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44 - Katharudra Upanishad (Kṛṣṇa Yajur Veda)



44
Katharudra Upanishad

Traduzido por:
Prof. A. A. Ramanathan
Publicado por:
The Theosophical Publishing House, Chennai

Traduzido para o Português por

Uma Yoginī em seva a Śrī Śiva Mahadeva
Karen de Witt

***

Brasil – RJ
Junho/2010
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Fonte de Consulta
Vedanta Spiritual Library


Invocação

Om! Que Ele possa proteger-nos, a ambos, juntos;
que Ele possa nutrir-nos, a ambos, juntos;
Que nos possamos trabalhar conjuntamente com a grande energia,
Que nosso estudo seja vigoroso e efetivo;
Que nós não possamos disputar mutuamente
(ou não odiarmos ninguém).
Om! Deixe haver Paz em mim!
Deixe haver Paz em meu ambiente!
Deixe haver Paz nas forças que atuam em mim!





1: Os Deuses, dizem, solicitaram do venerável (Brahma): “Venerável Senhor, dê-nos o conhecimento espiritual”. Ele, o criador (Prajapati), respondeu:

2: Depois de remover o cabelo, incluindo o tufo, e descartá-lo, e depois de remover o cordão sagrado, olhando para seu filho (a seguir, deve ser pronunciado): “Tu és a escritura, tu és o sacrifício, tu és o Vasatkara, tu és a sílaba OM, tu és Svaha, tu és Svadha, tu és o fazedor e o criador”. Em seguida, o filho deve dizer: “Eu sou a escritura, eu sou o sacrifico, eu so o Vasatkara, eu sou a sílaba OM, eu sou Svaha, eu sou Svadha, eu sou o fazedor e o criador, eu sou o divino arquiteto (Tvastir), eu sou a base”. Estas são as palavras (para serem proferidas). Embora esteja partindo (o filho), ele não deve derramar lágrimas. Se ele derramar lágrimas, a linhagem descendente será quebrada. Andando no sentido horário (em sua vila) e não olhando para qualquer coisa, ele deve partir. Tal pessoa está apta para o mundo de Brahman.

3: Depois, estudando os Vedas como um estudante celibatário, e realizando os deveres prescritos nas escrituras, depois de casado e gerado filhos, e provendo-os com meios apropriados, tendo executado os sacrifícios de acordo com a sua capacidade, aquele que foi autorizado pelos antigos e por seus parentes deve tomar a renúncia.  Alcançando a floresta ele deve executar o sacrifício Agnihotra por doze noites, derramando oblações de leite no fogo; por doze noites ele deve viver de leite. Ao final das doze noites, os vasos de madeira, não sendo mais de uso, devem ser oferecidos ao fogo (com o mantra): “Esta é a oferenda de arroz cozido ao fogo Vaishvanara, a Prajapati, (esta é) a oferenda fixada em três cacos de potes para Vishnu e Agni”. As panelas de barro devem ser enviadas para as águas, os metais devem ser dados ao professor, como o mantra: “Que você não me abandone enquanto se afasta de mim, que não abandone você enquanto me afastar de você.” Ele deve prostrar-se diante dos três fogos – o fogo do chefe de família, o fogo o sul e o fogo, no qual as oblações são oferecidas. Alguns dizem que ele deve consumir um punhado de cinzas do local onde o fogo queimou as varas. Depois de remover o cabelo, incluindo o tufo, e descartá-lo, ele deve abandonar o cordão sagrado nas águas com o mantra, “Bhuh Svaha”. Portanto, ele deve recorrer à morte pela fome, ou ao afogamento na água, ou entrando no fogo, ou lançar mão de si mesmo no campo de batalha; ou ele deve empreender uma jornada até cair e morrer, ou ele deve entrar em um eremitério de ascetas idosos. Ele deve consumir leite como a refeição (da noite). Essa será a sua oferenda da noite. Aquele (leite o qual ele toma) de manhã é a sua (oferenda) matinal; aquele do dia da lua nova, do sacrifício do dia da lua nova; aquele do dia da lua cheia, o sacrifício do dia da lua cheia. O corte de cabelo, barba etc., e o corte das unhas na primavera compreendem o seu sacrifício Agnishtoma.

