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61 - Yoga Tattva Upanishad (Kṛṣṇa Yajur Veda)



61
Yoga Tattva Upanishad

Traduzido por:
K. Narayanasvami Aiyar
Publicado por:
*
Traduzido para o Português por
Uma Yoginī em seva a Śrī Śiva Mahadeva
Karen de Witt
 ***
Brasil – RJ
Junho/2010
___________________________

Fonte de Consulta
Vedanta Spiritual Library


Invocação

Om! Que Ele possa proteger-nos, a ambos, juntos;
que Ele possa nutrir-nos, a ambos, juntos;
Que nos possamos trabalhar conjuntamente com a grande energia,
Que nosso estudo seja vigoroso e efetivo;
Que nós não possamos disputar mutuamente
(ou não odiarmos ninguém).
Om! Deixe haver Paz em mim!
Deixe haver Paz em meu ambiente!
Deixe haver Paz nas forças que atuam em mim!



1: Vou agora descrever o Tattva Yoga (yoga da Verdade) para o benefício dos yogues que são libertados de todos os pecados através da audição e do estudo dele.

2: O supremo Purusha chamado Vishnu, que é o grande yogue, o grande ser e o grande Tapasvin, é visto como uma lâmpada no caminho da verdade.

3: O Avô (Brahma) tendo saudado o Senhor do universo (Vishnu), e tendo pago, por Ele, respeito, perguntou-Lhe (assim): “Orai, explique-nos a verdade do yoga, o qual está incluído nele os oito subservientes.”

4: Pelo qual, Hrisikesha (o Senhor dos sentidos, ou Vishnu) respondeu assim: “Ouça. Eu explicarei sua verdade. Todas as almas estão imersas na felicidade e no sofrimento através da armadilha de Maya.

5-6: “Kaivalya, a suprema sede, é o caminho pelo qual se lhes dá a emancipação, o qual rasga em pedaços a armadilha de Maya, pelo qual é destruído o nascimento, a velhice e a doença e, pelo qual, se permite vencer a morte. Não existem outros caminhos para a salvação. Aqueles que vagam ao redor da rede dos Shastras estão iludidos por aquele conhecimento.

7: “É impossível, mesmo para os Devas, descrever o estado indescritível. Como pode aquele que é auto-brilhante ser iluminado pelos Shastras?

8: “Aquele sozinho, que é sem caminhos e imaculado, e que é quieto além de tudo, e livre de decadência, torna-se o Jiva (eu) em razão dos resultados das virtudes e dos pecados passados.

9: “Como fez, aquela que é a sede de Paramatman, é eterna e acima do estado de todas as coisas existentes, e é da forma da sabedoria e sem máculas, para alcançar o estado de Jiva?

10: “Uma bolha surge nele como na água, e nessa (bolha), surge Ahankara. Para ele se eleva uma esfera (do corpo) feita dos cinco (elementos) e vinculada pelos Dhatus.

11: “Saiba que o Jiva, que está associado com a felicidade e a miséria e, portanto, é o termo Jiva aplicado a Paramatman, que é puro.

12-13: “Aquele Jiva é considerado como Kevala (sozinho), que é livre das máculas da paixão, raiva, medo, ilusão, avareza, soberba, luxúria, nascimento, desmaio, tontura, fome, sede, ambição, vergonha, susto, coração ardente, dor e alegria.

14: “Então, vou dizer os meios de destruir esses pecados. Como poderia Jnana ser capaz de dar Moksha surgindo certamente sem yoga?

15: “E mesmo o yoga se torna impotente em garantir Moksha quando ele é desprovido de Jnana. Assim, o aspirante depois da emancipação deve praticar firmemente ambos, yoga e Jnana.

16: “O ciclo de nascimentos e mortes vem somente através de Jnana, e perece somente através de Jnana. Jnana sozinho era originalmente. Ele deve ser conhecido como o único meio da salvação.

17-18(a): “Isso é Jnana, através do qual se conhece (em si mesmo) a real natureza de Kaivalya como a suprema sede, o imaculado, o impartido e da natureza de Sachchidananda, sem nascimento, existência e morte, e sem movimento e Jnana.

18(b)-19: “Agora continuarei a descrever o yoga para você: o yoga está dividido em muitos tipos, em conformidade com suas ações, ou seja: Mantra yoga, Laya yoga, Hatha yoga e Raja yoga.

20: “Há quatro estados comum a estes, ou seja: Arambha, Ghata, Parichaya e Nishpatti (os estágios do yoga).

