si só, Brahman é para ser realizado; então não se vê Nele qualquer multiplicidade. Ele vai da morte para a morte, aquele que vê multiplicidade Nele. Isto, verdadeiramente, é Aquele.

12: O Purusha, do tamanho de um polegar, habita no corpo. Ele é o Senhor do passado e do futuro. Após conhecê-Lo, não se oculta mais a si mesmo. Isto, verdadeiramente, é Aquele.

13: O Purusha, do tamanho de um polegar, é como a chama sem fumaça. O Senhor do passado e do futuro, Ele é o mesmo hoje e amanhã. Isto, verdadeiramente, é Aquele.

14: Como a água da chuva caindo do pico de uma montanha desce as pedras em todas as direções, mesmo assim, quem vê os atributos como diferente de Brahman, na verdade, corre atrás Dele em todas as direções.

15: Assim como a água pura derramada na água pura se torna um com ela, assim também, Oh, Gautama, acontece com o Eu do sábio que conhece.


CAPÍTULO II


1: Existe uma cidade com onze portões pertencentes ao Atman por nascer, de Consciência não distorcida. Quem meditar Nele não se aflige mais; liberado dos laços da ignorância ele se torna livre. Isto, verdadeiramente, é Aquele.

2: Ele é o sol habitando no brilhante paraíso. Ele é o ar no intervalo. Ele é o fogo habitando na terra. Ele é o hóspede habitando na casa. Ele habita nos homens, nos deuses, na verdade, no céu. Ele é nascido na água, na terra, no sacrifício, nas montanhas. Ele é a Verdade e o Grande.

3: É ele Quem envia prana para cima e Quem envia Apana para baixo. Todos os devas adoram aquele Único adorável sentado no meio.

4: Quando a alma, identificada com o corpo, e habitando nele, é arrancada do corpo, é liberada dele, o que então resta? Isto, verdadeiramente, é Aquele.

5: Nenhum mortal vive eternamente pelo prana, que sobe, nem pelo apana, que desce. Os homens vivem por algo diferente, no qual estes dois dependem.

6: Pois bem, Gautama, eu vou lhe dizer sobre este Brahman profundo e eterno, e também sobre o que acontece ao atman depois de encontrar a morte.

7: Alguns jivas entram no útero para encarnar como seres orgânicos, e alguns vão para a matéria não orgânica, de acordo com seus trabalhos e de acordo com seus conhecimentos.

8: Ele, o Purusha, que permanece desperto enquanto os órgãos dos sentidos estão adormecidos, moldando uma forma encantadora, uma após a outra, que, de fato, é Puro, aquele é Brahman, e aquele sozinho é chamado o Imortal. Todos os mundos estão contidos Nele, e ninguém pode ir além. Isto, verdadeiramente, é Aquele.

9: Assim como o mesmo fogo não dual, depois que entrou no mundo, tornou-se diferente de acordo com o que ele queima, assim também o mesmo Atman não dual, habitando em todos os seres, torna-se diferente de acordo em quem Ele entra. E Ele existe também externamente.

10: Assim como o ar não dual, depois de ter entrado no mundo, tornou-se diferente de acordo em que ele entra, assim também, o mesmo Atman não dual, habitando em todos os seres torna-se diferente de acordo em quem Ele entra. E Ele existe também externamente.

11: Assim como o sol, o qual ajuda todos os olhos a verem, não é afetado pelas manchas dos olhos ou das coisas externas revelados por ele, assim também o único Atman, habitando em todos os seres, nunca é contaminado pela miséria do mundo, estando além dele.

12: Há um Supremo Governante, o Eu íntimo de todos os seres, que faz a Sua forma manifesta. Felicidade eterna pertence ao sábio que O percebe dentro de si mesmo – não nos outros.

13: Há Um que é a Realidade eterna entre os objetos não eternos, a única verdadeira Entidade consciente ente os objetos consciente e que, embora não dual, realiza os desejos de muitos. Paz eterna pertence ao sábio que O percebe dentro de si mesmo – não nos outros.

14: Os sábios realizam aquela indescritível Alegria Suprema como “Este é Aquele”. Como eu posso realizá-Lo? O Eu é luminoso? Ele brilha, ou não?

15: O sol não brilha, nem a lua e nem as estrelas, nem os relâmpagos – pra não falar do fogo. Ele brilha, todas as coisas brilham depois Dele. Por Sua luz tudo isto está aceso.