4: Depois da renúncia ele não deve retomar os rituais do fogo. Ele deve recitar o mantra espiritual: “Por eu ter me tornado a Morte e devo entrar de tal modo que o que é possível no ser (ou seja, o conhecimento de Brahman)”, etc. Dizendo “Prosperidade a todos os seres”, e contemplando o Eu e nenhum outro, levantando os braços, ele deve ser alguém que tem abandonado o caminho (normal); ele deve se mover sem qualquer residência (fixa). Ele deve viver de esmolas, e não deve dar qualquer presente. Ele não deve vestir nem mesmo um escasso (vestuário) exceto durante a estação chuvosa, para a proteção do corpo animal. Aqui estão os versos (ao suporte deste):

5-6: O pote de água, a concha, a funda (para carregar seus pertences), o bastão, os sapatos, a cobertura para proteger do frio, a tanga, o vestuário (para cobrir o corpo), o anel de grama Kusa, a toalha de banho, bem como o pano superior, o cordão sagrado e as escrituras – todos estes um asceta deve renunciar.

7: Com água purificada ele deve tomar banho e lavar, e também beber a mesma. ele deve dormir na areia de um rio (banco), ou em templos.

8: Ele não deve fazer o corpo sofrer os rigores do conforto ou da privação. Ele não deve exultar-se quando elogiado, nem amaldiçoar quando censurado por outros.

9-11: Quem carrega um bastão (asceta) deve estar firme, sem vacilar, em celibato. Procurando, tocando, brincando, falando, entrando em diálogo secreto, imaginando, pensando, ou desfrutando o físico (co mulheres) – isto é o que os eruditos chamam de coabitar oito vezes. Brahmacharya (celibato) é o contrário. Ele deve ser observado por aqueles que buscam a Liberação.

11-12: O eu refulgente, luz que ilumina o mundo nunca brilha. Ele é, na verdade, a testemunha do mundo, o Eu de tudo, em forma pura, a base de todos os seres, cuja natureza é pura consciência.

13: Nem pela ação, nem por (gerar) crianças, nem por qualquer outra coisa, somente conhecendo Brahman, o homem alcança Brahman.

14-15: Esse Brahman, o qual é sem um segundo, e o qual é a Verdade, Conhecimento e Felicidade, é o objeto (real) do conhecimento. O melhor dos duas vezes nascido, que conhece Brahman como residindo na cavidade que é chamada o mais elevado paraíso, durante sua existência transmigratória conhecida como “ilusão”, “ignorância” etc., alcança todas as coisas desejadas instantaneamente.

16: quem percebe seu próprio Eu, que é o testemunho do poder chamado ignorância e ilusão, conhecendo “Eu sou Brahman sozinho”, torna-se o próprio Brahman.

17: Deste Eu que é um com Brahman, e que é dotado de poder (ou seja, maya), surge o éter imanifesto (Akasa) como uma corda de serpente.

18: Então, do éter emerge o toque imanifesto que é chamado “ar” (Vayu). Em seguida, do ar emerge o fogo; do fogo, água; e da água, terra.

19: Então, depois de dividir e combinar todos aqueles sutis (elementos) em cinco, deles, sozinho, o auspicioso Senhor criou o ovo cósmico.

20: Envolvido no ovo cósmico estão os deuses, os anti-deuses, Yakshas, Kinnaras, seres humanos, animais, pássaros etc., de acordo com (o resultado) de suas próprias ações.

21: Os corpos dos seres que aparecem na forma de (uma treliça de) ossos, nervos etc., é o eu da natureza de alimento para o Eu todo permeante.

22: Em seguida, ainda no interior, o eu do Prana (energia vital) é dividido (em cinco). Ainda mais no interior está o eu da natureza da mente, que é diferente (dos outros).

23: Em seguida, ainda mais no interior, e diferente, está o eu da natureza do conhecimento. Então, no interior, distinto, está o eu da natureza da bem-aventurança.

24: Esse (eu) da natureza do alimento está permeado pelo (eu) da natureza da energia vital; semelhantemente (o eu da) energia vital está permeado pela natureza do (eu) da natureza da mente.

25: O eu da mente está permeado pelo eu do conhecimento. O eu sempre feliz da natureza do conhecimento está sempre permeado pela bem-aventurança.