21: “Oh, Brahma, descreverei estes a você. Ouça atentamente. Deve-se praticar o Mantra junto com seus Matrikas (entonação adequada dos sons) e outros por um período de doze anos;

22: “Então, ele gradualmente obtém sabedoria junto com os Siddhis, tais quais Anima, etc. as pessoas de intelecto fraco são as menos qualificadas para a prática desse yoga.

23-24(a): “O segundo, Laya yoga, tende para a absorção de Chitta, e está descrita de milhares de formas; uma das quais é – deve-se contemplar no Senhor que é sem partes (mesmo) enquanto andando, sentando, dormindo ou comendo. Isso é chamado Laya yoga.

24(b)-25: “Agora ouça a descrição do Hatha yoga. Esse yoga possui (o seguinte) oito subservientes, Yama (paciência), Niyama (observância religiosa), Asana (postura), Pranayama (supressão do alento), Pratyahara (subjugação dos sentidos), Dharana (concentração), Dhyana, a contemplação de Hari no meio das sobrancelhas, e Samadhi, que o estado de igualdade.

26-27: “Maha mudra, Maha Bandha e Khechari, Jalandhara, Uddiyana e Mula Bandha, proferindo sem intervalo o Pranava (OM) por um longo período, e ouvindo a exposição das supremas verdades, Vajroli, Amaroli e Sahajoli, que formam uma tríade – tudo isso separadamente vou dar uma verdadeira descrição.

28-29(a): “Oh, único de quatro faces (Brahma), entre (os deveres de) Yama, alimentação moderada – e não outros – constitui o principal fator; e o não-ferir é o mais importante em Niyama.

29(b): “As principais posturas são quatro, ou seja: Siddha, Padma, Simha e Bhadra.

30-31: “Durante as fases iniciais da prática, os seguintes obstáculos ocorrem, Oh Único de quatro faces, ou seja: preguiça, conversa fiada, associação com pessoas más, aquisição de Mantras, etc, brincando com metais (alquimia) e mulheres etc., e miragem. Um homem sábio, ao encontrar estas coisas, deve abandoná-las pela força de suas virtudes.

32: “Então, assumindo a postura de padmasana, ele deve praticar Pranayama. Ele deve erguer um mosteiro com uma pequena abertura e sem fendas

33: “Ele deve ser bem colado com esterco de vaca, ou com cimento branco. Ele deve ser cuidadosamente liberado de percevejo, mosquitos e piolhos.

34: “Ele deve ser bem varrido todos os dias com uma vassoura. Ele deve ser perfumado com bons odores, e resinas perfumadas devem ser queimadas nele.

35-36(a): “Tendo sentado-se sobre um pano, nem muito alto, nem muito baixo, de pelo de cervo e grama Kusa espalhada, um sobre o outro, o sábio deve assumir a postura padma e, mantendo o seu corpo ereto e suas mãos unidas em respeito, deve saudar a divindade tutelar.

36(b)-40: “Em seguida, fechando sua narina direita com o polegar direito, ele deve, gradualmente, puxar o ar pela narina esquerda. Tendo restringido, tanto quanto possível, ele deve novamente expelir pela narina direita, vagarosamente, e não muito rápido. Em seguida, preenchendo o estômago de ar, por meio da narina direita, ele deve reter, tanto quanto possível e, em seguida, expelir através da narina esquerda. Puxando o ar através daquela narina, pelo qual ele expeliu, ele deve continuar nessa sucessão ininterruptamente. O tempo gasto para fazer uma volta do joelho com a palma da mão, nem muito devagar nem muito rápido, e trocando os dedos uma vez isso é chamado Matra (ciclo).

4144: “Puxando o ar através da narina esquerda por cerca de dezesseis Matras (dezesseis segundos), retendo-o (dentro) por sessenta e quatro Matras, deve-se expelir novamente através da narina direita por cerca de trinta e dois Matras. Novamente preencha a narina direita como antes (e continue o restante). Pratique a restrição do alento por quatro vezes ao dia (ou seja) ao nascer do sol, ao meio dia, ao por do sol e à meia-noite, até atingir a quantidade de oitenta (ciclos). Por uma prática contínua, por cerca de três meses, a purificação das Nadis ocorre. Quando as Nadis se tornam purificadas, certamente os sinais externos aparecem no corpo do Yogue.

45-46(a): “Vou agora descrevê-los. (Eles são) leveza do corpo, brilho da pele, aumento do fogo gástrico, magreza do corpo e, juntamente com estes, ausência de inquietação no corpo.

