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33 - Avadhuta Upanishad (Kṛṣṇa Yajur Veda)



33
Avadhuta Upanishad
  

Traduzido por:
Prof. A. A. Ramanathan
Publicado por:
The Theosophical Publishing House, Chennai

Traduzido para o Português por

Uma Yoginī em seva a Śrī Śiva Mahadeva
Karen de Witt

***

Brasil – RJ
Maio/2010
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Fonte de Consulta
Vedanta Spiritual Library


Invocação


Om! Que Ele possa proteger-nos, a ambos, juntos;
que Ele possa nutrir-nos, a ambos, juntos;
Que nos possamos trabalhar conjuntamente com a grande energia,
Que nosso estudo seja vigoroso e efetivo;
Que nós não possamos disputar mutuamente
(ou não odiarmos ninguém).
Om! Deixe haver Paz em mim!
Deixe haver Paz em meu ambiente!
Deixe haver Paz nas forças que atuam em mim!


1: Então, diz-se que, Samkriti aproximou-se do venerável Avadhuta, Dattatreya, e o questionou: Venerável Senhor, Quem é um Avadhuta? Qual é sua condição? Qual é a sua característica? E o que é sua existência mundana?” Para ele respondeu o venerável Dattatreya, o mais compassivo:

2: O Avadhuta é assim chamado porque ele é imortal (akshara); ele é o mais elevado (varenya); ele tem descartado os laços mundanos (dhutasamsarabandhana); e ele é o significado indicado na sentença “Tu és Aquele” etc., (tattvamasyadi-lakshya).

3: Aquele que repousa constantemente em si mesmo, após cruzar (a barreira de) castas, e os estágios (da posição social), e assim elevar-se acima de varnas e asramas, e estar em união (com Deus), é dito ser um Avadhuta.

4: Esta alegria (priya) é (deve ser encarada como) a cabeça; o deleite (moda) é sua asa direita; o grande deleite (pramoda) é sua asa esquerda; e a bem-aventurança (seu próprio eu). Assim ele assume uma quádrupla condição.

5: Deve-se identificar Brahma nem com a cabeça, nem com a parte do meio, nem com o fundo, senão com (o que permanece sob a forma de) a extremidade, pois se diz que Brahman é “a Extremidade” e o substrato. Assim, aqueles que contemplam esta quádrupla divisão, atingem o supremo Objetivo.

6: Nem pelos rituais, nem por ter filhos, nem pela riqueza, senão pela renúncia (tyaga), por si só, uns poucos atingem a imortalidade.

7: Seu (de Avadhuta) a existência mundana, consiste em mover-se livremente, com ou sem roupas. Para eles não há nada justo ou injusto; nada sagrado ou profano. Através da consumação total, o correto conhecimento (samgrahaneshti), (o Avadhuta) realiza o sacrifício Ashvamedha dentro (de si mesmo). Aquele é o mais elevado sacrifício do grande yoga.

8: Nada desta extraordinária, ação livre (de seu) deve ser divulgado. Este é o grande voto (mahavrata). Ele não está contaminado como o ignorante.

9: Como o sol absorve todas as águas, e o fogo consome todas as coisas (permanecendo não afetado por elas), mesmo assim, o yogue puro desfruta de todos os objetos, sem macular-se pelas virtudes ou pecados.

10: Assim como o oceano, dentro do qual todas as águas fluem, mantém em sua natureza, apesar da água transbordar por (todos os lados), assim ele, sozinho, alcança a paz em que todos os desejos fluem da mesma maneira; ele não procura os objetos de prazer.

11: Não existe nem morte nem nascimento; nenhuma obrigação, nenhuma aspiração. Não existe nem buscador atrás da liberação nem qualquer liberado; isto, de fato, é a Verdade derradeira.

12: Muitas foram minhas atividades possivelmente no passado, por ganhar coisas aqui e na vida futura, ou por obter a liberação; tudo aquilo agora é o passado.

13: Isso, em si, é o estado de contentamento. Verdadeiramente, relembrando o mesmo (ou seja, o passado), realizações envolvendo objetos, ele agora permanece assim sempre contente. O miserável ignorante, desejoso de filhos etc., precisa sofrer muito.

14: Por isso é que eu sofro, que estou cheio de suprema bem-aventurança? Deixe aqueles que anseiam ir para os outros mundos executarem rituais.

15: O que é que eu devo, que sou da natureza de todos os mundos, executar? Para quê e como? Deixe aqueles que são os mundos, executar? Para quê e como? Deixe aqueles são qualificados interpretar os Shastra, ou ensinar os Vedas.

16: Eu não tenho essa qualificação, desde que eu estou livre de ação. Eu não tenho desejo de dormir ou mendigar, ou banhar ou pela limpeza. Nem posso fazê-los.

17: Se os expectadores assim sobrepõem, deixe-os fazê-lo. O que me importa as sobreposições dos outros? Um amontoado de bagas vermelho escuro (do Abrus precatorius) (*) não queima mesmo se outros sobrepõem fogo nele. Também eu não participo dos deveres mundanos sobrepostos (em mim) por outros.

