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40 - Kaivalya Upanishad (Kṛṣṇa Yajur Veda)



40
Kaivalya Upanishad

 Traduzido por:
Swami Madhavananda

Publicado por:

Advaita Ashram, Kolkatta
Traduzido para o Português por

Uma Yoginī em seva a Śrī Śiva Mahadeva
Karen de Witt
***

Brasil – RJ
Junho/2010
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Fonte de Consulta
Vedanta Spiritual Library


Invocação


Om! Que Ele possa proteger-nos, a ambos, juntos;
que Ele possa nutrir-nos, a ambos, juntos;
Que nos possamos trabalhar conjuntamente com a grande energia,
Que nosso estudo seja vigoroso e efetivo;
Que nós não possamos disputar mutuamente
(ou não odiarmos ninguém).
Om! Deixe haver Paz em mim!
Deixe haver Paz em meu ambiente!
Deixe haver Paz nas forças que atuam em mim!



1: Então, Ashvalayana aproximou-se do Senhor Paramesthi (Brahma) e disse: Ensine, Oh, Senhor, o conhecimento de Brahman, o mais elevado, sempre cultivado pelos bons, escondido e, pelo qual, um homem sábio dispersa instantaneamente todos os pecados e atinge o Purusha mais elevado do que o mais elevado.

2: E para ele, o Avô (Brahma) disse, “Saiba que (isto), por meio da fé, da devoção e da meditação. Não pelo trabalho, nem pela progenitura, nem pela riqueza, mas sim pela renúncia, alguns atingem a imortalidade.

3: Mais elevado do que o paraíso, sentado na caverna (Buddhi), que brilha, (o qual) o eu controlado atinge – o eu controlado que, estando puro de mente, bem determinando a Realidade, pelo conhecimento do Vedanta e, através de Sannyasa, ou renúncia. Na esfera de Brahma, ao tempo da dissolução cósmica, todos eles são liberados da mais elevada (aparente) imortalidade do universo manifesto.

4-5: Em um lugar isolado, sentando em uma postura agradável, puro, com o pescoço, a cabeça, e o corpo ereto, vivendo na últimas das ordens da vida religiosa, tendo controlado todos os sentidos, saudando seu próprio preceptor, com reverência, meditando dentro do lótus do coração (em Brahman), unido, puro, limpo e sem pesar.

6: (Quem é) inconcebível, imanifesto, de formas infinitas, o bom, o pacífico, Imortal, a origem dos mundos, sem início, meio e sem fim, o único Um, todo permeante, Consciência e Bem-aventurança, o sem forma e o maravilhoso.

7: Meditando sobre o Senhor mais elevado, aliado a Uma, poderoso, de três olhos, o de pescoço azul, e tranqüilo, o homem sagrado chega a Ele que é a fonte de tudo, o Testemunho de tudo, e está além da escuridão (ou seja, de Avidya, ignorância).

8: Ele é Brahma, Ele é Shiva, Ele é Indra, Ele é o Imutável, o Supremo, o Auto-luminoso, Ele, por si só, é Vishnu, ele é Prana, Ele é Tempo e Fogo, Ele é a Lua.

9: Ele, por si só, é tudo o que foi, e é tudo o que será, o Eterno; conhecendo-O, transcende-se a morte; não existe nenhum outro caminho para a liberdade.

10: Vendo o Atman em todos os seres, e todos os seres no Atman, atinge-se o mais elevado Brahman – não por quaisquer outros meios.

11: Fazendo o Atman (abaixo) de Arani, e o Om acima de Arani, pela repetida fricção do conhecimento, um homem sábio queima os vínculos.

12: Com seu eu assim iludido por Maya, ou ignorância, é ele quem se identifica com o corpo e faz todas as sortes de coisas. No estado de vigília ele é o (Jiva), quem atinge a satisfação através das variedades de objetos para o prazer, tal como as mulheres, a comida, a bebida, etc.