46(b)-49: A proficiência no yoga deve abandonar o alimento prejudicial para a prática do Yoga. Ele deve desistir de sal, mostarda, coisas ácidas, quente, picante ou vegetais amargos; asafétida, etc., adoração ao fogo, mulheres, caminhadas, banhos ao nascer do sol, enfraquecimento do corpo pelos jejuns, etc. durante os estágios iniciais da prática, alimento de leite e ghee é ordenado; também os alimentos compostos de trigo, pulso verde e arroz vermelho é favorável ao progresso. Então ele será capaz de restringir sua respiração pelo tempo que desejar.

50-53: “Portanto, ao reter a respiração tanto quanto desejar, Kevala Kumbhaka (cessação da respiração, inspiração e expiração) é alcançada (*). Quando Kevala Kumbhaka é alcançada por uma pessoa e, assim a expiração e a inspiração são dispensadas dentro, não há nada inatingível nos três mundos para ele. No início (de sua prática), o suor é posto para fora; ele deve limpá-lo. Mesmo depois disso, devido à retenção da respiração, a pessoa que pratica, obtém a expectoração. Em seguida, pelo aumento da prática de Dharana (concentração), o suor surge.

(*) NT. O Estado de Kevala do Kumbhaka é obtido naturalmente, por meio do controle do prana. Não obtive o texto original (do sânscrito) e, portanto, não posso comprovar que houve algum equívoco na tradução. Uma vez que a retenção prolongada do alento pode ocasionar diversos problemas de ordem física, incluindo lesões cerebrais, o aconselhável é que a retenção seja feita de forma moderada, prevalecendo o controle do prana por meio da respiração ritmada aliada às técnicas de bandhas e mudras, juntamente com a visualização. O estado de Kevala é um estado em que não há qualquer movimento de respiração e, no entanto, não há qualquer prejuízo para o corpo, sequer asfixia, podendo-se permanecer nesse estado por quanto tempo for necessário. Nesse estado, a mente está totalmente subjugada, os órgãos dos sentidos estão dormentes (pratyahara) e o eu dissolvido em Atman.

54: “Assim como um sapo se move aos saltos, assim o yogue, sentado na postura Padma, move-se na terra. Como uma (adicional) prática intensificada, ele se torna apto para elevar-se do chão.

55: “Ele, enquanto sentado na postura Padma, levita. Surge-lhe o poder de realizar feitos extraordinários.

56: “Ele não (ou deve) divulgar para os outros suas façanhas dos grandes poderes (no caminho). Qualquer dor pequena ou grande, não afeta o yogue.

57: “Em seguida, as excreções e o sono são diminuídas; lágrimas, secreção nos olhos, fluxo salivar, suor e mau cheiro na boca, não surgem nele.

58-60: “Com uma prática ainda mais intensa, ele adquire grande força, pelo qual ele alcança Bhuchara Siddhi, que permite-lhe colocar sob controle todas as criaturas que pisam nessa terra; tigres, Sarabhas (um animal com oito pernas), elefantes, touros ou leões morrem ao serem atingidos pela palma do yogue. Ele se torna tão belo quanto o deus do amor (Kamadeva) em si mesmo.

61-62: ”Todas as fêmeas podem ser tomadas com a beleza de sua pessoa, desejosas de manterem relações sexuais com ele. Se ele mantiver relações, sua virilidade será perdida; assim, abandonando toda copulação com mulheres, ele deve continuar sua prática com grande assiduidade. Pela preservação do sêmen, um bom odor invade o corpo do yogue.

63: “Em seguida, sentado em um local isolado, ele deve repetir o Pranava (OM) com três Pluta-Matras (ou entoação prolongada) para a destruição de seus antigos pecados.

64: “O Mantra, Pranava (OM) destrói todos os obstáculos e todos os pecados. Ao praticar assim, ele alcança Arambha (início do primeiro) estágio.

65-66: “Em seguida, o Grata (segundo estágio) – no qual é adquirido pela prática constante da supressão do alento. Quando uma perfeita união ocorre entre Prana e apana, Mans e Buddhi, ou Jivatma e Paramatman, sem oposição, isso é chamado de estado Ghata. Vou descrever os sinais.

67: “Ele pode agora praticar sozinho por cerca de um quarto do período prescrito para a prática anterior (ou seja, não precisa mais praticar 4 vezes ao dia). De dia e de noite, deixe-o praticar somente por um Yama (3 horas).