(*) Abrus precatorius, também conhecida pelos seguintes nomes: Olho de Pombo/a, Ervilha do rosário, Jequiriti / Jiquiriti (Tupi), Ghungchi, Rati (Hindi), Gunja (Sânscrito), Jequirity (Inglês); Liene a reglisse, (Francês); Cascavelle, Graine diable, Herbe de diable (Espanhol). Extremamente venosa.

18: Deixe-os, que são ignorantes da realidade, o estudo das escrituras; conhecendo (a realidade) por que devo estudar? Deixe-os, que tem dúvidas, refletir (sobre o que foi estudado). Não tendo dúvidas, eu não reflito.

19: Eu estava sob a ilusão, eu posso meditar; não tendo ilusão, o que a meditação pode ser (para mim)? Confusão do corpo para o eu, eu nunca experimento.

20: O uso habitual “Eu sou um homem” é possível mesmo sem esta confusão, pois é devido às impressões acumuladas durante um longo tempo.

21: Quando os resultados das ações desencadeadas (prarabdha-karman) são esgotados, o uso habitual também termina. Isto (uso mundano) não cessará mesmo com a meditação repetida, a menos que tais ações sejam esgotadas.

22: Se, raramente, as relações mundanas são solicitadas, deixe haver contemplação para você. Por isso eu deveria, contra que relações mundanas não oferecer impedimento, contemplar?

23: Porque eu não tenho distrações, eu não preciso de concentração, distração ou concentração, sendo a mente que as modifica.

24: O que separar a experiência pode haver para mim, que sou da natureza da experiência eterna? O que tem para ser feito é feito, o tem para ser obtido é obtido para sempre.

25: Deixe minhas relações, mundanas, escriturais, ou de outros tipos, procederem como eles têm estado, eu não sendo nada, nem uma gente (de ação), nem um afetado (por ela).

26: Ou, apesar de eu ter alcançado o que tem de ser alcançado, deixe-me permanecer no caminho das escrituras para o bem estar do mundo. Que mal para mim, desse modo?

27: Deixe o corpo ser engajado na adoração dos deuses, banhos, purificações, iniciando e, assim por diante. Deixe o discurso, repetidamente, proferir o tara-mantra (*), ou recitar as passagens dos Upanishads.

(*) Tara mantra – encontrei referências somente no budismo, quanto ao mantra acima mencionado.

28: Vamos contemplar Vishnu, ou deixá-Lo ser dissolvido na Bem-aventurança de Brahman. Eu sou a testemunha. Eu não sou nem o que faz, nem a causa de nada feito.

29: Estando satisfeito com os deveres cumpridos e com as realizações concluídas, ele reflete incessantemente conforme segue, com uma mente satisfeita:

30: Abençoado eu sou, abençoado eu sou. Diretamente e sempre, eu experimento meu próprio eu. Abençoado eu sou, abençoado eu sou, a Bem-aventurança de Brahman brilha vivamente em mim.

31: Abençoado eu sou, abençoado eu sou. Eu não vejo miséria da existência. Abençoado eu sou, abençoado eu sou; minha ignorância fugiu.

32: Abençoado eu sou, abençoado eu sou. Nenhum dever existe para mim. Abençoado eu sou, abençoado eu sou; tudo a ser obtido é, agora, obtido.

33: Abençoado eu sou, abençoado eu sou. Que comparação há no mundo para o meu contentamento! Abençoado eu sou, abençoado eu sou, abençoado, abençoado, repetidas vezes abençoado.

34: Lógico! As virtudes acumuladas têm rendido frutos! De fato, elas têm! Pela riqueza da virtude nós somos como nós somos.

35: Maravilhoso conhecimento, maravilhoso conhecimento! Maravilhosa felicidade, maravilhosa felicidade! Maravilhosas escrituras, maravilhosas escrituras! Maravilhosos professores, maravilhosos professores!

36: Aquele que estuda isto, também alcança em tudo o que é para ser alcançado. Ele se torna livre do pecado de beber álcool. Ele se torna livre dos pecados de roubar ouro. Ele se torna livre dos pecados de matar um Brahmana. Ele se torna livre das ações, ordenados ou proibitivos. Conhecendo isto, deixe-o vaguear de acordo com seu livre arbítrio. Om, Verdade. Assim (termina) o Upanishad.


Invocação

Om! Que Ele possa proteger-nos, a ambos, juntos;
que Ele possa nutrir-nos, a ambos, juntos;
Que nos possamos trabalhar conjuntamente com a grande energia,
Que nosso estudo seja vigoroso e efetivo;
Que nós não possamos disputar mutuamente
(ou não odiarmos ninguém).
Om! Deixe haver Paz em mim!
Deixe haver Paz em meu ambiente!
Deixe haver Paz nas forças que atuam em mim!


Aqui termina o Avadhuta Upanishad pertencente ao Krishna-Yajur-Veda