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60 - Yoga Sikha Upanishad (Kṛṣṇa Yajur Veda)


60
Yoga Sikha Upanishad


Traduzido por:
P. R. Ramachander
Publicado por:
celextel.org
Traduzido para o Português por
Uma Yoginī em seva a Śrī Śiva Mahadeva
Karen de Witt
***
Brasil – RJ
Junho/2010
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Fonte de Consulta
Vedanta Spiritual Library


Invocação

  
Om! Que Ele possa proteger-nos, a ambos, juntos;
que Ele possa nutrir-nos, a ambos, juntos;
Que nos possamos trabalhar conjuntamente com a grande energia,
Que nosso estudo seja vigoroso e efetivo;
Que nós não possamos disputar mutuamente
(ou não odiarmos ninguém).
Om! Deixe haver Paz em mim!
Deixe haver Paz em meu ambiente!
Deixe haver Paz nas forças que atuam em mim!



PRIMEIRO CAPÍTULO

1: “Todos os seres viventes estão rodeados pela rede de ilusão, Oh Deus, Parameshvara, Oh Deus dos Deuses, como eles alcançarão a salvação? Seja gentil o suficiente para dizer.” O Senhor Brahma perguntou ao Senhor Parameshvara, e ele respondeu da seguinte forma.

2: “Algumas pessoas dizem que a única saída é Jnana (conhecimento). Para alcançar os poderes ocultos, que sozinho não serão suficientes. Como pode Jnana sem yoga levar à salvação? Também é verdade que yoga sozinho sem Jnana não leva à salvação. Assim, quem objetiva a salvação, deve aprender Jnana e Yoga conjuntamente.

3: “Como uma corda enlaça um pássaro, as mentes de todos os seres vivos estão laçados. Consultas e pesquisas não afetam os enlaces dessas mentes. Assim, a única maneira de vencer essa mente é através da vitória sobre o Prana. Não há outra opção para se obter a vitória sobre o Prana senão pelo Yoga, e não existe método exceto os indicados pelos Siddhas.

4: “Então, eu estou ensinando a você esse Yoga Shika (o cabeça de todos os yogas). É maior do que todos os Jnanas. Depois de se estabelecer, quer em Padmasana (postura de lótus), quer em qualquer outro asana e, depois de concentrar sua visão na ponta do nariz e, depois de controlar ambos, mãos e pernas, deve-se meditar na letra ‘OM’ com uma mente concentrada. Se continuamente a pessoa meditar em Parameshvara, ele se tornará uma pessoa experiente em yoga, e o Parameshvara surgirá diante dele.

5: Se nós nos sentarmos em um asana e, continuamente praticarmos, o bindu deixará de fluir para baixo. Sem Puraka e Rechaka, o Prana permaneceria em Kumbhaka por um longo tempo. Você deverá ouvir diferentes tipos de sons (no estado de Kevala do Kumbhaka). O néctar começara a fluir do local da lua (bindu). Fome e sede cessam. A mente fica concentrada no fluxo contínuo da bem-aventurança. Os quatro passos disso são Mantra yoga, Laya yoga, Hatha yoga e Raja yoga. O grande Maha yoga, o qual é único, tem sido dividido em quatro, e chamado como acima. O prana vai para fora com o som ‘HAM’ e para dentro com a palavra ‘SA’, e todos os seres naturalmente cantam o mantra ‘HAMSA, HAMSA’ (enquanto exalam e inalam). Isso é cantado em Sushumna depois de ter sido ensinado pelo guru de uma forma invertida (Hamsa invertido é soham). Esse cântico do mantra “Soham, Soham – Eu sou Ele” é chamado de Mantra yoga. O sol é a letra ‘HA’ e a lua é a letra ‘THA’. A união do sol e da lua é o Hatha yoga. Devido ao Hatha yoga, a idiotice que é a causa de todos os doshas (draw backs) é engolida. Quando a imersão de Jivatma e Paramatma ocorre, a mente derrete e desaparece. E somente o ar do Prana permanece. Isso é chamado Laya yoga. Porque de Laya yoga é que o celestial Swathmananda Sowkhya (o bem estar da alegria da própria alma de um) é alcançada. No grande templo no meio da yoni (o órgão feminino) o princípio da Devi, o qual é vermelha como a flor Hibiscus, vive como Rajas em todos os seres. A fusão desses Rajas com o princípio masculino é chamado Raja Yoga. Como resultado do Raja yoga, o yogue obtém todos os poderes ocultos como Anima. Você tem que compreender que todos esses quatro tipos de yogas não são senão a fusão de Prana, Apana e Samana.