68-69(a): “Deixe-o praticar Kevala Kumbhaka uma vez por dia. Afastando completamente os órgãos dos objetos do sentido durante a cessação do alento, isso é chamado Pratyahara.

69(b): “Tudo o que ele vê com os seus olhos, deixe-o considerar como Atman.

70: “Tudo o que ele ouve com os seus ouvidos, deixe-o considerar como Atman. Tudo o que ele sente com o nariz, deixe-o considerar como Atman.

71: “Tudo o que ele sente com a sua língua, deixe-o considerar como Atman. Tudo o que o yogue toca com a sua pele, deixe-o considerar como Atman.

72: “O yogue deve, portanto, incansavelmente, gratificar seus órgãos dos sentidos por um período de um Yama, todos os dias, com grande esforço.

73-74: “Então, os vários poderes maravilhosos são alcançados pelo yogue, tais como clarividência, clariaudiência, habilidade para transportar-se a grandes distâncias em um momento, grande poder do discurso, habilidade para tomar qualquer forma, habilidade para tornar-se invisível, e a transmutação de ferro em ouro quando, no primeiro, for manchado com suas excreções.

75-76: “O yogue que pratica constantemente yoga, alcança o poder de levitar. Então, o yogue sábio deve pensar que esses poderes são grandes obstáculos para a realização do yoga e, por isso, nunca deve ter prazer neles. O rei dos yogues não deve exercer seus poderes diante de qualquer outra pessoa.

77: “Ele deve viver no mundo como um tolo, um idiota, ou um homem surdo, a fim de manter em oculto os seus poderes.

78-79: “Seus discípulos devem, sem dúvida, pedir-lhe para mostrar seus poderes para a gratificação de seus próprios desejos. Aquele que está ativamente engajado em seus deveres, esquece-se da prática (de yoga); assim ele deve praticar, dia e noite, yoga, sem esquecer as palavras do Guru. Assim, passa o estado Ghata para quem está constantemente engajado na prática do yoga.

80: “Para uma pessoa, nada é adquirido pelas companhias inúteis, pois assim ele não pratica yoga. Assim, deve-se com grande esforço praticar yoga.

81-83(a): “Então, pela constante prática é obtido o estado de Parichaya (o terceiro estado). Vayu (ou alento), através da prática árdua, perfura, junto com Agni, Kundalini através do pensamento e entra em Sushumna ininterruptamente. Quando alguém entra em Sushumna, junto com o Prana, ele alcança o mais elevado assento (da cabeça provavelmente), junto com Prana.

83(b): “Existem cinco elementos: Prithvi, Apas, Agni, Vayu e Akasa (terra, água, fogo, ar e éter).

84-87(a): “Para o corpo dos cinco elementos, existe o quíntuplo Dharana. Dos pés aos joelhos, diz-se que é a região de Prithvi (terra), é de forma quadrada, é amarela na cor, e tem o Varna (ou letra) ‘LA’. Carregando o alento com a letra ‘LA’, junto à região da terra (ou seja, dos pés aos joelhos), e contemplando sobre Brahma com quatro faces e de quatro bocas, e da cor dourada, deve-se realizar Dharana lá por um período de duas horas. Ele, então, alcança a maestria sobre a terra. A morte não o incomoda mais, já que ele obteve domínio sobre o elemento terra.

87(b)-90: “Diz-se que a região de Apas (água) se estende dos joelhos ao ânus. Apas é a forma da meia lua, da cor branca, tendo ‘VA’ por sua letra Bija (semente). Carregando o alento com a letra ‘VA’, junto à região de Apas, ele deve contemplar no Deus Narayana, tendo quatro braços e uma cabeça coroada, como sendo da cor do cristal puro, como vestido em vestes laranja, e como indecaído; e praticando Dharana lá, por um período de duas horas, ele se liberta de todos os pecados. Então, não há medo de água para ele, e ele não cumpre a sua morte na água.

91: “Do ânus ao coração está a região de Agni (fogo). Agni é da forma triangular, da cor vermelha, e tem a letra ‘RA’ por sua semente (Bija).

92-93(a): “Elevando o alento, feito resplandecente através da letra ‘RA’, junto à região do fogo, ele deve contemplar em Rudra, que tem três olhos, que concede todos os desejos, que é da cor do sol do meio dia, que está untado com todas as cinzas sagradas, e que é de um semblante prazeroso.

93(b)-94(a): “Praticando Dharana lá, por um período de duas horas, ele não é queimado pelo fogo, embora seu corpo entre no fosso do fogo.