13: No estado de sonho aquele Jiva sente prazer e dor em uma esfera de existência criada por sua própria Maya, ou ignorância, durante o estado de sono profundo, quando todas as coisas são dissolvidas (em seu estado causal), ele é dominado por Tams, ou a não manifestação, e passa a existir em seu estado de Bem-aventurança.

14: Novamente, através de sua conexão com as obras feitas em nascimentos anteriores, aquele mesmo Jiva retorna para o estado de sonho, ou o estado de vigília. O ser que ostenta nas três cidades (ou seja, nos estados de vigília, sonho e sono profundo) – a partir Dele tem surgido todas as diversidades. Ele é o substrato, a felicidade, a Consciência indivisível, no qual as três cidades se dissolvem.

15: Disto brota o Prana (Vitalidade), mente, todos os órgãos, céu, ar, fogo, água e a terra que suporta tudo.

16: Aquele que é o Supremo Brahman, a alma de todos, o grande suporte do universo, sutil mais que o sutil, e eterno – Aquele é tu, e tu és Aquele.

17: “Aquele que manifesta o fenômeno, tal como os estados de vigília, sonho e sono profundo, Eu sou aquele Brahman” – realizando assim se é liberado de todos os laços.

18: O que constitui o desfrutável, o desfrutador e o desfrute, nas três moradas – diferente deles todos sou eu, a Testemunha, a Consciência Pura, o Bem Eterno.

19: Em mim sozinho todas as coisas nascem, em mim todas as coisas repousam e, em Mim, todas as coisas são dissolvidas. Eu sou aquele Brahman, o sem Um Segundo.

20: Eu sou minuto de minuto, Eu sou como o avô de todos, Eu sou o universo múltiplo. Eu sou o Único Ancião, o Purusha e o Governante, Eu sou o Único Refulgente e o Todo Bondade.

21: Sem braços e sem pernas Eu sou, de poder inconcebível; Eu vejo sem olhos, e Eu ouço sem ouvidos. Eu conheço todos, e Sou diferente de todos. Ninguém pode conhecer-Me. Eu sou sempre a Inteligência.

22: Eu sozinho sou ensinado nos diversos Vedas, Eu sou o revelador do Vedanta, ou Upanishads, e Eu sou também o Conhecedor dos Vedas. Para mim não há mérito e nem demérito, Eu não sofre nenhuma destruição, Eu não tenho nenhum nascimento, nem qualquer auto-identidade com o corpo e com os órgãos.

23-24: Para Mim não existe nem terra, nem água, nem fogo, nem ar, nem éter. Assim, realizando o Paramatman, que repousa na cavidade co coração, que é sem partes, e sem Um Segundo, a Testemunha de tudo, além de ambas, a existência e a não existência, alcança o Puro Paramatman em Si.

25: Quem estuda o Shatarudriya é purificado pelos Fogos, é purificado do pecado de beber, purificado do pecado de matar um Brahmana, de atos feitos conscientes ou inconscientemente. Através disto ele se refugia em Shiva, o Supremo Eu. Quem pertence à ordem mais elevada de vida, deve repetir isto sempre, ou uma vez (por dia).

26: Por meio disto, atinge-se o Conhecimento que destrói o oceano de Samsara, ou de repetidas transmigrações. Portanto, conhecendo assim, atinge-se os frutos de Kaivalya, ou a liberação, verdadeiramente, atinge-se a liberação.


Invocação

Om! Que Ele possa proteger-nos, a ambos, juntos;
que Ele possa nutrir-nos, a ambos, juntos;
Que nos possamos trabalhar conjuntamente com a grande energia,
Que nosso estudo seja vigoroso e efetivo;
Que nós não possamos disputar mutuamente
(ou não odiarmos ninguém).
Om! Deixe haver Paz em mim!
Deixe haver Paz em meu ambiente!
Deixe haver Paz nas forças que atuam em mim!



Aqui termina Kaivalyopanishad, incluído no Krishna-Yajur-Veda.