6: Para todos aqueles que têm um corpo, seus corpos são o templo de Shiva. Eu posso dar-lhes poderes ocultos. A parte triangular entre o ânus e o pênis é chamada de mooladhara. Esse é o local onde Shiva vive como uma força doadora de vida. Lá, a Parashakti chamada Kundalini vive. De lá o vento (Vayu) é produzido. O fogo também é produzido lá. De lá sozinho o som ‘Hamsa’ e a mente são também produzidos. Este local o qual concede tudo o que é pedido, é por isso chamado Kamakhya peetam (a sede da paixão). Na borda do ânus está o Swadhisthana Chakra com suas dez pétalas. No local junto ao coração o Anahata Chakra, com suas doze pétalas, existe. E, oh Senhor Brahma, isso é chamado de Poorna Giri Peeta. Na depressão da garganta, Vishuddhi Chakra, com suas dezesseis pétalas, existe. Oh, Senhor dos Senhores,  aquele é o Jalandara Chakra. Entre as pálpebras está o Ajna Chakra, com duas pétalas. Sobre este está o Maha Peeta, chamado Udayana.

SEGUNDO CAPÍTULO

1: Esse mundo funciona por causa do obscuro poder da fundação, o qual está descrito como Maha Maya, Maha Lakshmi, Maha Devi e Maha Saraswati. Aquela potência brilha em uma micro forma como um Bindu (gota) no Peeta (sede). Aquele Bindu rompe o Peeta e surge de lá na forma do Nada (som). Aquele Nada Brahma assume três formas, ou seja, Macro, Micro e externa. A forma macro é a grande forma, o qual é permeada pelos cinco Brahmans. A micro forma, o qual se eleva de Nada com seus três Bijas (raízes) é a forma de Hiranya Garbha. Para é a verdade eterna de Satchitananda. Pela contínua canção de Atma mantra, o resplendor ocorrerá em Para Thathwa (a filosofia do externo). Para o yogue que tem dominado sua mente, isso surge na micro forma, semelhante a uma chama de lâmpada, da forma da lua crescente, como um fogo flutuante, como uma faixa ou relâmpago, e como o brilho das estrelas. Não existe outro mantra maior do que o Nada (som), nem Deuses maiores do que Atma, nem adoração maior do que a meditação e nem prazer maior do que a satisfação. Meus devotos que compreendem isso permanecerão estáveis em suas felicidades. Para esse grande homem, que tem grande devoção a Deus, bem como uma grande devoção semelhante ao seu professor, tudo isso seria entendido automaticamente.

TERCEIRO CAPÍTULO

1: Aquele grande Nada (som) sempre vivente é chamado Shabda Brahman. Ele é a força que reside em Mooladhara. Para é a fundação de seu próprio eu, e é da forma de Bindu. Aquele Nada, fluindo de Parashakti (semelhante ao gérmen que sai da semente), é chamado Pashyanti (vemos). Os yogues que estão aptos para ver usando a Pashyanti Shakti, compreendem que ela é o mundo inteiro. Aquele poder produz som como uma chuva que parte do coração. Oh, Senhor dos Senhores, ela lá é chamada de Madhyama. Ela é chamada de Vaikhari quando ela se funde no som formado com o Pranava, e existe na garganta e na mandíbula. Ela produz todos os alfabetos de Aa à Ksha. Do alfabeto surgem as palavras, e das palavras surgem as frases e, delas, todos os Vedas e Mantras. Essa Deusa Saraswati repousa na cavidade da inteligência em todos os seres. Na meditação, quando a energia se dissolver, você pode alcançar esse Para Thathwa.

QUARTO CAPÍTULO


1: Porque o poder divino é único, não há diferenças lá. Você tem que compreender que o processo do pensamento dos seres existentes é visto como uma cobra em uma corda. Quando você não conhece, ela é uma corda e, então, por um pouco de tempo, a corda se parece com uma cobra. A inteligência ordinária é semelhante a isso. Nós vemos tudo como o mundo que vemos. Não existe razão, ou base, para esse mundo ser diferente desse Brahman. Assim, o Mundo é somente Brahman, e não algo diferente. Se você compreende o Para Thathwa como isso, onde está a causa da diferenciação?