26: Do mesmo modo, o eu da bem-aventurança está permeado por Brahman, o Testemunho, o mais interno de todos. Brahman não é (permeado) por qualquer outra coisa.

27-28: Ao perceber diretamente este Brahman, que é chamado de o Suporte (o Puccha Tail), que é da natureza da verdade, conhecimento e não dualidade, a essência da alegria, o eterno, o habitando no corpo torna-se feliz em todos os lugares. Donde, caso contrário, pode haver felicidade?

28-29: Se esta suprema bem-aventurança que é o mesmo o Eu de todos os seres não existisse, que ser humano poderia estar vivo? Quem poderia ser vivo?

29-30: Portanto, ele é o Ser, brilhando plenamente na consciência, que sempre faz feliz o eu individual, que é, outro, caso contrário, cheio de tristeza.

30-32: Somente quando o grande asceta percebe sua completa unidade sem qualquer diferença disto, que está descrito como invisível etc., ele alcança total destemor. Este é o Bem derradeiro, a suprema Imortalidade, a Existência absoluta, o Brahman transcendente, além das três divisões (do tempo).

32-33: Quando uma pessoa experimenta mesmo uma ligeira diferença nesta (identidade), ela terá medo; não há dúvida.

33-34: Por causa deste invólucro de bem-aventurança, de (Deus) Vishnu a um pilar – todos sempre percebem a felicidade, embora em diferentes graus.

34-35: Para quem é versado nas escrituras, desinteressado em atingir qualquer posição, e feliz, a bem-aventurança, que é sua própria natureza, brilha por si só.

35-36: É bem sabido que as palavras funcionam dependentes de uma base (como jati, dravya, kriya, guna). Devido à ausência de qualquer (assim) base, as palavras revertem (de Brahman). Pois, como pode a palavra funcionar, a respeito da bem-aventurança absoluta, desprovida de qualquer base?

37-38: Essa mente sutil, que faz todas as coisas seus objetos voltarem Daquele, do qual retira também (os sentidos), audição, tato, vista etc., bem como os órgãos das ações; eles não são capazes de alcançar o Supremo.

38-39: Percebendo que Brahman, que é Bem-aventurança, sem um segundo, desprovido de atributos, a solidariedade da verdade, e consciência, como um Eu próprio, nada teme.

39-40: Quem sabe assim do ensinamento de seu Guru, torna-se mestre de si mesmo, nunca sofre do impacto das boas e más ações.

40-41: O mundo inteiro que apareceu primeiramente, como o infligidor e o infligido, agora brilha como um Eu próprio, devido ao conhecimento resultando dos ensinamentos do Vedanta.

41-42: O puro (Brahman), Deus, o eu individual, o conhecedor, os meios do conhecimento, o objeto do conhecimento e o resultado – assim, para fins empíricos, é a distinção feita sete vezes.

43-44: (A Consciência) desprovida da condição de Maya (ignorância cósmica) é denominada “pura” (Brahman). Quando relacionada à ignorância cósmica, ele é Deus. Sob a influência da ignorância individual (Avidya), é o eu individual. Quando relacionada aos órgãos internos, é chamado conhecedor. Na relação com a s modificações dos órgãos internos, é chamada os meios do conhecimento.

45-46: A Consciência que não é conhecida é denominada “objeto”; e a consciência que é conhecida é chamada “resultado”. O homem inteligente deve meditar sobre seu próprio Eu como desprovido de qualquer condicionamento.

46: Quem conhece isto em realidade, torna-se o próprio Brahman.

47: Agora eu falo da verdadeira essência do ensinamento de todo Vedanta: morrendo si mesmo, tornando-se si mesmo, ainda permanecendo si mesmo. Assim (termina) o Upanishad.

Invocação


Om! Que Ele possa proteger-nos, a ambos, juntos;
que Ele possa nutrir-nos, a ambos, juntos;
Que nos possamos trabalhar conjuntamente com a grande energia,
Que nosso estudo seja vigoroso e efetivo;
Que nós não possamos disputar mutuamente
(ou não odiarmos ninguém).
Om! Deixe haver Paz em mim!
Deixe haver Paz em meu ambiente!
Deixe haver Paz nas forças que atuam em mim!



Aqui termina o Katharudropanishad pertencente ao the Krishna-Yajur-Veda.