94(b)-96: “Do coração ao meio das sobrancelhas está a região de Vayu (ar). Vayu é da forma hexagonal, da cor preta, e brilha com a letra ‘YA’. Carregando o alento junto à região de Vayu, ele deve contemplar em Ishvara, o Onisciente, como possuindo faces em todos os lados; e praticando Dharana lá, por um período de duas horas, ele entra em Vayu e, então, em Akasa.

97-98(a): “O yogue não encontra sua morte através do medo de Vayu (ar). Do centro das sobrancelhas ao topo da cabeça, está a região de Akasa (éter), é da forma circular, da cor da fumaça e brilha com a letra ‘HA’.

98(b)-101(a): “Elevando o alento junto à região de Akasa, ele deve contemplar em Sadashiva da seguinte maneira, como produzindo felicidade, como da forma de Bindu, como o grande Deva, como tendo a forma do Akasa, como brilhando como puro cristal, como usando a lua crescente em sua cabeça, como tendo cinco faces, dez mãos e três olhos, como sendo de um semblante prazeroso, como armado com armas, como adornado com todos os ornamentos, como tendo Uma (a deusa) na metade de seu corpo, como disposto a conceder favores, e como a Causa de todas as causas.

101(b): “Ao praticar Dharana na região de Akasa, ele obtém, certamente, o poder de levitação no Akasa (éter).

102: “Sempre que ele permanece (no Akasa), ele desfruta da suprema bem-aventurança. o proficiente em yoga deve praticar estes cinco Dharanas.

103: “Em seguida, seu corpo se torna forte, e ele não conhece a morte. Esse grande homem de espírito não morre mesmo durante o dilúvio (dissolução final) de Brahma.

104-105: “Então, ele deve praticar Dharana por um período de seis Ghatikas (2 horas e 24 minutos). Restringindo o alento em (na região) Akasa, e contemplando na divindade que concede seus desejos – isto é, como Saguna Dhyana, capaz de conceder (os Siddhis) Anima, etc. Aquele que está engajado em Nirguna Dhyana, alcança o estado de Samadhi.

106: “Dentro de doze dias, pelo menos, ele alcança o estado de Samadhi. Restringindo o seu alento, o sábio se torna uma pessoa emancipada.

107: “Samadhi é aquele estado no qual o Jivatman (eu inferior) e o Paramatman (Eu superior) são indiferenciados (ou de estado igual). Se ele desejar deixar o seu corpo de lado, ele pode fazê-lo.

108-109(a): Ele se tornará absorvido em Parabrahman e não requer Utkranti (ir para fora ou para cima). Mas se ele não desejar isso, e seu corpo é caro para ele, ele vive em todos os mundos possuindo os Siddhis de Anima, etc.

109(b)-110: “Às vezes ele se torna um Deva e vive honrado em Svarga; ou ele se torna um homem, ou um Yaksha, através de sua vontade. Ele pode também tomar a forma de um leão, tigre, elefante ou cavalo, através de sua vontade.

111: O yogue se torna o grande Senhor que pode viver tanto tempo quanto desejar. Há diferença somente no modo de procedimento, mas o resultado é o mesmo.

112-115(a): “Coloque o calcanhar esquerdo pressionando sob o ânus, estique a perna direita e mantenha-a firmemente com ambas as mãos. Coloque a cabeça no peito e inale o ar lentamente. Restrinja a respiração tanto tempo quanto puder e, então, exale o ar lentamente. Depois de praticar com o pé esquerdo, pratique com o direito. Coloque o pé que estava esticado antes sobre a coxa. Isso é Maha Bandha, e deve ser praticado de ambos os lados.

115(b)-117(a): “O yogue, sentando em Maha Bandha, e tendo inalado o ar com a mente atenta, deve interromper o curso de Vayu (no interior), por meio do Mudra da garganta (jalandhara bandha) com presteza. Isso é chamado Maha Vedha, e é frequentemente praticado pelos Siddhas.

117(b)-118(a): “Com a língua pressionada no interior da cavidade da cabeça (ou garganta) e com os olhos atentos no ponto entre as sobrancelhas, isso é chamado Khechari mudra.

118(b)-aa9(a): “Contraindo os músculos do pescoço, e colocando a cabeça com uma firme vontade no peito, isso é chamado Jalandhara (Bandha); e é um leão para o elefante da morte.

119(b)-120(a): “Aquele Bandha, pelo qual o Prana voa através de Sushumna, é chamado de Uddiyana Bandha pelos yogues.