2: No Taittiriya Upanishad, o medo tem sido descrito como pertencente à pessoa tola, que busca diferença entre Jivatma (alma) e Paramatma (Deus). Embora esse mundo tenha sido descrito como algo para ser experimentado, no momento seguinte ele desaparece como um sonho. Não existe estado de vigília em um sonho. Não existe sonho no estado de vigília. Ambos deles (desses estados) não estão em Laya. Laya não está neles. Todos esses três (os três estados) são ilusões criadas por três caracteres. O único que vê isso estará acima das características e será para sempre.

3: Chaitanya (atividade) começa na forma do mundo. Tudo isso é Brahman. É inútil diferenciá-Lo como Atma e Anatma quando se lida com pessoas sábias. O tolo pensa que o corpo está ligado à alma. A crença de que o pote está misturado como o a lama e a água está misturada com a miragem e, semelhantemente, a crença de que o corpo está misturado com a alma é devido à ignorância.


QUINTO CAPÍTULO

1: O yogue que domino o yoga e que completou o controle sobre os seus sentidos, deverá alcançar tudo o que ele imagina. O professor (guru) é o Brahma, Ele é Vishnu, e ele é o Senhor dos Senhores, Sadashiva, e não há ninguém maior do que o professor nestes três mundos. Ele deve adorar com devoção aquele Parameshvara, que é a grande Alma que nos ensinou o divino conhecimento. Aquele que o adora dessa forma, obterá o resultado de Jnana plenamente. Não mantenha o seu objetivo por causa da mente oscilando nos poderes ocultos. Aquele que conhece bem esse princípio, é aquele que alcançou a salvação. Não há dúvida sobre isso.

SEXTO CAPÍTULO


1: Aquela grande luz no qual o Bhuh Loka, Bhuvar Loka e Suvar Loka (Mundos), e o Sol, Lua e Deuses do Fogo, é, senão uma pequena parta na letra ‘OM’. Quando a mente vacila, resulta na vida mundana e quando ela está firme, resulta na salvação. Assim, o Senhor Brahma, usando de grande inteligência nos ensina a manter a mente sem vacilar. Pelo desejo de possuir riquezas, a mente é a razão. Quando isso é destruído, o mundo seria destruído. Deve-se, com muito esforço iniciar o tratamento para isso.  Quando um homem cuida de sua mente usando sua mente, e percebe que ela parou de se movimentar, ele deve ver o Parabrahman, o qual é muito difícil de ver. O yogue está apto para obter a salvação ao ver sua mente com sua mente. Temos de ver a mente com a mente e ansiar por aquele estado louco. Temos de ver a mente com a mente e manter-se estável no yoga.

2: Em qualquer lugar onde o vento sopre, a mente também oscila. A mente é chamada de lua, sol, vento, visão e fogo. Bindu (ponto), Nada (som) e Kala (crescente) são os Deuses Vishnu, Brahma e Ishvara. Pela prática constante de Nada, as más influências se desvanecerão. Aquele que é o Nada se torna Bindu e, então, ele se torna a mente. Tem-se claramente a intenção da unificação de Nada, Bindu e Chitta. A mente, em si, é o Bindu, e essa é a razão para o estado de criação do mundo. Semelhante ao leite produzido pela vaca, Bindu é produzido pela mente.

3: Aquele que percebe bem as seis rodas (Agna Chakras) entra no mundo do prazer. Tem que entrar pelo controle dos ares no corpo. Tem que enviar o ar (Vayu) para cima. Tem que praticar Vayu, Bindu Chakra e Chitta. Uma vez que o yogue percebe o Samadhi por um deles, ele sente que tudo é como néctar. Semelhantemente ao fato de que o fogo dentro da madeira não pode ser trazido para fora sem agitá-lo por outra madeira, sem a prática, a lâmpada da sabedoria não pode ser acesa. Adotando o professor como aquele que pilota o navio, e pela adoção de seus ensinamentos como o navio estável, com o poder da prática constante, cruza-se o oceano do nascimento. Assim diz esse Upanishad.

Invocação

Om! Que Ele possa proteger-nos, a ambos, juntos;
que Ele possa nutrir-nos, a ambos, juntos;
Que nos possamos trabalhar conjuntamente com a grande energia,
Que nosso estudo seja vigoroso e efetivo;
Que nós não possamos disputar mutuamente
(ou não odiarmos ninguém).
Om! Deixe haver Paz em mim!
Deixe haver Paz em meu ambiente!
Deixe haver Paz nas forças que atuam em mim!

Aqui termina o Yoga-Sikhopanishad pertencente ao Krishna-Yajur-Veda.