CAPÍTULO III


1: Isto é aquela eterna Árvore Asvattha com suas raízes acima e seus ramos abaixo. Aquela raiz, na verdade, é chamada de Brilhante; Aquele é Brahman e Aquele, por si só, é o Imortal. Naquele todos os mundos estão contidos e ninguém pode ir além. Isto, verdadeiramente, é Aquele.

2: O quer que exista – em todo o universo – vibra por ter saído de Brahman, que existe como sua Base. Aquele Brahman é o grande terror, como um raio aprumado. Aqueles que O conhece, tornam-se imortais.

3: Do terror de Brahman, fogo queima; do terror Dele, o sol brilha; do terror Dele, Indra e Vayu e a Morte, o quinto, corre.

4: Se um homem é capaz de perceber Brahman aqui, antes da decadência de seu corpo, então ele está liberado; se não, ele reencarnará novamente nos mundos criados.

5: Assim como um espelho, assim no buddhi; como em um sonho, assim no Mundo dos Pais; como na água, assim Brahman é visto no Mundo dos Gandharvas; como em luz e sombra, assim no Mundo de Brahma.

6: Tendo compreendido que os sentidos têm sua origem separada e que eles são distintos de Atman, e também que o seu nascer e o seu se pôr pertencem a eles, por si só, um homem sábio na se aflige mais.

7: Além dos sentidos está a mente, ale da mente está o intelecto, mais elevado do que o intelecto está o Grande Atman, mais elevado do que o Grande Atman está o Imanifesto.

8: Além do Imanifesto está a Pessoa, o Todo Permeante e Imperceptível. Tendo percebido-O, o eu encarnado torna-se liberado e alcança a Imortalidade.

9: Sua forma não é um objeto de visão; ninguém O vê com os olhos. Pode-se conhecê-Lo quando Ele está revelado pelo intelecto livre de dúvida, e pela constante meditação. Aqueles que sabem isto tornam-se imortais.

10: Quando os cinco instrumentos do conhecimento param quietos, junto com a mente, e quando o intelecto não se move, aquilo é chamado o Estado Supremo.

11: Este, o firme Controle dos sentidos, é que é chamado yoga. É preciso, então, estar vigilante; pois o yoga pode ser ambos, benéfico e prejudicial.

12: Atman não pode ser alcançado pelo discurso, pela mente, ou pelos olhos. Como Ele pode ser percebido em qualquer outra forma que não pela afirmação de quem diz: “Ele é”?

13: Ele é para ser percebido, primeiramente, como Existência limitada pelos upadhis e, em seguida, em Sua natureza verdadeira transcendental. Destes dois aspectos, Atman percebido como Existência leva o conhecedor à realização de Sua verdadeira natureza.

14: Quando todos os desejos que habitam no coração são retirados, então o mortal torna-se imortal, e aqui ele alcança Brahman.

15: Quando todos os laços do coração são decepados aqui na terra, então o mortal torna-se imortal. Isto, por si só, é o grande ensinamento.

16: Existem mil e uma artérias do coração, uma das quais penetra a coroa da cabeça. Subindo por ela, um homem à morte alcança a imortalidade. Mas quando seu prana passa por outras artérias, indo em diferentes direções, então ele renasce no mundo.

17: O Purusha, não maior do que um polegar, o Eu interior, sempre habita no coração dos homens. Deixe um separá-Lo de seu corpo com firmeza, como se separa a haste de uma folha de grama. Deixe-o conhecer aquele Eu como o Esplendor, como o Imortal – sim, como o Esplendor, como o Imortal.

18: Tendo recebido essa sabedoria, ensinada pelo Rei da Morte, e todo o processo de yoga, Nachiketa tornou-se livre das impurezas e da morte, e alcançou Brahman. Assim será com qualquer outro que conhecer, por este meio, o Eu mais profundo.


Canção da Paz

Om. Que Brahman possa proteger-nos, a ambos! Que Brahman possa conferir sobre nós o fruto do Conhecimento! Que nós possamos obter a energia para adquiri o Conhecimento! Que nós possamos estudar a revelação da Verdade! Que nós não possamos acalentar nenhum ressentimento em relação a um ao outro!

Om. Paz! Paz! Paz!



Aqui termina o Katha Upanishad pertencente ao Krishna-Yajur-Veda.