120 (b)-121(a): “Pressionando o calcanhar firmemente contra o ânus, contraindo o ânus e puxando Apana, isso é chamado de Yoni Bandha.

121(b)-122(a): “Através do Mula Bandha, Prana e Apana, vem como Nada e Bindu, são unidos e conferem sucesso no yoga; não há dúvida disso.

122(b)-124(a): “Praticando-se de uma forma inversa (ou, em ambos os lados), que destrói todas as doenças, o fogo gástrico é incrementado. Portanto, um praticante deve ingerir uma grande quantidade de provisões, pois, se ele tem uma pequena quantidade de alimento, o fogo (no interior) irá consumir o seu corpo e um instante.

124(b)-125: “No primeiro dia ele deve manter-se em sua cabeça com os pés levantados por algum tempo. Ele deve aumentar este período gradualmente a cada dia. Rugas e cabelos brancos desaparecerão dentro de três meses.

126: “Quem praticar somente por um período de um Yama (vinte e quatro minutos) todos os dias, conquista o tempo. Aquele que pratica Vajroli torna-se um yogue e o repositório de todos os Siddhis.

127-128: “Se os Siddhis do yoga estão sempre a ser alcançados, ele somente os têm ao seu alcance. Ele conhece o passado e o futuro e, certamente, move-se no ar. Quem bebe o néctar assim, torna-se imortal dia a dia. Ele deve, diariamente, praticar Vajroli. Então, ele é chamado Amaroli.

129-131(a): “Então, ele obtém o Raja Yoga e, certamente, não encontra com obstáculos. Quando um yogue preenche a sua ação pelo Raja yoga, então ele certamente obtém a discriminação e a indiferença pelos objetos. Vishnu, o grande yogue, o grande único da grande austeridade, e o mais excelente Purusha, é visto como uma lâmpada no caminho da verdade.

131(b)-134(a): “Aquele peito do qual se amamentou anteriormente (em seu nascimento anterior) ele agora prensa (em amor) e obtém prazer. Ele desfruta do mesmo órgão genital do qual ele nasceu anteriormente. Ele que foi uma vez sua mão, agora será sua esposa, e ela que agora é esposa (ou será) verdadeiramente mãe. ele que agora é pai será novamente filho, e ele que é agora filho, será novamente pai. Assim são os egos desse mundo, vagando no ventre do nascimento e da morte, como um balde na roda de uma fonte, e desfrutando os mundos.

134(b)-136(a): “Há três mundos, três Vedas, três Sandhyas (manha, tarde e noite), três Svaras (sons), três Agnis e Gunas, e todos esses estão colocados em três letras (AUM). Quem compreende o que é indestrutível, e é o meio dos três (AUM) – por ele são todos esses mundos com chaves. Essa é a Verdade, a sede suprema.

136(b)-138(a): “Assim como o odor na flor, como o ghee no leite, como o óleo na semente de gergelim e como o ouro no quartzo, assim está o lótus situado no coração. Sua face está voltada para baixo e para cima está sua haste. Seu Bindu está voltado para baixo e, em seu centro, está situado Manas.

138(b)-139(a): “Pela letra ‘A’, o lótus se torna expandido; pela letra ‘U’, ele se torna partido (ou aberto). Pela letra ‘M’, ele obtém Nada; e o Ardha Matra (metade da métrica) é o silêncio.

139(b)-140(a): “A pessoa engajada no yoga obtém a sede suprema, que é como o puro cristal, que é sem partes, e que destrói todos os pecados.

140(b)-141: “Como a tartaruga esconde suas patas e cabeça dentro de si mesma, assim, puxando o ar e expelindo-o através das nove portas do corpo, ele respira para cima e para frente.

142: “Como uma lâmpada em um em um frasco hermético, o qual está imóvel assim que se percebe movimento através do processo do yoga no coração, e que é livre de turbulências, depois de ter sido puxado pelas nove portas, diz-se que é Atman sozinho.”


Invocação

  
Om! Que Ele possa proteger-nos, a ambos, juntos;
que Ele possa nutrir-nos, a ambos, juntos;
Que nos possamos trabalhar conjuntamente com a grande energia,
Que nosso estudo seja vigoroso e efetivo;
Que nós não possamos disputar mutuamente
(ou não odiarmos ninguém).
Om! Deixe haver Paz em mim!
Deixe haver Paz em meu ambiente!
Deixe haver Paz nas forças que atuam em mim!



Aqui termina o Yogatattva Upanishad pertencente ao Krishna-Yajur-Veda.